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Mercados internacionais começam a terça-feira em campo negativo, com humor ainda afetado pelas ameaças de desaceleração de investimentos em inteligência artificial e aproximação do petróleo da marca de US$ 110/barril, que pesam no sentimento desde ontem.
Enquanto aguarda ansiosamente a decisão sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos amanhã, a agenda do dia tem Vendas no Varejo brasileiro, sessão plenária no STF e índice de atividade Empire State nos EUA.
00:45 – Apenas um aperitivo
Ainda que as pesquisas eleitorais tenham influenciado um pouco, o pregão da segunda-feira foi marcado por grande aversão ao risco vindo de fora. Além do contexto geopolítico e do brent, que insistem em não dar trégua, o mercado recebeu mal a notícia de que o CEO da Anthropic propôs uma desaceleração na corrida pela IA.
O ETF de empresas de chips e semicondutores despencou cerca de 4%, arrastado pelo mau desempenho de Nvidia, Broadcom, entre outras. Grandes financiadores dos investimentos em IA, como o Goldman Sachs, também sentiram o baque.
Não custa lembrar que boa parte das perspectivas de crescimento de lucros dos principais índices de ações dos Estados Unidos está direta ou indiretamente relacionada à narrativa de investimentos em IA. Ou seja, se realmente tivermos uma reversão dessa tendência, o pregão de ontem terá sido apenas um aperitivo.
A parte boa de estar recheado de empresas da chamada “velha economia” é que o Ibovespa não precisa de narrativas mirabolantes e nem de expectativas muito exigentes para sustentar seu valuation. Por 10x lucros, até mesmo um cenário medíocre pode resultar em boa valorização.
01:57 – Vendas no Varejo confirmam desaceleração
Em dia esvaziado de indicadores econômicos, o grande destaque desta terça-feira foi a divulgação das Vendas no Varejo de julho nesta manhã.
O mês de julho marcou uma alta anual de 1,2%, bem abaixo das expectativas (2,2%) e com desaceleração frente a expansão de 2,9% mostrada em junho.
Os números apenas reforçam a trajetória de arrefecimento da atividade por conta dos juros elevados, maior endividamento e menor ímpeto de consumo das famílias – o que já havia sido adiantado no PIB.
Além disso, eles aumentam ainda mais as apostas em um corte da Selic amanhã.
03:20 – Abaixo de US$ 100
Enquanto todas as atenções no mercado de commodities se voltam (com razão) para o petróleo, vale a pena ressaltar o que tem acontecido com o minério de ferro. Após um longo período se sustentando acima dos US$ 100/tonelada, a commodity perdeu esse suporte no início de setembro e tem tido dificuldades de superar a marca de três dígitos novamente.
Um dos principais motivos para essa pressão é a preocupação com a demanda, após números recentes divulgados pela MySteel. A principal agência de inteligência de commodities metálicas da China divulgou um dado alarmante sobre a indústria do aço: no início do mês, menos de 8% das siderúrgicas locais estavam conseguindo ser lucrativas, ante aproximadamente 30% em agosto e 60% um ano antes, o que naturalmente levanta questionamentos sobre o consumo de minério de ferro nos próximos meses.
Para as mineradoras isso já seria ruim, mas outro problema surgiu desde o início do conflito no Oriente Médio. Por conta da alta do petróleo, o custo do frete para a China praticamente dobrou para diversas mineradoras brasileiras, deixando a disputa com as australianas bem mais difícil.
Nesse contexto, a única mineradora brasileira que teríamos em carteira neste momento é a Vale. Apesar das dificuldades setoriais, ela está relativamente protegida por estar entre as produtoras de menor custo do mundo, e ainda possui um dividend yield próximo a 8%.
05:01 – Quem ganha com a desaceleração da corrida pela IA?
Desde o início do ano, algumas ações de empresas de software se desvalorizaram bastante, em um movimento que ficou conhecido como SaaSpocalipse. O receio era de que todos os softwares seriam substituídos por soluções desenvolvidas por ferramentas de IA, o que é um exagero em nossa visão.
Softwares de gestão empresarial são críticos demais para serem substituídos tão facilmente, além de representarem um custo baixo relativamente ao faturamento das empresas.
A Totvs é líder de mercado no Brasil e mesmo com toda narrativa de avanço da IA segue entregando crescimento anual de ebitda superior a 20%, mostrando que os receios são, de fato, exagerados.
Vale notar que as ações subiram 4% ontem, com notícias sobre a possível desaceleração do avanço nos investimentos globais em IA. Mesmo assim, TOTS3 recua 15% em 2026 e ainda guarda bom potencial de valorização.