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Investimentos

Ibovespa hoje: Selic em 14% ao ano e promessa de acordo no Estreito de Ormuz; veja destaques desta quinta (6)

Reunião do Copom reduz a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

06 ago 2026, 10:33

Atualizado em 06 ago 2026, 10:33

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Os mercados globais operam em direções distintas, com realização nas ações asiáticas de tecnologia após os fortes ganhos registrados na sessão anterior, enquanto as bolsas europeias avançam apoiadas pela temporada de resultados. Nos Estados Unidos, os contratos futuros também apresentam desempenho misto, com altas moderadas do Dow Jones e do S&P 500 e recuo do Nasdaq.

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O petróleo registra leve valorização, com o Brent próximo de US$ 80 por barril, em meio à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia. Paralelamente, Irã e Omã afirmam estar próximos de concluir um acordo para ampliar a navegação pelo Estreito de Ormuz, embora ainda não exista um entendimento formal com os EUA e questões relevantes, como o programa nuclear iraniano e o controle da rota marítima, permaneçam sem solução.

· 00:57 — O corte veio

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, na região dos 177,7 mil pontos, após um pregão volátil em que chegou a tocar os 180 mil pontos, mas perdeu força nas horas finais, acompanhando a desaceleração das bolsas de Nova York e o recuo das ações de Petrobras e Bradesco. O dólar também apresentou pouca variação, cotado a R$ 5,13.

Após o fechamento do mercado, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo dessa magnitude. O comunicado reconheceu a moderação da atividade econômica e da inflação, mas manteve um tom cauteloso diante do mercado de trabalho ainda aquecido, da desancoragem das expectativas, das incertezas fiscais e do ambiente externo. A comunicação preservou a flexibilidade para as próximas decisões, embora continue compatível com mais uma redução de 25 pontos-base em setembro, o que levaria a taxa a 13,75% ao final de 2026.

· 01:45 — Renovando máximas

Nos Estados Unidos, o Dow Jones avançou 0,5%, com alta de 263 pontos, e registrou sua terceira máxima consecutiva de fechamento e a 24ª do ano. O índice acumula valorização de 5,3% em cinco pregões, seu melhor desempenho nesse intervalo desde abril de 2025. Em contraste, o S&P 500 recuou 0,2%, enquanto o Nasdaq caiu 0,8%, pressionados pela fraqueza de algumas das chamadas “Magnificent Seven”, especialmente Alphabet, Microsoft, Amazon e Tesla.

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Apesar da volatilidade ainda elevada entre as grandes empresas de tecnologia e da saída de um importante executivo da área de inteligência artificial da Alphabet, a redução das vendas forçadas relacionadas ao fundo Situational Awareness, os sinais de estabilização entre os investidores de varejo e a continuidade de resultados corporativos acima das expectativas contribuíram para um ambiente mais saudável do que na última semana.

Na economia, o ISM de serviços permaneceu praticamente estável em julho, aos 54,1 pontos, ligeiramente abaixo do consenso, mas apresentou uma composição mais robusta. O componente de novos pedidos avançou para 57,5 pontos, enquanto o índice de preços pagos subiu para 70,3. Em sentido contrário, o componente de emprego recuou para 47,4 pontos.

No Federal Reserve, Lisa Cook avaliou que os riscos continuam mais concentrados na inflação e admitiu apoiar uma elevação dos juros caso o processo de desinflação perca força, embora tenha defendido a manutenção da taxa em julho. Mary Daly também respaldou a estabilidade dos juros e ressaltou a necessidade de aguardar novos dados, mas alertou que uma nova aceleração dos preços poderá exigir uma resposta mais firme da política monetária.

· 02:32 — Sinais promissores

Irã e Omã afirmaram ter avançado na definição de uma rota destinada a ampliar a navegação pelo Estreito de Ormuz, embora ainda não exista um acordo formal nem tenha sido confirmada com os Estados Unidos. Um comunicado conjunto estaria em fase final de elaboração, e uma das propostas em discussão prevê maior participação iraniana na coordenação do tráfego de embarcações que ingressam no Golfo Pérsico, sem a cobrança de pedágios.

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O avanço das negociações ganhou relevância diante da crescente pressão sobre Donald Trump para encontrar uma saída para o conflito. Ainda assim, o ambiente permanece frágil, com Teerã impondo condições para prosseguir nas conversas e os houthis intensificando os ataques no Mar Vermelho.

Apesar da persistência dos riscos geopolíticos, o petróleo apresentou uma reação contida, refletindo a expectativa de reabertura da principal rota de exportação de energia do Oriente Médio. Ontem, o Brent avançou 0,11%, para US$ 79,45, ainda acumulando perdas próximas de 10% na semana.

