Investimentos

Carteiras com foco em renda: entenda a oportunidade de investir no exterior e receber dividendos por meio de BDRs

O ciclo de alta na inflação, somado a incertezas em relação à Selic nos próximos meses, abre portas para oportunidades em investimentos internacionais como os BDRs; entenda como funciona essa modalidade

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Data de publicação
19 de abril de 2022
Categoria
Investimentos

O indicador oficial de inflação do país, o IPCA, acelerou para 1,62% em março, acumulando uma alta de 11,3% em 12 meses. Diante disso, gerou-se também uma atenção à curva de juros, abrindo espaço para ajustes adicionais que podem levar esse número a mais de 13%. 

Esse processo de elevação generalizada dos preços e de aperto monetário, que acontece não somente no Brasil, mas globalmente, proporciona um destaque para as carteiras de renda

No relatório da série Double Income da Empiricus, o analista Matheus Spiess indica e fala sobre investimentos internacionais focados em renda, com ênfase para os BDRs.

Preparando os motores para uma viagem internacional

Os BDRs, Brazilian Depositary Receipts, ou certificados de depósito de valores mobiliários, focados em geração de renda, surgem como uma oportunidade de investimento diante do atual cenário macro. 

Trata-se de ativos que replicam, no Brasil, ações de uma empresas listadas originalmente no exterior.

Assim como as ações brasileiras, os BDRs contam com códigos/tickers de 4 letras, porém acompanhadas de dois números (34 ou 35) em vez de somente um. Esse certificado, por sua vez, fica em posse de um custodiante local, geralmente um dos grandes bancos de investimento brasileiros.

Outra característica é que o lote padrão é apenas 1 BDR, enquanto o das empresas brasileiras é de 100 ações. Nesse sentido, o custodiante determina quantos BDRs serão emitidos por ação.

Segundo Matheus Spiess, existem duas grandes diferenças entre investir com foco em dividendos no Brasil e no exterior: o leque de opções e a rentabilidade.

Leque de opções: entenda essa vantagem de investir no exterior

De modo geral, as empresas com perfil para distribuição de dividendos possuem um caráter mais maduro, com baixa necessidade de investimentos, receita previsível e crescimento moderado.

No entanto, no Brasil, há uma predominância de setores como o de utilities (geração, distribuição e transmissão de energia, saneamento e afins) e financeiro (grandes bancos, seguradoras e a própria B3). Além disso, a bolsa brasileira é pequena, com pouco mais de 400 nomes listados, de modo que não há empresas maduras em muitos segmentos.

Já no exterior, além dos vetores tradicionais explorados no Brasil, há companhias maduras em segmentos variados, como grandes marcas de consumo, setor industrial, empresas de transporte, entre tantas outras.

Rentabilidade diferenciada: confira por que o investimento vale a pena

Nos Estados Unidos, não existe nenhuma obrigatoriedade de distribuição do lucro, ao contrário do Brasil, onde as empresas são obrigadas por lei a distribuir um mínimo de 25% do seu lucro líquido na forma de dividendos aos seus acionistas.

Assim, lá fora, a tributação cria o incentivo para que as empresas privilegiem o retorno de capital para os acionistas por meio de recompras de ações, dinâmica que está presente na maioria das companhias americanas.

Outro fator a ser considerado é a Selic, que no Brasil se aproxima de 12,75% ao ano, e os juros de longo prazo que, aqui, seguem firmes acima de 11%. Já o Fed Funds Rate, que é o índice equivalente americano, segue próximo de zero e, neste momento, espera-se que alcance 2,5% ao final do ciclo de aperto monetário.

Quanto aos juros de longo prazo nos Estados Unidos, estão na casa dos 2,75%, após passarem um longo período se mantendo abaixo de 1%.

Também é importante enfatizar que a diferença entre a taxa de desconto “apropriada” no Brasil e em países da Europa e Estados Unidos é muito grande. Isso faz com que empresas com características similares sejam mais baratas no Brasil.

“Em suma, montar um portfólio de dividendos no exterior equivale a compreender que estamos renunciando a rentabilidade, em detrimento de segurança, pois buscamos fontes de rendas menos atrativas, porém pagas em moeda forte”, afirma Matheus Spiess.

Pagamento de dividendos e Imposto de Renda: vantagens dos BDRs

BDRs pagam dividendos e a frequência de pagamentos depende da política de cada companhia, podendo ser mensal, trimestral, semestral, anual ou irregular. Contudo, há algumas particularidades dentro desse segmento. 

Um exemplo é que, ao investir em BDRs, o investidor não se torna parte do quadro de acionistas daquela empresa, já que ele recebe somente um recibo de uma ação em posse do custodiante – que é o verdadeiro acionista nesse caso. Assim, no momento em que os proventos são pagos pela empresa aos acionistas, é o custodiante quem será creditado e, então, repassará aos titulares dos BDRs o valor.

O custodiante, por sua vez, não só é responsável por receber os dividendos, como também por pagar os impostos, fazer a conversão da moeda e transacionar o valor. Naturalmente, ele cobra uma taxa por esse serviço, que costuma variar entre 3 e 5% dos proventos recebidos.

Além disso, o sistema de tributação americano funciona de forma diferente do brasileiro. No Brasil, o investidor não paga nada ao receber dividendos. Lá fora, a tributação existe e é executada na fonte. 

Nos Estados Unidos, a Receita Federal americana retém 30% do valor dos dividendos. Isso faz com que, no momento em que o dividendo cai na conta do investidor, o valor já estará líquido tanto do Imposto de Renda quanto das taxas cobradas pelo custodiante. Os proventos devem ser declarados na seção “Rendimentos isentos e não tributáveis”.

Depois de ler tudo isso, por onde começar?

Diferentemente do que acontecia antigamente, hoje o processo de investir diretamente no exterior é muito simples. Há várias alternativas para fazer o câmbio a taxas razoáveis e muitas corretoras com suporte em português.

A Empiricus disponibiliza guias para seus assinantes, elaborados pela equipe internacional da casa, para a abertura de conta em algumas corretoras estrangeiras. Em publicações futuras da série Double Income, Felipe Miranda e Matheus Spiess continuarão comentando sobre esse segmento do mercado. Além dessa, há várias séries que abordam ativos internacionais disponíveis para assinantes.