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Brasília dá continuidade às discussões da meta fiscal nesta sexta (17) e mercado aguarda IBC-Br de setembro, proxy do PIB

A expectativa para o IBC-Br é um avanço de 0.20%, na comparação mensal

Por Matheus Spiess

17 de novembro de 2023, 09:24

Imagem representando o PIB, uma medida econômica que representa o valor total de todos os bens e serviços finais produzidos em um país durante um ano.

Bom dia, pessoal. O Federal Reserve (Fed) certamente se sente encorajado pelos dados recentes de inflação, mas aguarda uma nova desaceleração no mercado de trabalho e no crescimento salarial para se convencer de que a inflação está em um caminho sustentável de retorno à marca de 2%. Em meio à ansiedade, é natural que ocorram correções após as expressivas altas no início da semana, como foi evidenciado, por exemplo, no pregão desta sexta-feira no mercado asiático.

Os investidores se veem diante de uma encruzilhada intrigante: qual será o limite para que notícias desfavoráveis continuem exercendo impacto positivo nos mercados? Progressivamente, as apreensões sobre uma desaceleração econômica global começam a se manifestar nos preços, espelhando-se, por exemplo, no que tem acontecido com o mercado de petróleo. Este cenário sinaliza um delicado equilíbrio entre fatores adversos que, paradoxalmente, têm proporcionado certos benefícios nos mercados financeiros. Pelo menos uma atividade econômica menos robusta intensifica as apostas em possíveis cortes nas taxas de juros no próximo ano.

Nesta manhã, após uma quinta-feira desafiadora, os mercados europeus retomaram a trajetória de alta. Os futuros americanos indicam uma inclinação para um viés positivo, embora não de forma unilateral, já que há heterogeneidade entre os desempenhos dos diferentes índices. Na agenda do dia, os investidores estão absorvendo os dados de vendas no varejo mais fracas no Reino Unido e uma inflação na Zona do Euro em conformidade com as expectativas, ao mesmo tempo em que aguardam as declarações de algumas autoridades monetárias. Destaca-se o discurso de Christine Lagarde hoje, o qual pode proporcionar uma nova perspectiva sobre as movimentações do Banco Central Europeu (BCE).

A ver…

00:54 — Revisão à brasileira

No Brasil, a agenda destaca-se com alguns indicadores econômicos relevantes, como o IBC-Br de setembro, que funciona como uma proxy do PIB e é medido pelo Banco Central. A expectativa é que apresente um avanço de 0,20% na comparação mensal. Além disso, permanecemos atentos à evolução das discussões sobre a meta fiscal em Brasília, cuja revisão está programada para o próximo ano, possivelmente em março. Esse cenário auxilia a equipe econômica nas negociações com os parlamentares, incentivando o governo a empenhar-se ao máximo na aprovação das medidas propostas por Haddad para aumentar a arrecadação. Embora a situação esteja longe do ideal, o mercado provavelmente aceitará essa realidade, dada a complexidade do contexto fiscal.

Como mencionamos anteriormente, atingir a meta de zerar o déficit demandará tempo. Mais do que a própria meta, os investidores anseiam por um plano de ação claro. A vitória da equipe econômica sobre a ala política representa uma sinalização positiva na direção correta. Vale ressaltar que, conforme o novo arcabouço, qualquer eventual descumprimento da meta zero obrigaria o governo a restringir as despesas no ano seguinte, limitando-se a uma expansão de 50% da variação das receitas, em vez dos 70% anteriormente estabelecidos. Diante dessa perspectiva, Lula deve ajustar a meta de qualquer maneira. Antes do recesso legislativo no final do ano, a Fazenda tem a intenção de votar propostas importantes, como a taxação dos fundos exclusivos, o Projeto de Lei das apostas esportivas, a subvenção do ICMS e a reforma tributária.

01:52 — Megadelegação

O Brasil se prepara para constituir a maior delegação na 28ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, marcada para dezembro. Segundo informações do Itamaraty, a lista já ultrapassou 1.400 participantes dos setores público, empresarial e sociedade civil. Durante o período da COP, de 30 de novembro a 12 de dezembro, está prevista a realização de 110 eventos no pavilhão brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente nos dias 1 e 2 de dezembro, enquanto 15 ministros de Estado participarão em momentos distintos.

