(Imagem: TheDigitalArtist/Pixabay)
O Bitcoin continua sensível ao cenário macroeconômico, mas tem absorvido bem a pressão. A inflação norte-americana acelerou no mês e o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril. Houve correção, mas, até o momento, dentro do esperado. Em nossa leitura, a região em torno dos US$ 76 mil vem se formando como uma nova zona de demanda, o que se traduz em nosso suporte mais próximo.
Nesta edição, vamos nos aprofundar no que freou os ativos de risco ao longo da semana, e comparar a trajetória do Bitcoin com a do ouro e das bolsas americanas para entender se cripto ainda apresenta força relativa diante das demais classes de ativos.
E, a partir disso, vamos avaliar se o setor continua oferecendo uma relação risco-retorno atrativa para investimento, e qual a nossa perspectiva para os próximos meses.
Inflação acelera e mantém os juros no radar
O principal freio para os ativos de risco nesta semana não veio de dentro do mercado cripto. A pressão foi predominantemente macroeconômica, com a inflação americana voltando ao centro das atenções em um momento em que a alta do petróleo já vinha aumentando a preocupação com a trajetória dos preços e, consequentemente, dos juros.
Os dados divulgados ao longo dos últimos dias reforçaram essa leitura. A inflação segue acelerando, enquanto a alta do petróleo adiciona pressão sobre os custos de energia e dificulta uma desaceleração mais consistente dos preços.
Esse ambiente reforça a ideia de juros mais altos. Para os ativos de risco, juros elevados por mais tempo aumentam o custo de oportunidade de carregar posições mais voláteis, e tornam a renda fixa relativamente mais atrativa.
A pressão observada sobre cripto nesta semana, portanto, parece estar mais relacionada a essa deterioração do ambiente macro do que a uma piora específica dos fundamentos do setor.
É justamente por isso que o comportamento relativo do Bitcoin merece atenção. Mesmo após a correção recente, o ativo continua acima do patamar anterior ao salto de agosto e dentro da faixa de consolidação que acompanhamos. A região dos US$ 76 mil segue como a primeira referência de demanda, enquanto a faixa entre US$ 83 mil e US$ 86 mil permanece como a principal barreira para uma nova etapa de alta.
Nessa região se concentram o preço médio de aquisição dos ETFs, uma parcela relevante da oferta adquirida por holders de longo prazo e um volume expressivo de posições vendidas, combinação que reforça esse intervalo como uma importante zona de disputa entre compradores e vendedores.
Bitcoin segue apresentando força relativa
Desde o último impulso de alta, movido em grande parte por uma dinâmica mecânica de mercado, com destaque para o short squeeze, o Bitcoin continua apresentando força relativa positiva frente a outros ativos de risco e ao ouro.
Para avaliar essa comparação de forma mais justa, colocamos Bitcoin, ouro, S&P 500 e Nasdaq Composite na mesma escala, considerando o desempenho de cada ativo desde 21 de agosto normalizado pela sua própria volatilidade. Em outras palavras, ajustamos o retorno pelo tamanho habitual das oscilações de cada mercado, evitando comparar diretamente ativos com perfis de risco muito diferentes.

Nessa métrica, o Bitcoin segue à frente dos pares. Isso mostra que, mesmo depois do impulso inicial provocado pelas liquidações de posições vendidas, o ativo conseguiu preservar uma parcela relevante dos ganhos e continua exibindo força relativa positiva.
O momentum reforça essa leitura. A força e a persistência do movimento de preços seguem positivas nos quatro componentes do nosso modelo, embora o sinal tenha perdido intensidade nas últimas sessões. Ou seja, o impulso já não é tão forte quanto no início da recuperação, mas também ainda não aponta para uma reversão da tendência construída em agosto.
Esse comportamento ganha ainda mais importância quando olhamos para o posicionamento do mercado. Depois de um período prolongado de menor exposição, parte dos investidores ainda parece subalocada em cripto. Se o Bitcoin continuar demonstrando força relativa e momentum positivo frente às demais classes de ativos, essa defasagem pode se transformar em uma nova fonte de demanda, à medida que investidores passam a recompor exposição ao setor.
A liderança acumulada ainda deve ser interpretada com cautela, já que uma parcela relevante dela foi construída no forte movimento inicial. Ainda assim, a combinação entre força relativa positiva, momentum ainda construtivo e um mercado potencialmente subalocado mantém aberta a possibilidade de novos fluxos para cripto nos próximos meses.
Amarrando as pontas
Mantemos a expectativa de alta para o Bitcoin no médio prazo. Eventuais correções podem abrir boas oportunidades de aportes graduais, enquanto a tendência e as regiões de demanda continuarem sustentadas.
Para quem quer investir seguindo as mesmas teses e indicadores que utilizamos nesta edição, a Carteira Crypto Momentum é uma das principais formas de colocar essa leitura em prática. A estratégia é 100% automatizada e vem superando com consistência o Bitcoin e o NCI, nossos principais benchmarks.
