Como investir diante da gerra entre a Rússia e a Ucrânia? Analistas da Empiricus recomendam ativos para o momento complexo da geopolítica
Os mercados globais encerram a semana em compasso de espera, com as atenções concentradas em dois temas principais: o relatório de emprego dos Estados Unidos e a persistente instabilidade no Oriente Médio. Após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial, investidores realizaram lucros em tecnologia, movimento que pressionou sobretudo as bolsas asiáticas e os futuros americanos.
Ao mesmo tempo, o payroll ganha relevância por ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Um mercado de trabalho ainda resiliente reforçaria a percepção de que a economia americana continua sustentando o crescimento, enquanto uma desaceleração mais acentuada poderia provocar uma reavaliação importante das perspectivas para juros e atividade econômica.
No campo geopolítico, o cenário permanece delicado. O Hezbollah rejeitou uma nova proposta de cessar-fogo no Líbano, enquanto o Irã voltou a condicionar qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva na região. Apesar da retórica mais dura e da continuidade dos combates, os mercados reagiram de forma contida. Paralelamente, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, voltou a defender negociações de paz com a Rússia, enquanto os Estados Unidos avançaram com novas medidas de apoio à Ucrânia e sanções contra Moscou.
· 00:59 — Dias de luta e dias de glória
No Brasil, o mercado encerrou a quarta-feira anterior ao feriado de Corpus Christi sob forte pressão. O Ibovespa recuou 2,22%, fechando aos 170.331 pontos, seu menor nível desde janeiro, enquanto o dólar avançou 1,15%, para R$ 5,06. A agenda doméstica desta sexta-feira é relativamente esvaziada, mas o mercado deve refletir parcialmente a recuperação observada ontem nas ADRs brasileiras negociadas em Nova York, após a forte correção da véspera. Esse movimento já aparece de forma moderada nos contratos futuros desta manhã, sugerindo uma abertura ligeiramente mais favorável para os ativos locais.
No campo político e institucional, passa a valer hoje a classificação das principais facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que pode adicionar novos elementos à relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. Paralelamente, o chamado “tarifaço 2.0” continua no radar dos investidores, embora ainda exista espaço para adiamentos, negociações e eventuais ajustes em sua implementação.
Do ponto de vista político, ambos os temas têm potencial para influenciar o debate público e a narrativa de soberania nacional adotada pelo governo. Resta acompanhar como esses acontecimentos serão absorvidos pela opinião pública e se produzirão efeitos perceptíveis nas próximas pesquisas de popularidade e intenção de voto.
· 01:48 — Os tão aguardados dados de emprego
Nos Estados Unidos, os mercados seguem divididos entre a resiliência da economia e as dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade do entusiasmo em torno da inteligência artificial. A Broadcom frustrou parte dos investidores ao manter inalterada sua projeção de receita para o segmento de chips voltados à IA em 2027, sem apresentar revisões adicionais para cima. A reação foi imediata: as ações da companhia recuaram, pressionando outras empresas associadas ao tema e reacendendo o debate sobre possíveis excessos de valorização no setor.
As preocupações ganharam força após declarações de Ray Dalio, fundador da Bridgewater, que alertou para características típicas de ciclos de exuberância observadas em momentos anteriores do mercado. Ainda assim, a inteligência artificial continua sendo a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, sustentada por investimentos bilionários, forte crescimento de usuários em plataformas como o Gemini, da Alphabet, e pelo otimismo demonstrado por lideranças do setor, como Jensen Huang, da Nvidia.
Paralelamente, as atenções dos investidores permanecem voltadas para o mercado de trabalho e para os próximos passos do Federal Reserve. A expectativa para o payroll de maio aponta para a criação de aproximadamente 85 mil vagas, com a taxa de desemprego permanecendo estável em 4,3%. Ao mesmo tempo, a desaceleração do crescimento salarial sugere que a atividade econômica continua relativamente sólida sem gerar pressões inflacionárias adicionais significativas.
Ainda assim, a combinação entre inflação persistente, alta recente das commodities e um mercado de trabalho que segue resiliente mantém o banco central americano em posição cautelosa. Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, voltou a destacar que a autoridade monetária poderá ser obrigada a manter os juros elevados por mais tempo — ou até mesmo considerar novos ajustes de alta — caso a inflação não continue avançando de forma consistente em direção à meta. Em síntese, os mercados americanos seguem equilibrando três forças centrais: a solidez da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e o desafio de reconduzir a inflação aos níveis desejados.
