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4T23 do BR Partners (BRBI11): o recorde histórico pode ser apenas um aperitivo

Receitas de clientes cresceram 25% na comparação trimestral e bateram recorde histórico: R$ 100 milhões. Veja os detalhes do balanço do BR Partners

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Data de publicação
2 de fevereiro de 2024
Categoria
Investimentos
BR Partners (BRBI11)
Imagem: Divulgação/BR Partners

Ontem (2/fev), após o fechamento do mercado, o BR Partners (BRBI11) divulgou seus números do 4T23, que vieram acima da expectativa.

O reaquecimento das transações de M&A e de emissão de dívida puxaram o forte crescimento das receitas de clientes, que foi de 25% na comparação trimestral e marca um recorde histórico, de R$ 100 milhões.

Mesmo com a (esperadamente) maior despesa de pessoal para pagamento de bônus e expansão da vertical de Wealth Management, o lucro líquido cresceu 7% sequencialmente, para R$ 43 milhões, com ROE de 21,6%, acima dos 20,3% do trimestre anterior. É verdade, contudo, que a linha final foi ajudada pela alíquota de imposto mais baixa, em função do pagamento de JCP.

A Receita Total cresceu 16% sequencialmente, para R$ 124 milhões, ajudada principalmente pela Receita com Clientes (+25%), já que a Remuneração de Capital caiu 9%.

Veja o desempenho por área de negócio

Nas áreas de negócio, a performance foi puxada pelo Investment Banking + Capital Markets (+19%), em razão da volta de transações de M&A e emissões de dívida, após vários trimestres com o mercado de capitais inóspito.

Como consequência da volta das emissões, a vertical de Treasury Sales & Sctructuring (+51%) capturou boas oportunidades de estruturação de swaps dos indexadores de dívida, além de ter mantido uma boa atividade recorrente e no mercado de commodities agrícolas. 

Vale mencionar que, embora ainda pequena no todo, a parte de Gestão de Ativos (+38% trimestralmente e +16% anualmente) já começa a ser beneficiada com receitas do Wealth Management. A vertical de gestão de fortunas já conta com R$ 2,3 bilhões em recursos sob administração em apenas 3 meses de operação.

Por outro lado, o investimento em pessoas acabou pesando nas despesas, fazendo com que o índice de eficiência tenha ficado em 56% no trimestre, piora trimestral de 15 pontos percentuais. Vemos esse efeito como esperado, porque foi amplamente sinalizado pela gestão em resultados anteriores. 

O lucro líquido ficou em R$ 43 milhões, expansão sequencial de 7%, com ROE de 21,6%, 1,3 ponto porcentual melhor que o tri anterior.

Aqui, o benefício fiscal proveniente do JCP intra-grupo ajudou, reduzindo a alíquota efetiva de imposto corporativo e compensando as maiores despesas com pessoal.

Assim, houve crescimento tanto de lucro quanto de rentabilidade.

A companhia declarou R$0,12 por unit em dividendos aos seus acionistas, perfazendo um payout (proporção do lucro distribuída aos acionistas) de 77% no ano completo de 2023 e entregando um dividend yield realizado (proporção do valor de mercado que retorna em dividendos) de 10%.

BRBI11: resultado positivo e recomendação de compra

No todo, consideramos o resultado positivo, principalmente pelo forte crescimento das áreas de clientes, no core business da companhia – e estamos apenas começando a valta do mercado de capitais, então o crescimento tende a continuar.

Nos próximos trimestres, esperamos que o ganho de receita no Wealth Management dilua gradualmente as novas despesas de pessoal, gerando alavancagem operacional e expansão de ROE.

Negociando a um múltiplo preço/valor patrimonial de 2,1x, mantemos a recomendação de compra para BR Partners (BRBI11), presente em diversas carteiras recomendadas da Empiricus Research.

Além de BR Partners, outros nove papéis estão na carteira de 10 recomendações para fevereiro da Empiriucs Research. Confira as teses gratuitamente neste relatório.