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Investimentos

Ibovespa hoje: Avaliação de Lula sobre impacto do novo tarifaço e disputa entre Apple (AAPL34) e Nvidia (NVDC34) no radar do mercado nesta terça (21)

A tensão permanece elevada no Estreito de Ormuz e ameaça de bloqueio contra a Arábia Saudita amplia riscos de alta do petróleo. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

21 jul 2026, 10:43

Atualizado em 21 jul 2026, 10:44

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Estados Unidos e Irã trocaram ataques pelo décimo dia consecutivo, embora mediadores regionais tenham apresentado uma proposta de cessar-fogo de dez dias, com o objetivo de reativar o acordo provisório firmado no mês passado. A tensão permanece elevada no Estreito de Ormuz, onde um novo ataque a um navio-tanque reforçou as preocupações com o abastecimento global. O tráfego marítimo caiu de forma acentuada, enquanto os houthis anunciaram um embargo contra a Arábia Saudita e ameaçaram fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o transporte de energia.

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Apesar dos riscos geopolíticos, os mercados operavam em alta na manhã desta terça-feira, sustentados pela expectativa de uma possível trégua e pela retomada das compras de ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. Os futuros de Nova York avançam, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas europeias também registravam ganhos moderados.

· 00:54 — Juros reais acima de 8% em um mercado que já precifica a eleição

No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda de 0,20%, aos 173.371 pontos, em uma sessão de baixa liquidez. O mercado oscilou entre sinais de alívio, diante da possibilidade de negociações entre Estados Unidos e Irã, e uma nova rodada de apreensão após declarações mais duras de Donald Trump, em um ambiente que também pressionou Wall Street. No campo doméstico, as atenções se voltam para o relatório de produção e vendas da Vale, a prévia do IGP-M, o leilão do Tesouro e as próximas falas de Gabriel Galípolo, que podem oferecer pistas sobre a trajetória da Selic em meio ao choque externo provocado pela guerra e após a divulgação de dados mais fracos de atividade na semana passada.

Ao mesmo tempo, o governo Lula começa a ouvir os setores afetados pelo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos, enquanto avalia os riscos econômicos e políticos de uma eventual retaliação. Com a proximidade das eleições, bancos e gestoras intensificam o acompanhamento das convenções partidárias e das pesquisas, que já devem começar a captar a percepção do eleitorado sobre o tema.

Para o mercado, esse ambiente se soma ao estresse da curva de juros: as NTN-Bs já oferecem taxas reais superiores a 8%, refletindo o aumento do prêmio de risco fiscal, a menor demanda dos compradores tradicionais e o desequilíbrio entre oferta e procura por títulos públicos. Para o investidor de longo prazo, esses retornos são historicamente atraentes, mas exigem horizonte adequado e tolerância à forte volatilidade no curto prazo. O calendário eleitoral tende a manter esse tema em evidência e a ampliar as oscilações ao longo dos próximos meses.

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· 01:45 — Muita atenção

Lá fora, os mercados iniciaram a semana sob pressão, com a escalada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã impulsionando os preços do petróleo e ampliando a cautela entre os investidores. O S&P 500 recuou 0,2% e acumulou a terceira sessão consecutiva de perdas, enquanto o Dow Jones caiu 0,6% e o Nasdaq avançou 0,1%. As atenções agora se voltam para a temporada de resultados, com Alphabet, Tesla e Intel entre os principais destaques desta semana, seguidas por Meta, Amazon e Microsoft na próxima.

Até o momento, os resultados têm apresentado desempenho positivo: cerca de 88% das empresas do S&P 500 que divulgaram seus números superaram as expectativas. Já a agenda econômica será mais esvaziada, com destaque para os pedidos de auxílio-desemprego, os índices preliminares de gerentes de compras de julho e os dados de vendas de casas novas. Paralelamente, o Federal Reserve entrou em seu período de silêncio antes da reunião de política monetária marcada para os dias 28 e 29 de julho, que ainda deve preservar o patamar de juros no mesmo nível.

