1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Ibovespa hoje: Brasil vai ficar ‘para trás’ enquanto mercados globais respiram com acordo entre EUA e Irã? Veja destaques

O alívio do acordo entre Estados Unidos e Irã não chegou aos ativos brasileiros. Entenda cenário e principais manchetes do dia.

Por Matheus Spiess

16 jun 2026, 10:01

Atualizado em 16 jun 2026, 10:01

ibovespa mercado bolsa ações alta

Imagem: iStock/ @Bet_Noire

O alívio geopolítico proporcionado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã favoreceu os ativos globais e pressionou os preços do petróleo, mas esse movimento não se refletiu integralmente no mercado brasileiro. A bolsa permaneceu sob pressão e o fluxo de capital estrangeiro segue negativo, em meio à deterioração dos fundamentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na Ásia, o desempenho foi misto: o mercado japonês avançou após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível em mais de três décadas, consolidando a transição para uma política monetária menos expansionista. China e Hong Kong, por outro lado, recuaram depois que os dados de maio evidenciaram fraqueza no consumo, no investimento e no setor imobiliário.

Na Europa, as bolsas mantiveram o tom positivo, apoiadas pela queda do petróleo, pela expectativa de formalização do acordo e por indicadores econômicos mais favoráveis na Alemanha.

· 00:57 — Não estamos no melhor dos ambientes, apesar da melhora externa

Ontem, o Ibovespa recuou 0,42%, aos 170.415 pontos, pressionado pela Petrobras e por outras empresas do setor de petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã provocar uma forte queda da commodity. Com isso, o índice destoou das bolsas de Nova York, que avançaram em meio à redução dos riscos inflacionários globais, enquanto o dólar encerrou o pregão próximo da estabilidade, cotado a R$ 5,06.

Como a pressão esteve concentrada em um setor com peso relevante na composição do índice, o desempenho das ações foi bastante heterogêneo. Apesar do alívio externo, o mercado local continua pressionado pela saída de capital estrangeiro e pela abertura da curva de juros, movimento que levou o múltiplo do Ibovespa ao menor nível desde agosto de 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O acordo reforçou a expectativa de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, mas não altera a percepção de que o ciclo deverá ser interrompido diante da desancoragem das expectativas. A pesquisa Focus mostrou nova deterioração do cenário, com elevação das projeções para inflação e juros e revisão para baixo do crescimento de 2027: a estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,75%, enquanto a projeção para o IPCA de 2027 avançou para 4,10%, bem acima da meta de 3%.

Há, contudo, uma aparente inconsistência nesse movimento. Se o mercado já espera que a Selic recue menos, por que as expectativas de inflação e de câmbio continuam piorando? Essa combinação parece incorporar, ainda que implicitamente, o risco de perda de credibilidade da autoridade monetária. Isso é grave. Por isso, a atenção deve se concentrar na comunicação do Copom, que tende a adotar um tom mais cauteloso para tentar reancorar as expectativas e reconhecer que o espaço para novos cortes se tornou bastante estreito.

· 01:48 — Trump prioriza legado e controle do partido antes das eleições de 2026

Donald Trump demonstra uma preocupação menor do que o esperado com as eleições de meio de mandato de 2026, apesar de ainda estar naturalmente atento a elas, em parte porque governa sobretudo por meio de ações executivas e já conseguiu aprovar no Congresso suas principais prioridades legislativas, entre elas a “Big Beautiful Bill” e um novo pacote de US$ 70 bilhões destinado à política migratória.

No fim do dia, o presidente americano parece priorizar a consolidação de seu domínio sobre o Partido Republicano e a construção de seu legado, mesmo quando o apoio a candidatos mais arriscados pode reduzir as chances eleitorais da própria legenda.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora Trump continue exercendo influência decisiva sobre as campanhas republicanas, graças à força que mantém entre os eleitores do partido, uma eventual perda do controle do Congresso parece ter menos peso em sua estratégia do que teria para um presidente convencional.

Ao mesmo tempo, senadores republicanos que deixarão seus cargos, como Bill Cassidy, John Cornyn e Thom Tillis, podem adotar posições mais independentes, já que não precisam mais preservar capital político para disputar um novo mandato, abrindo espaço para eventuais rupturas dentro do partido.

· 02:35 — BoJ eleva juros, mas sinaliza cautela nos próximos passos

O mercado japonês atingiu novas máximas após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível desde 1995. A decisão, aprovada por sete votos a um, refletiu a persistência da inflação, a fraqueza do iene e o impacto dos custos de energia sobre os preços domésticos. Embora o acordo entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido parte da pressão sobre o petróleo, a energia ainda permanece cara para os padrões japoneses, enquanto a desvalorização cambial encarece as importações.

Como comentei ontem, o legado da crise já está aqui conosco. O BoJ indicou que continuará retirando gradualmente os estímulos, mas a mudança no comunicado sugere que a política monetária já se encontra mais próxima de uma condição neutra, reduzindo o espaço para elevações muito mais agressivas dos juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O banco central também confirmou a redução gradual das compras de títulos públicos até abril de 2027, processo conhecido como aperto quantitativo, mas ressaltou que poderá ampliar novamente essas aquisições caso os juros de longo prazo subam de forma desordenada. A comunicação preservou a possibilidade de novas altas, ainda que sem transmitir urgência, e reforçou que o câmbio continuará sendo acompanhado de perto por seu impacto sobre a inflação.

