Banco ou corretora independente: como escolher?

Pesquisa exclusiva aplicada pelo Reclame Aqui para a Empiricus revela o perfil de quem investe no Brasil. Confira e reflita sobre suas decisões

Compartilhe:
Banco ou corretora independente: como escolher?

Por que escolher uma corretora independente no lugar de um banco?

Qual é o seu maior medo com relação ao seu banco ou à sua corretora?

Que tipo de providência você toma quando sente que foi lesado?

Se está insatisfeito com a instituição pela qual investe, por que ainda não mudou?

Qual é a forma ideal de comunicação com seu banco ou corretora?

Hoje, quem pergunta a você sou eu! Todos os dias, recebo incontáveis e-mails sobre como escolher a melhor corretora para começar a investir, como saber se é a hora certa de mudar de instituição financeira ou por que costumamos recomendar corretoras independentes em vez de bancos.

As perguntas são as mais diversas e, para a insatisfação de muitos, não existe uma única resposta certa.

Custo, atendimento, serviços e produtos ofertados, transparência, uma boa experiência são alguns dos fatores que precisam ser levados em consideração na decisão do investimento. Alguns pontos são objetivos e fáceis de comparar, como os preços e a oferta disponível de produtos. Outros, porém, são mais subjetivos, como a análise de sua experiência com a corretora. Como saber a resposta sem experimentar?

As expectativas de cada investidor também são diferentes. Alguns estão em busca da melhor instituição para operar ações; outros estão ingressando aos poucos, meio receosos, no mercado e querem apenas a segurança para comprar títulos públicos no Tesouro Direto.

Existem investidores que não ligam em pagar taxas mais altas se tiverem a plataforma mais rápida do Brasil. Outros não querem pagar NENHUM CUSTO.

Por isso, a primeira pergunta que você deve se fazer antes de começar a aplicar é: “O que busco em uma corretora ou em um banco?“.

Enquanto você reflete sobre seus interesses, resolvi entender melhor o perfil dos investidores brasileiros. Por isso, encomendei ao Reclame Aqui uma pesquisa para saber como as pessoas investem, como escolhem a instituição pela qual investir, como se dá o contato com bancos e corretoras e como buscam informações para investir, dentre muitos outros aspectos.

A ideia é a de que você conheça o comportamento desse grupo de pessoas e reflita sobre suas decisões e postura.

Quem investe?

8.940 pessoas do Brasil inteiro receberam um questionário entre os dias 31 de agosto e 6 de setembro.

Desse total, apenas 3.843 pessoas revelaram que efetivamente costumam fazer investimentos, das quais nada menos que 3.331 por meio de bancos e apenas 512 por corretoras independentes.

Curioso ver que, no universo das pessoas que não costumam investir, o principal motivo alegado foi a crise econômica, com 34,5% das respostas. Não seria justamente agora o momento mais necessário para proteger e aumentar seu patrimônio?

Valores investidos

Os investimentos nas corretoras estão nos extremos. Cerca de 28,8% das pessoas têm até 5 mil reais aplicados por meio dessas instituições, enquanto 25,5% alocam mais de 100 mil reais.

Nos bancos, a maioria (34,7%) tem aplicado somente um valor de até 5 mil reais. A fatia que investe mais de 100 mil reais é de aproximadamente 20%.

Razões para a escolha

Já parou para se questionar por que você resolveu investir por seu banco ou corretora?

Nossa pesquisa deixa claras as diferenças entre os que optam por uma ou outra instituição financeira.

No caso das corretoras, a principal razão é o “custo”, com 32% das respostas, seguido por “serviços oferecidos” (com 23,1%) e “indicação de amigos/familiares/profissionais” (escolhida por 16,4% das pessoas).

A situação dos bancos é bem diferente. “Comodidade” responde de longe como principal razão, com 54,2% das escolhas. Bem distante, com 22,1%, aparece o item “serviços financeiros”.

Motivo de insatisfação

A maior parte dos clientes de bancos (52,8%) e de corretoras (86,8%) nunca reclamou de sua instituição para a própria, ao Reclame Aqui ou ao Banco Central. Da minoria que já fez alguma queixa, a maior parte dirigiu-se ao próprio banco ou à corretora em questão.