· 02:34 — Aparando arestas
A tentativa de cessar-fogo anunciada entre Israel e Líbano trouxe algum alívio inicial aos mercados, mas os obstáculos para uma solução duradoura permanecem relevantes. O principal desafio é que o conflito não envolve diretamente o Estado libanês, mas sim o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã que rejeitou os termos do acordo e continua operando no sul do país.
Como Teerã condicionou qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva no Líbano, a resistência do Hezbollah reduz significativamente as chances de um entendimento mais amplo capaz de diminuir as tensões na região. Ao mesmo tempo, Israel segue sob forte pressão doméstica para manter sua campanha militar, enquanto o governo iraniano afirma que ainda não houve progresso concreto nas negociações de paz conduzidas com os Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, o conflito também começa a produzir repercussões políticas internas. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que busca restringir a capacidade do presidente Donald Trump de ampliar o envolvimento militar americano contra o Irã sem autorização formal do Congresso, contando inclusive com o apoio de alguns parlamentares republicanos.
Embora a proposta enfrente obstáculos para se tornar lei e tenha impacto prático limitado no curto prazo, sua aprovação sinaliza um desgaste gradual do apoio político à continuidade da guerra. Dessa forma, o Oriente Médio vive um momento de aparente distensão, mas ainda marcado por elevada fragilidade, interesses estratégicos conflitantes e riscos relevantes para a estabilidade regional, os mercados de energia e o cenário geopolítico global.
· 03:25 — Impactos heterogêneos
A escalada dos preços do petróleo e o aumento da volatilidade observados desde o início do conflito no Golfo Pérsico vêm produzindo impactos bastante distintos entre as principais economias globais. Na Ásia, Índia e Coreia do Sul estão entre os países mais expostos ao choque energético, em razão da elevada dependência de importações para suprir sua demanda doméstica por combustíveis. Como resultado, ambas passaram a sentir de forma mais intensa o aumento dos custos de energia, com reflexos sobre consumidores, empresas e expectativas para a atividade econômica.
Embora China, Japão e Coreia do Sul tenham reduzido parte de suas importações de petróleo em resposta ao novo ambiente de preços, a Índia manteve volumes praticamente estáveis. Essa postura reflete características estruturais da economia indiana, como a forte dependência de energia importada, a menor capacidade de armazenamento estratégico e a necessidade de sustentar o crescimento de uma economia que continua em expansão. Na tentativa de amenizar os impactos para a população, o governo chegou a congelar temporariamente os preços dos combustíveis, mas a medida foi gradualmente flexibilizada, permitindo novos reajustes por parte das distribuidoras locais.
Em contraste, os Estados Unidos vêm enfrentando efeitos relativamente mais moderados. A condição de exportador líquido de energia reduz a sensibilidade da economia americana aos choques internacionais no mercado de petróleo, funcionando como um importante amortecedor em períodos de tensão geopolítica.
O episódio ilustra como a estrutura energética de cada país pode influenciar significativamente sua capacidade de absorver oscilações nos preços das commodities, com consequências relevantes para a inflação, o crescimento econômico e as decisões de política monetária.
· 04:17 — O novo e fragmentado mundo
As relações entre Estados Unidos e Europa atravessam um período de crescente desgaste, refletindo as dificuldades de coordenação entre aliados em um ambiente internacional cada vez mais complexo. Segundo Jens Stoltenberg, ex-secretário-geral da OTAN, as divergências entre Washington e os países europeus tornaram-se ainda mais difíceis de administrar do que durante o primeiro mandato de Donald Trump.
Entre os principais pontos de atrito estão as diferenças de posicionamento em relação ao conflito com o Irã e a pressão exercida pelos Estados Unidos para que os membros europeus ampliem seus gastos com defesa. Enquanto Trump critica a falta de apoio europeu às iniciativas americanas no Oriente Médio e volta a questionar o comprometimento dos aliados com a segurança coletiva, diversas lideranças do continente resistem a um alinhamento automático com Washington, evidenciando uma aliança mais tensionada em um cenário marcado pela fragmentação geopolítica.
Paralelamente, o comércio global continua passando por uma transformação estrutural relevante. Embora o debate sobre o eventual fim da globalização tenha ganhado força diante da escalada das tensões comerciais, da rivalidade entre Estados Unidos e China e da adoção de políticas industriais mais intervencionistas, os dados sugerem uma dinâmica mais sofisticada do que uma simples reversão da integração econômica global.
