Investimentos

Grama verde: Cambuci (CAMB3), dona da Penalty, registra excelentes resultados no 1T22 e prevê avanço de 40% nas vendas neste ano

A companhia esportiva vem apostando na diminuição do seu endividamento e antecipação ao cenário macro para manter bons resultados; diversificação de produtos e Copa do Catar podem garantir bons volumes de vendas

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Data de publicação
6 de maio de 2022
Categoria
Investimentos
Imagem de uma bola de futebol da marca Penalty no gramado verde de um campo de jogos

A Cambuci (CAMB3) registrou números positivos no primeiro trimestre de 2022. Conforme o seu último balanço, a detentora das marcas Penalty e Stadium alcançou lucro líquido de R$ 7,5 milhões no 1T22, um crescimento de 650% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida foi de R$ 79,8 milhões, uma alta de 90%. 

Seguindo tendência de recuperação desde o início de 2021, a Cambuci projeta o crescimento de vendas de 40% até o final deste ano. “Nossa convicção é reforçada pela atenção contínua à tríade crescimento de vendas, ganhos de margem e liquidez”, destacou a administração da companhia no balanço.

O desempenho e a estratégia de atuação da Cambuci foram abordados no último podcast da série Microcap Alert da Empiricus. 

Diminuição da alavancagem financeira

Para Reydson Matos, analista da carteira Microcap Alert, série da qual a CAMB3 faz parte, os números demonstram uma gestão eficiente, uma vez que a empresa brasileira não está tão alavancada financeiramente, isto é, não possui um nível de endividamento alto. “No final de 2021, a CAMB3 apresentava nível de alavancagem de 2,1 vezes, mas agora, esse mesmo indicador diminuiu para 1,6”, comentou o analista no podcast.

A avaliação de Matos vai de encontro à conclusão de emissão de debêntures – títulos representativos de dívida privada – da companhia em março deste ano no valor de R$ 50 milhões. Esse mesmo recurso foi usado para alongar o perfil da dívida da Cambuci, o que, por sua vez, garantiu a diminuição do custo de captação de capital com terceiros. Não à toa, a agência de classificação risco Moody ‘s manteve o rating da Cambuci no BBB+.br, que representa status de boa pagadora.

O analista comenta ainda que a margem Ebitda deste primeiro trimestre foi de 21,4%, contra 10,2% no 1T21, o que corrobora a capacidade de geração de caixa da companhia. “A lógica dessa estratégia é prática: menos dívida, menos impacto dos juros sobre os resultados financeiros da companhia e, assim, maior será o caixa”, pontua Matos. 

Antecipação ao cenário macro

Ainda que concentre boa parcela de seu mercado consumidor no Brasil, que representou 76% do seu faturamento no 1T22, a dona da marca Penalty e Stadium também segue exposta aos efeitos do cenário global. 

“A cadeia de suprimentos internacional ainda sofre com o lento abastecimento, eventuais paralisações da atividade industrial, principalmente na China, e uma inflação persistente a nível global”, informou a companhia em seu relatório de resultado. .

No entanto, atenta aos movimentos do mercado, a Cambuci já vinha ajustando os preços dos itens em antecipação a eventuais aumentos de custos, além de promover um maior controle de despesas.

Diversificação de produtos e Copa do Mundo na mira para o crescimento

A empresa vem aproveitando o sucesso de esportes como skate e corrida para incrementar seu portfólio de produtos, conforme apurou a Empiricus. Para o segundo semestre de 2022, a companhia prevê o lançamento de calçados e de roupas para skatistas, inspirados no sucesso da marca californiana Vans, entretanto, com preços mais atrativos.

Fora isso, em 2023, a maior fabricante de produtos esportivos do Brasil prevê a inclusão de artigos esportivos voltados para a prática corrida em sua linha de produção. “Isso indica o aproveitamento da Cambuci de um mercado ainda pulverizado, como é o de artigos esportivos”, destacou à época Cristiane Fensterseifer, analista-chefe da carteira Microcap Alert.

Para este ano, os analistas entram em consenso quanto às margens de crescimento da companhia esportiva que pode chegar a 40%. Cifra que também se deve ao “boom” de vendas de artigos esportivos regularmente esperada em períodos de Copa do Mundo. O maior evento esportivo em escala mundial será no Catar, entre novembro e dezembro deste ano.