A COP-28 assume relevância especial para o Brasil, que sediará a COP-30 daqui a dois anos, um ano após ser anfitrião do G20. Nesta conferência, as nações divulgarão o Global Stocktake (GST), uma análise global dos avanços, retrocessos e razões para os resultados obtidos nos oito anos do Acordo de Paris, assinado por 195 países. Dentre os focos destacados pelo Brasil para o próximo ano, estão a segurança alimentar sustentável e a energia verde, e os desdobramentos nessas áreas devem ser cruciais para a visibilidade internacional do país.

02:36 — Moderação

Nos EUA, as ações estiveram mistas ontem e assim o fazem hoje novamente, com Wall Street ainda digerindo as boas notícias na luta contra a inflação. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego foram maiores do que o esperado na quinta-feira, reforçando o quadro de desaceleração do mercado de trabalho e somando-se a uma lista crescente de divulgações de dados que sugerem que o Federal Reserve pode aliviar seus aumentos nas taxas de juros.

Sim, ainda é muito cedo para a Fed declarar vitória sobre a inflação e os cortes nas taxas ainda estão longe, mas mais dados como estes irão atenuar as preocupações persistentes sobre um aumento adicional. Tanto é verdade que a taxa de juros de 10 anos já está abaixo de 4,4%. A taxa de juros básica atual está na faixa entre 5,25% e 5,50%. O mercado não espera mais alta de juros e já projeta 4 cortes de 25 pontos-base a partir do segundo trimestre do ano que vem.

03:24 — A tal economia circular

A elevação nos preços das matérias-primas, o incremento na regulamentação e o crescente reconhecimento dos benefícios da sustentabilidade estão previstos para atuar como catalisadores significativos na chamada “economia circular”. Esse conceito associa o desenvolvimento econômico a uma utilização mais eficiente dos recursos naturais, através de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação, reduzindo a dependência de matéria-prima virgem. A prioridade recai sobre insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis.

Segundo estudos conduzidos pela McKinsey, Accenture e Programa das Nações Unidas para o Ambiente, os benefícios econômicos da economia circular têm uma projeção entre 2,9 trilhões de dólares e 4,5 trilhões de dólares até 2030. Tudo indica que, apesar do foco considerável de reguladores, empresas e investidores nas metas de emissões líquidas zero e biodiversidade, o papel crucial que a economia circular desempenhará na resolução de ambos os desafios foi subestimado. Isso ocorre especialmente em um cenário em que a escassez de recursos disponíveis ameaça a rapidez, abrangência e acessibilidade de uma transição para a energia limpa.

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04:15 — O petróleo devolveu quase tudo

O preço do petróleo atingiu o seu nível mais baixo desde julho, influenciado por fatores técnicos e pelos altos estoques nos EUA. Entre junho e setembro, o barril de óleo subiu de US$ 70 para mais de US$ 90. O conflito em Israel contribuiu para manter esse patamar ao longo de outubro. No entanto, dados de atividade mais moderados, especialmente na China, com alguns indicadores recentes de balança comercial desfavoráveis, fizeram o preço do petróleo cair abaixo de US$ 80 por barril. Além disso, as autoridades iranianas não mostraram qualquer desejo de ver o conflito em Israel se espalhar pela região. Em outras palavras, os mercados parecem satisfeitos em evitar qualquer ampliação do conflito.

Dessa forma, o preço do petróleo se mantém confortavelmente acima de US$ 75 por barril. Há indícios de que os aumentos nas taxas de juros possam estar finalmente prejudicando o crescimento econômico e os lucros das empresas. Em algum momento, os investidores podem reagir negativamente ao que parece ser cada vez mais uma recessão iminente. É o dilema: até que ponto notícias adversas ainda terão impacto positivo nos mercados? Eventualmente, poderemos ver cortes nas taxas, mas à medida que os lucros das empresas enfraquecem e os consumidores reduzem os gastos, isso pode não ser positivo para os mercados, pelo menos do ponto de vista da economia real.

· 05:04 — O petróleo branco

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Sobre o autor

Matheus Spiess

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.