Investimentos

Fed tende a acelerar alta dos juros nos EUA, enquanto BC dá sinais sobre o fim de ciclo no Brasil, diz Felipe Miranda

Além da guerra, políticas monetárias precisam ser monitoradas ao pensar na alocação de investimentos, destaca CIO e estrategista-chefe da Empiricus. No cenário de juros elevados, Itaú (ITUB4) entra na carteira Oportunidades de Uma Vida

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Data de publicação
23 de março de 2022
Categoria
Investimentos

Além dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia, as políticas monetárias são os grandes eventos que precisam ser monitorados nesse momento.  

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed (banco central americano) tende a intensificar o aperto monetário, segundo Felipe Miranda, CIO e estrategista-chefe da Empiricus. 

“Jerome Powell, presidente do Fed, vem caminhando na direção de James Bullard (representante do Fed de St. Louis), que é um grande falcão e tem cobrado a aceleração do ritmo de altas dos juros”, comentou o analista nesta quarta-feira (23/03), em seu grupo Ideias Antifrágeis no Telegram, um dos canais de comunicação com os assinantes da casa. 

Inclusive, a aposta majoritária dos agentes de mercado é de um incremento de 0,50 ponto percentual na taxa de juros na próxima reunião. 

Há exatamente uma semana, o Fed anunciou a primeira elevação nos Juros nos Estados Unidos desde 2018 – um aumento de 0,25 ponto, para a faixa entre 0,25% e 0,50%. 

“Está bem claro que vamos para um ambiente de juros mais altos no mundo”, ressaltou Felipe. 

Sendo assim, ele explica que o cenário seguirá desafiador para os cases de tecnologia mais agressivos ou de empresas em fase de desenvolvimento (growth). Como essas companhias buscam um crescimento de receitas e lucros em um horizonte maior, quando os juros aumentam – ao se trazer o fluxo de caixa a valor presente, o efeito é negativo, há uma queda dos seus valores de mercado. 

Por isso, está acontecendo, cada vez mais, uma migração das carteiras em direção a bancos e ao value investing, em empresas de qualidade que estão negociando abaixo de seus valores intrínsecos, mas com potencial de valorização no médio e longo prazo. 

Segundo o analista, essa estratégia foi adotada na carteira de ações que ele lidera, a Oportunidades de Uma Vida, desde o segundo semestre do ano passado. “Na média, as coisas parecem ter assumido uma dinâmica mais favorável em termos das nossas posições”, comenta.

Ele anunciou que, dentro desse movimento, hoje as ações do Itaú (ITUB4) entraram no portfólio.

O momento é de captura de assimetrias na Bolsa brasileira, conforme Felipe. Ele diz que recente relatório de estratégia do BTG corrobora com essa tese. O indicador Preço/Lucro do mercado de ações é baixo e o prêmio de risco (que é o Lucro sobre Preço – ou inverso do P/L- menos o retorno da NTN-B) está muito alto. Portanto, há barganhas. “De fato, a bolsa está muito atrativa em termos de preço.”

Linha de chegada do Copom?

Por aqui, o Banco Central, através do Copom (Comitê de Política Monetária), reforçou a intenção de parar o ajuste em 12,75%, promovendo mais um aumento de 1 ponto na Selic. 

No mercado, contudo, há instituições financeiras que acreditam que pode haver um ajuste adicional de 0,5 ponto percentual, com a taxa básica de juros chegando a 13,25% ao ano.

“Não importa se será 12,75% ou um pouco mais, o que importa é que a gente está vendo a linha de chegada”, diz Felipe.

Em uma analogia com a linha de chegada de uma maratona, ele diz que a sinalização de fim de ciclo de aperto monetário poderá ser capaz de injetar ânimo nos investidores. “Quando o BC mostra que vai parar de subir o juro, a curva tende a se acalmar e começa até a cair. Isso pode fazer preço de ativos de risco. Já quando não se sabe onde vai parar, é muito pior, pois a incerteza incomoda muito”, explica.