A decisão contribuiu para que o Nikkei alcançasse um novo recorde, enquanto as bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan avançaram, impulsionadas pelo setor de semicondutores. Na China e em Hong Kong, por outro lado, o desempenho foi mais fraco, diante da desaceleração do consumo, da persistência das incertezas econômicas e da queda das ações de tecnologia.

· 03:26 — Aguardando as próximas etapas

Como conversamos ontem, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã deve ser formalizado na sexta-feira, em Genebra, estabelecendo uma trégua inicial de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento procura resolver, em grande medida, problemas que surgiram após Donald Trump abandonar o acordo nuclear de 2015, entre eles o avanço do estoque iraniano de urânio enriquecido e o fechamento de Ormuz durante a guerra.

Ao mesmo tempo, o novo memorando parece exigir concessões mais amplas em troca de um acordo nuclear potencialmente mais limitado, reforçando a percepção de que o Irã descobriu sua capacidade de pressionar a economia global por meio do controle de uma rota essencial para o comércio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A confirmação do acordo reduziu os prêmios de risco e levou o Brent a US$ 80 por barril. O mercado passou a tratar a reabertura de Ormuz como cenário-base, embora a normalização deva ocorrer de forma gradual, condicionada às operações de desminagem da região, à segurança operacional da rota e à recuperação da confiança dos armadores. Também persistem dúvidas sobre sanções, possíveis taxas de navegação, ativos iranianos e os termos da agenda nuclear.

Assim, embora se projete no mercado uma acomodação adicional dos preços do petróleo, muitos consideram improvável um retorno rápido a patamares inferiores a US$ 70. A sustentação do otimismo dependerá, portanto, da capacidade de Washington e Teerã de avançar nas negociações e impedir que tensões paralelas comprometam a trégua.

· 04:12 — O que está rolando no G7?

A cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains sob a liderança de Emmanuel Macron, reúne uma agenda marcada por tensões diplomáticas, segurança internacional e comércio. O presidente francês busca reduzir divergências entre os membros, embora persistam atritos com os Estados Unidos em temas como mudanças climáticas, OTAN e Groenlândia. A guerra na Ucrânia divide as atenções com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump demonstrou otimismo após conversas com Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskyy, enquanto líderes europeus devem pressioná-lo a manter o apoio a Kiev. No Oriente Médio, os europeus adotam maior cautela quanto ao cronograma de normalização de Ormuz e defendem operações de vigilância, segurança marítima e desminagem.

O encontro também evidenciou divergências econômicas entre os aliados. A proposta americana de criar um bloco de minerais críticos, baseado em preços mínimos, subsídios e compras garantidas para reduzir a dependência da China, enfrenta resistência por dúvidas sobre custos, governança e critérios de precificação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

À margem da cúpula, Lula e Macron discutiram cooperação em defesa, projetos entre o Amapá e a Guiana Francesa, tecnologia e apoio francês à aquisição de supercomputadores. As novas barreiras comerciais dos Estados Unidos também entraram na pauta, pois, segundo a CNI, podem elevar para 37,5% as tarifas sobre mais de 30% das exportações brasileiras ao mercado americano, afetando setores como ferro gusa, açúcar, etanol e derivados de madeira.

· 05:04 — Majorana 2: o salto quântico da Microsoft rumo a 2029

Na Microsoft Build, a Microsoft apresentou o Majorana 2 e antecipou para 2029 sua meta de desenvolver um computador quântico escalável, reduzindo pela metade o prazo anteriormente considerado internamente. O novo chip representa uma evolução do Majorana 1, lançado em 2025, e segue baseado em qubits topológicos, uma arquitetura desenhada para proteger melhor a informação quântica contra interferências.

A principal mudança está na substituição do alumínio por chumbo, material que melhora o isolamento externo e amplia de forma expressiva a estabilidade dos qubits: enquanto no Majorana 1 a vida útil variava entre 1 e 12 milissegundos, no Majorana 2 a média supera 20 segundos, com casos acima de um minuto. Esse avanço reduz a necessidade de correção de erros, melhora a precisão dos cálculos e pode diminuir os custos computacionais associados ao desenvolvimento de sistemas quânticos comercialmente viáveis.

Um ponto relevante é que parte do avanço foi acelerada pelo uso de inteligência artificial na simulação de materiais, encurtando processos de pesquisa que tradicionalmente levariam semanas ou meses. Para além do ganho tecnológico da própria Microsoft, o Majorana 2 reforça o potencial da computação quântica em áreas como desenvolvimento de medicamentos, novos materiais, logística e aplicações financeiras, especialmente se combinado à inteligência artificial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, embora a tese da companhia siga ancorada em Azure, produtividade com Copilot e monetização de IA, o Majorana 2 acrescenta uma nova vertical de inovação de longo prazo, com potencial para ampliar o posicionamento estratégico da Microsoft na próxima década.