Ao mesmo tempo, Donald Trump intensificou a guerra comercial ao anunciar tarifas adicionais de 50% sobre uma ampla variedade de produtos canadenses, incluindo automóveis, bebidas alcoólicas, laticínios, móveis e outros bens, sem preservar integralmente os itens abrangidos pelo acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. A medida, prevista para entrar em vigor em 30 dias, foi apresentada como uma resposta a práticas consideradas discriminatórias pelo governo americano, mas pode elevar rapidamente os preços ao consumidor e ampliar a incerteza para empresas e investidores.

Apesar disso, a reação inicial dos mercados foi moderada, indicando que os agentes ainda tratam parte dessas ameaças com cautela. Mesmo assim, o aumento da imprevisibilidade regulatória pode aprofundar a desaceleração dos investimentos nos Estados Unidos e ampliar os custos da estratégia tarifária.

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· 02:31 — Um novo receio de estresse

Algumas instituições já avaliam que o Brent pode superar US$ 120 por barril até o quarto trimestre, caso persistam as interrupções no Estreito de Ormuz. Ainda assim, o cenário-base continua projetando preços de US$ 80 no fim deste ano e de US$ 75 no próximo, sob a hipótese de uma desescalada das tensões no Oriente Médio.

Os riscos, porém, permanecem claramente inclinados para cima: os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico caíram para menos de 45% dos níveis anteriores à guerra, o tráfego por Ormuz segue praticamente paralisado e a commodity permanece próxima de US$ 90 por barril. A ameaça de um bloqueio houthi à Arábia Saudita e às rotas do Mar Vermelho amplia o risco sobre outro corredor estratégico, justamente quando Riad passou a redirecionar volumes recordes para o porto de Yanbu, aumentando a possibilidade de novas interrupções no comércio global de energia.

Ao mesmo tempo, a escalada militar convive com tentativas ainda frágeis de negociação. Mediadores apresentaram ao Irã uma proposta de cessar-fogo de dez dias, com o objetivo de reativar o acordo provisório anterior, mas Estados Unidos e Irã continuam trocando ataques. Donald Trump promete retaliações pelas mortes de soldados americanos, enquanto o Centcom mantém novas ofensivas contra posições iranianas.

Os houthis, por sua vez, abriram uma frente adicional ao ameaçar embarcações sauditas, ao passo que Teerã reforçou a defesa de instalações estratégicas. Assim, embora a diplomacia ainda ofereça alguma possibilidade de alívio, o conflito permanece sem um horizonte claro de solução, mantendo elevados os riscos para o petróleo, a inflação, o transporte marítimo e os mercados globais.

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· 03:22 — Uma nova liderança britânica

Andy Burnham tornou-se o sétimo primeiro-ministro do Reino Unido em uma década, assumindo o cargo com a promessa de restaurar a estabilidade política, apresentar um plano de longo prazo para os próximos dez anos, ampliar a construção de moradias públicas e reforçar os investimentos em defesa.

Sua chegada ocorre após uma sucessão de governos curtos, marcada pelo Brexit, pela estagnação econômica e por crises políticas que derrubaram líderes como Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer. Burnham busca se diferenciar pela capacidade de comunicação e por um perfil mais próximo do eleitorado, mas já enfrenta resistência interna após nomear para o gabinete figuras que participaram da queda de Starmer.

No campo econômico, seu principal desafio será conciliar uma agenda de crescimento, descentralização e maior presença estatal em serviços essenciais com a necessidade de preservar a confiança dos mercados. A nomeação de John Healey para o Tesouro parece ter sido pensada justamente para transmitir prudência fiscal, sobretudo diante da elevação dos rendimentos dos títulos britânicos de dez anos para níveis superiores a 5%. A experiência de Liz Truss permanece como um alerta relevante: qualquer expansão de gastos sem uma fonte clara de financiamento pode provocar uma reação severa dos investidores, elevar ainda mais o custo da dívida e reduzir o espaço disponível para a execução de políticas públicas.