O setor manufatureiro tem apresentado um processo gradual de regionalização, com blocos como América do Norte e União Europeia concentrando uma parcela crescente de suas cadeias produtivas dentro de suas próprias regiões. Ainda assim, segmentos como serviços, commodities e fluxos financeiros permanecem amplamente integrados em escala global. Em outras palavras, o mundo parece caminhar menos para uma desglobalização completa e mais para uma reorganização das relações econômicas em torno de grandes blocos regionais, preservando parte importante da interdependência construída nas últimas décadas.
· 05:06 — A IA está cara ou apenas no começo?
A correção observada ontem nas ações ligadas à inteligência artificial reacendeu um debate recorrente em Wall Street: estamos diante de uma transformação tecnológica sustentável ou de mais um episódio de exuberância excessiva nos mercados?
O gatilho para essa discussão foi a reação negativa aos resultados da Broadcom. Embora a companhia tenha divulgado números robustos e mantido boas projeções para seus negócios relacionados à inteligência artificial, parte dos investidores esperava revisões ainda mais agressivas para cima. O episódio serviu como lembrete de que, após um longo período de valorização, o mercado passou a exigir não apenas crescimento, mas uma aceleração constante das expectativas. Ainda assim, correções pontuais e períodos de volatilidade não invalidam a tese da inteligência artificial.
Na prática, movimentos dessa natureza costumam fazer parte de ciclos de inovação, nos quais o sentimento dos investidores oscila entre momentos de euforia e fases de maior ceticismo, sem necessariamente interromper o avanço da transformação tecnológica.
O desempenho recente das ações de tecnologia chama ainda mais atenção porque ocorreu em um ambiente que, em tese, favoreceria uma postura mais cautelosa. Mesmo diante das tensões no Oriente Médio, da alta do petróleo e dos riscos associados à inflação e às cadeias globais de suprimento, o mercado continuou direcionando capital para empresas ligadas à inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital.
Em grande medida, isso reflete a percepção de que a tecnologia deixou de ser apenas um segmento específico da economia para se tornar uma camada fundamental que sustenta praticamente todas as atividades produtivas. Bancos, indústrias, varejistas, empresas de logística e prestadores de serviços dependem cada vez mais de software, computação em nuvem, processamento de dados e capacidade computacional, o que ajuda a explicar por que os investidores continuam antecipando ganhos futuros de produtividade e crescimento.
Ao mesmo tempo, a própria natureza da revolução da inteligência artificial está alterando o foco dos mercados. Se durante muitos anos a atenção esteve concentrada em aplicativos, plataformas digitais e publicidade online, hoje a discussão gira em torno de quem controla a infraestrutura necessária para sustentar essa transformação: chips, memória, data centers, energia, redes e equipamentos especializados.
Isso cria oportunidades não apenas para as grandes empresas de tecnologia, mas também para fornecedores estratégicos distribuídos ao longo de toda a cadeia global. Ainda assim, o potencial estrutural da tese não elimina os riscos. A história mostra que grandes ciclos de inovação frequentemente convivem com momentos de exagero nos preços dos ativos. Por isso, o desafio do investidor continua sendo distinguir a força da tendência de longo prazo da qualidade de cada empresa e do preço pago por ela, equilibrando convicção e disciplina na construção do portfólio.
Para o investidor que deseja participar dessa transformação sem a necessidade de selecionar individualmente os potenciais vencedores do setor, o ETF GENB11 surge como uma alternativa eficiente e acessível. O fundo busca replicar o desempenho do índice S&P/B3 Ingenius, que reúne algumas das maiores e mais inovadoras empresas de tecnologia do mundo, incluindo nomes como Apple, Microsoft e Alphabet.
Em vez de apostar em uma única companhia ou em uma tecnologia específica, o investidor passa a ter exposição a um conjunto diversificado de líderes globais que vêm capturando o avanço da digitalização, da computação em nuvem, da inteligência artificial e da economia baseada em dados. Em minha visão, essa abordagem faz ainda mais sentido em um momento em que a inovação tecnológica continua avançando, mas a volatilidade de curto prazo permanece elevada.
Assim, o GENB11 oferece uma forma simples de acessar uma das principais tendências estruturais da economia global por meio da B3, combinando diversificação, exposição internacional e participação no crescimento de empresas que seguem moldando o futuro da tecnologia.