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Os mercados começam esta quarta-feira um pouco mais tranquilos depois de alguns dias de vendas. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançam levemente, enquanto os Treasuries também encontram algum alívio, com o rendimento do título de dez anos próximo de 4,99%.
Mas essa calma provavelmente tem prazo curto. Hoje teremos decisões de juros dos dois lados: Fed à tarde e Copom à noite.
E o contraste é interessante. Enquanto o mercado espera uma alta de juros nos Estados Unidos, no Brasil a expectativa é de corte da Selic. Ou seja, os dois bancos centrais caminham em direções opostas justamente em um momento em que petróleo e inflação voltaram a incomodar.
00:35 — A alta do Fed já está praticamente contratada
O mercado chega à decisão americana com pouca dúvida sobre o movimento de hoje. Contratos de swap indicavam nesta manhã cerca de 94% de probabilidade de uma alta de 25 pontos-base, levando o limite superior da taxa para 4%.
Se confirmado, será o primeiro aumento de juros do Fed desde 2023. Mais importante do que a decisão em si, portanto, será entender o que Kevin Warsh e os demais membros do Comitê sinalizam para os próximos meses.
O problema é que o contexto ficou mais difícil. A inflação segue acima da meta, o mercado de trabalho continua relativamente forte e o choque recente de energia adicionou uma nova fonte de pressão sobre os preços.
A Bloomberg mostra que o mercado já trabalha com outro movimento de alta até dezembro. Então, hoje, a grande discussão não é tanto “se” o Fed sobe, mas até onde esse novo ciclo de aperto pode ir.
01:40 — Petróleo e Treasuries deixam pouco espaço para um Fed brando
O petróleo recua um pouco nesta manhã, mas continua em níveis extremamente elevados, com o Brent rondando US$ 108 por barril depois de uma alta superior a 40% nos últimos dois dias, segundo a Bloomberg.
Ao mesmo tempo, o Treasury de dez anos segue encostado em 5%, depois de tocar 5,04% nesta semana, maior nível em anos. O movimento reflete uma combinação difícil para o mercado: choque de energia, inflação resistente e preocupação com o tamanho da dívida americana.
Por isso, mesmo uma alta de 25 pontos-base acompanhada de uma comunicação muito branda poderia gerar volatilidade. A referência agora será o novo dot plot, especialmente para entender quantos membros do Fed enxergam novas altas pela frente.
02:40 — No Brasil, Copom deve seguir na direção oposta
Por aqui, a expectativa é que o Copom reduza a Selic em 25 pontos-base, de 14% para 13,75%, naquela que será a última reunião antes das eleições.
A decisão parece relativamente bem encaminhada, mas o desafio também estará na comunicação. As expectativas de inflação continuam desancoradas e o ambiente externo ficou mais complicado, com Fed subindo juros, petróleo elevado e Treasuries perto de 5%.
Isso limita o espaço para o Banco Central acelerar demais o ciclo de cortes.
O Ibovespa vem de alta de 0,5%, para aproximadamente 186,5 mil pontos, enquanto o real opera perto de R$ 5,15 por dólar. Para os ativos brasileiros, portanto, a combinação entre o comunicado do Copom e o tom adotado pelo Fed algumas horas antes pode ser mais importante do que os 25 pontos-base esperados em si.
03:40 — Antes dos BCs, atividade ajuda a calibrar o cenário
A agenda ainda traz alguns dados importantes antes das decisões.
No Brasil, o indicador de atividade de julho deve mostrar recuo de 0,2% na comparação mensal, depois de queda de 0,64% anteriormente. Na comparação anual, o consenso aponta crescimento de 1,1%, ante 2,35% no mês anterior.
Nos Estados Unidos, teremos vendas no varejo de agosto, com expectativa de alta de 0,8%, depois de queda de 0,6% no mês anterior.
Esses números ajudam a completar a fotografia que os bancos centrais precisam interpretar. Atividade ainda resistente nos Estados Unidos reforçaria a justificativa para novos aumentos, enquanto sinais mais claros de desaceleração no Brasil poderiam aumentar a confiança no início do ciclo de cortes.
Mas, no fim das contas, hoje será um dia muito mais sobre comunicação do que sobre surpresa. Fed e Copom devem entregar movimentos amplamente esperados. O que realmente pode mexer com juros, dólar e Bolsa é o que cada um indicar sobre o próximo passo.
KDIF11: desconto fora do padrão
O KDIF11 é um daqueles fundos que raramente costuma aparecer barato. Historicamente, a estratégia passou boa parte do tempo negociando próxima ou acima da cota patrimonial. Hoje, porém, está com deságio próximo de 3%. Para um fundo que continua com a tese preservada, essa mudança de preço chama atenção.
Parte da qualidade da estratégia vem da forma como a Kinea monta a carteira. O fundo prioriza operações de originação própria, com garantias mais robustas e menor correlação entre os ativos, além de focar projetos com contratos longos, reajuste por inflação e receitas mais previsíveis.
Com uma carteira que segue saudável, renda recorrente e isenta de IR e, agora, um preço abaixo do seu padrão histórico, vemos o nível atual como uma oportunidade interessante para montar ou reforçar posição no KDIF11.