Burnham assume, portanto, diante de um equilíbrio delicado. O novo governo precisa financiar defesa, moradia e crescimento regional, responder à estagnação do período pós-Brexit e, ao mesmo tempo, evitar que a percepção de maior risco fiscal aprofunde o desconto atribuído aos ativos britânicos. Sua estratégia inicial combina sinalizações favoráveis ao setor empresarial com propostas de nacionalismo econômico e maior descentralização, embora ainda faltem detalhes sobre como essas prioridades serão financiadas. Seu sucesso dependerá da sua capacidade de unir um Partido Trabalhista dividido e de convencer eleitores e mercados de que será possível romper a sequência de instabilidade sem repetir os erros fiscais de seus antecessores.

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· 04:16 — IA chinesa

As ações chinesas ligadas à inteligência artificial foram um dos poucos destaques positivos em um mercado avaliado em US$ 13,5 trilhões. No primeiro semestre, os segmentos de telecomunicações e tecnologia do CSI 300 avançaram mais de 60%, em contraste com o desempenho negativo dos demais setores. Esse movimento reflete a importância crescente da eletrônica e da tecnologia da informação para a economia chinesa: juntas, essas atividades responderam por cerca de um terço do crescimento de 4,3% registrado no último trimestre, ajudando a compensar a fraqueza dos investimentos e do consumo doméstico. A correção recente, contudo, expôs o risco de excessos especulativos.

Depois de o índice tech recuar 25% em relação à máxima de junho, Pequim mobilizou reguladores, investidores e instituições financeiras para sustentar o mercado, com atenção especial ao Star 50, índice mais concentrado em empresas de inteligência artificial. O apoio contribuiu para uma recuperação expressiva, mas também criou um dilema: ao proteger um setor estratégico na disputa com os Estados Unidos, o governo corre o risco de alimentar a própria bolha que vinha tentando conter.

Seja como for, o avanço da inteligência artificial confirma que a tecnologia se tornou um dos principais vetores de crescimento e competitividade da economia chinesa, mas também evidencia os riscos de concentração, valuation e intervenção estatal. O setor segue relevante pelo potencial estrutural e pelo papel estratégico na disputa com os Estados Unidos, embora exija maior seletividade, disciplina de preço e tolerância à volatilidade, sobretudo em um ambiente no qual Pequim pode sustentar as cotações no curto prazo, mas também distorcer os preços.

· 05:08 — Apple ganha espaço com uma estratégia de IA mais eficiente em capital

Por um breve período, entre a sexta-feira da semana passada e a segunda-feira desta semana, a Apple voltou a superar a Nvidia em valor de mercado, beneficiada pela rotação em direção a empresas percebidas como menos expostas ao ciclo intensivo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. No início da semana, porém, esse movimento começou a se reverter de forma moderada, com a Nvidia retomando timidamente a liderança.

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Enquanto a fabricante de chips e o setor de semicondutores passaram a sofrer com dúvidas crescentes sobre o retorno dos elevados investimentos em IA, intensificadas pelo avanço de modelos chineses como o Kimi K3, a Apple ganhou espaço por adotar uma abordagem menos intensiva em capital, apoiada no ecossistema do Apple Intelligence e em sua ampla base instalada. O episódio reforçou a percepção de que, em um ambiente de maior seletividade, empresas capazes de incorporar inteligência artificial aos seus produtos sem depender de investimentos desproporcionais podem oferecer uma relação mais equilibrada entre crescimento, risco e geração de caixa.

Ao mesmo tempo, a companhia anunciou a ampliação de sua parceria com a Broadcom, avaliada em mais de US$ 30 bilhões ao longo dos próximos cinco anos, para a produção de chips personalizados nos Estados Unidos. O acordo prevê a fabricação doméstica de mais de 15 bilhões de chips, a modernização das instalações da Broadcom no Colorado e contratos de fornecimento de componentes específicos até 2031. A iniciativa faz parte do compromisso da Apple de investir US$ 600 bilhões no país ao longo de quatro anos.

Para as ações AAPL, negociadas na Nasdaq, e para os BDRs AAPL34, a leitura permanece construtiva: a combinação entre escala global, disciplina na alocação de capital, maior controle sobre sua cadeia tecnológica e menor exposição ao excesso de investimentos em infraestrutura pode sustentar a resiliência da companhia. Ainda assim, o desempenho de curto prazo continuará sujeito à volatilidade do setor, às oscilações cambiais e às expectativas elevadas já incorporadas ao valuation.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.