E por que as pessoas fizeram reclamações? No caso de corretoras, a principal insatisfação refere-se ao serviço prestado (como demora para executar ordens e problemas com home broker), a erros nas informações prestadas e ao atendimento. Nos bancos, os serviços lideram as reclamações, seguidos pelo item “outros”, que não foi especificado, e por “atendimento e aumento de valores”.

Apego ao banco

A julgar pelos resultados da pesquisa, os investidores demonstram mais desprendimento em relação a seus bancos que às suas corretoras, afinal 51,8% dos consultados mudaram de banco em algum momento da vida, enquanto apenas 20,5% trocaram de corretora.

Chamam atenção ainda as respostas sobre a forma de contato com as instituições. Nas corretoras, 29% das pessoas comunicam-se por telefone e 19,3%, por e-mail. Nos bancos, a maioria dos entrevistados (36,3%) prefere a comunicação pessoal. A independência se destaca nas corretoras, nas quais 23,5% das pessoas disseram fazer tudo pelo site, sem nunca ter tido contato direto com atendentes. Nos bancos, esse percentual cai para 12,6%.

A avaliação sobre a parte educacional também é diferente. No caso das corretoras, cerca de 50% das pessoas consideram esse quesito (que inclui cursos, videoaulas e palestras) como ótimo e bom; nos bancos, essa mesma avaliação foi feita por apenas 36,6% das pessoas.

Riscos

A última pergunta feita abordou as preocupações com relação às instituições financeiras e as respostas foram bem diferentes. No caso das corretoras, de longe, o maior medo é a “quebra/falência da instituição”, com 40,7% das respostas. Na sequência, aparecem “receber e seguir uma recomendação errada de investimento” (com 29% das escolhas) e “não receber o atendimento adequado”(com 24,8%).

Nos bancos, a “preocupação com um atendimento inadequado” lidera, com aproximadamente 43% das respostas. “Quebra/falência” recebeu 28,6% dos votos, seguido por “recomendação errada”, com cerca de 24% das escolhas.

Conclusões

Com base nas principais respostas da pesquisa, quero fazer algumas considerações e dar sugestões. Já começo expressando minha frustração em ver como é baixo o número de pessoas que investem no Brasil… Por que você ainda não começou?

O segundo ponto trata das diferentes razões pelas quais uma pessoa começa a investir por um banco ou uma corretora. Como pode você decidir como aplicar simplesmente pela comodidade? Afinal, investir precisa ser antes de tudo cômodo ou rentável?

E por que tanta gente ainda insiste no contato pessoal com os bancos? Será que é para resolver questões burocráticas do dia a dia ou para realmente tirar dúvidas sobre investimentos?

Para investir, não é preciso estar perto, nem sequer na mesma cidade que o seu banco ou corretora.

Chama atenção a avaliação regular ou ruim da parte educacional dos bancos. Se eles não estão cumprindo esse papel, como você tem buscado informações? Espero que a Empiricus esteja ajudando você nessa etapa!

Vejo que alguns leitores ainda confundem nosso papel. Não somos uma corretora, não vamos investir seu dinheiro por você. Nossa proposta é fornecer todo tipo de informação e recomendação para que você possa fazer sozinho suas aplicações.

As corretoras continuam menos populares que os bancos, mas costumamos recomendá-las nos investimentos porque acreditamos que os conflitos de interesses são menores. Que fique claro: eles existem, mas são menores. Além de os custos serem mais baixos, a diversidade de produtos é maior.

Existe a melhor corretora do mundo? Não! Mas existem várias opções interessantes.

Essa foi apenas a primeira pesquisa sobre o comportamento dos investidores encomendada pela Empiricus. Vamos atualizar, de tempos em tempos, o questionário e, quem sabe, numa próxima vez, já tenhamos um perfil dos assinantes da casa.

Confira o questionário completo aqui.

Sua lição de casa: responder à pesquisa e refletir sobre seu comportamento como investidor ou mero interessado em investir.

Um abraço!

Beatriz

Deixe seu e-mail para liberar o conteúdo e receber uma cópia do artigo