Um acordo duradouro poderia aliviar as pressões inflacionárias e tornar o cenário mais favorável ao Federal Reserve, especialmente após a criação de apenas 44 mil vagas no setor privado americano em julho, abaixo das 65 mil esperadas pelo mercado. Mesmo assim, os investidores permanecem cautelosos, tanto pela incerteza em torno das negociações quanto pela postura ainda pouco conhecida do novo presidente do Fed, Kevin Warsh.

· 03:21 — Tecnologia asiática

As ações de tecnologia da Ásia atravessam um período de volatilidade excepcional, com as oscilações do índice de tecnologia da MSCI Ásia-Pacífico alcançando a maior intensidade desde 2009. Após avançar 4,2% em um único pregão, o indicador recuou 3,2% no dia seguinte, enquanto SK Hynix e Samsung lideraram a queda de 4,6% do Kospi, que já acumula desvalorização de 31% desde a máxima registrada em junho.

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O movimento ganhou força após a divulgação de projeções e resultados abaixo das expectativas por SanDisk e Western Digital, ampliando as dúvidas sobre o ritmo de expansão da cadeia de semicondutores. O episódio reforça que, embora a inteligência artificial continue sendo uma tendência estrutural de longo prazo, o excesso de posicionamento e o elevado grau de alavancagem podem intensificar correções no curto prazo.

O ambiente também permanece condicionado por riscos regulatórios, geopolíticos e corporativos. A China iniciou uma revisão de segurança dos produtos da Palo Alto Networks, enquanto a DeepSeek sinalizou um aumento de preços e empresas como OpenAI e Meta enfrentam disputas e questionamentos relacionados à segurança de seus modelos.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros da Nasdaq recuaram em meio à nova fraqueza das fabricantes de chips, ao mesmo tempo que Jamie Dimon alertou para o nível elevado de alavancagem no mercado. Paralelamente, os investidores avaliam a possibilidade de uma nova rotação para fora dos ativos americanos e aguardam sinais mais concretos sobre um eventual acordo envolvendo Omã, Irã e a reabertura parcial do Estreito de Ormuz.

· 04:18 — Nova fase de liquidez

A SpaceX atravessa uma nova etapa de sua estreia no mercado de capitais com a liberação de até 911,5 milhões de ações detidas por funcionários e investidores iniciais, volume superior aos cerca de 639 milhões de papéis disponibilizados no IPO de junho.

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A entrada dessas ações pode aumentar a volatilidade no curto prazo e pressionar as cotações caso haja uma concentração relevante de vendas, especialmente após a queda superior a 20% registrada antes da divulgação do primeiro resultado trimestral. Ainda assim, esse movimento também tende a ampliar a liquidez do papel e a diversificar gradualmente sua base de acionistas.

O cronograma de encerramento do período de restrição prevê novas liberações relevantes, com outros 1,3 bilhão de ações após o próximo balanço trimestral e 6,4 bilhões de papéis Classe A, correspondentes à participação de Elon Musk, potencialmente disponíveis cerca de um ano após o IPO.

Embora esse calendário mantenha o risco de excesso de oferta no radar, a pressão técnica não altera, por si só, os fundamentos e as perspectivas de longo prazo da empresa. Para investidores interessados na tese, a maior oferta de ações pode inclusive criar pontos de entrada mais atraentes, desde que a companhia continue executando sua estratégia e demonstrando capacidade de crescimento.

· 05:05 — Eli Lilly reforça sua liderança no mercado de emagrecimento

Os resultados do segundo trimestre reforçaram a força operacional da Eli Lilly e a importância central da tese de combate à obesidade para seu crescimento. A receita avançou 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 23 bilhões e superando com ampla margem as expectativas do mercado.

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O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento do volume de vendas de Mounjaro e Zepbound. Juntos, os dois medicamentos já respondem por quase 65% da receita total da companhia, enquanto o crescimento de 80% nas operações internacionais mostra que a demanda continua ganhando escala fora dos Estados Unidos.

A qualidade desse crescimento também foi positiva. Mesmo diante da pressão sobre os preços, a Lilly ampliou a margem bruta ajustada para 86,3% e elevou de forma expressiva sua margem operacional, apoiada por ganhos de eficiência e por uma composição de vendas mais favorável. O lucro líquido ajustado atingiu US$ 7,5 bilhões, e a administração revisou para cima suas projeções de receita, margem e lucro para 2026, reforçando a confiança na continuidade do ritmo de expansão.

Além do desempenho atual, o pipeline continua oferecendo importantes vetores de valorização. A retatrutida concluiu seu programa de Fase 3 para obesidade e deverá ser submetida à aprovação regulatória no início de 2027, com potencial para ampliar ainda mais a liderança da companhia nesse mercado. Diante da combinação entre crescimento elevado, execução consistente, diversificação do portfólio e valuation abaixo de sua média histórica, mantemos uma visão construtiva para as ações da Eli Lilly e, em especial, para os BDRs LILY34, que permitem ao investidor brasileiro acessar essa tese de longo prazo com exposição adicional ao dólar.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.