1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Ibovespa hoje: Copom mantém Selic em 13,75%, mas evita discussão sobre novo ciclo de alta; veja esse e outros destaques desta quinta (5)

Eventual reinício de um ciclo de alta da Selic dependerá das medidas fiscais anunciadas pelo governo

Lais Costa 2026

Por Lais Costa

05 nov 2026, 10:13

•

Atualizado em 05 nov 2026, 10:16

taxa selic inflação juros

Imagem: iStock/ MicroStockHub

Os mercados começam esta quinta-feira prolongando um movimento de rotação para setores e regiões que ficaram para trás durante a forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial. Os futuros do Nasdaq 100 recuam cerca de 0,5%, enquanto o S&P 500 opera próximo da estabilidade, e fabricantes de semicondutores seguem pressionados.

Na outra ponta, Europa e partes da Ásia ganham força. O Stoxx Europe 600 chegou a superar sua máxima anterior nesta manhã, enquanto China e Austrália aparecem entre os destaques positivos na Ásia. O petróleo também chama atenção: o Brent voltou para perto de US$ 96 por barril, depois de cair quase 9% apenas na sessão anterior e acumular uma correção próxima de 20% na semana.

A redução do prêmio geopolítico ajuda os Treasuries longos a estender os ganhos e traz algum alívio para a discussão global de inflação.

00:40 — A rotação sai dos chips e chega à Europa

O Stoxx Europe 600 voltou a testar máximas históricas nesta manhã, em um movimento sustentado por dois vetores: a rotação para fora das ações ligadas à inteligência artificial e uma temporada de resultados corporativos bastante forte.

Bancos, mineradoras e grandes empresas como HSBC, Santander e SAP ajudaram a puxar o índice. Segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence, os lucros das empresas do MSCI Europe caminham para crescimento superior a 32% no terceiro trimestre, o melhor desempenho desde o início de 2022.

O movimento também aparece na Ásia. China e Austrália estiveram entre os mercados mais fortes, enquanto Samsung e SK Hynix caíram mais de 7%, reforçando a perda recente de força dos fabricantes de memória e semicondutores.

A leitura mais interessante é que a Europa começa a oferecer mais do que simplesmente valuations baratos. Resultados melhores do que o esperado ajudam a dar fundamento à rotação, enquanto setores mais cíclicos voltam a receber fluxo depois de anos dominados pelas grandes empresas americanas de tecnologia.

Ainda assim, o movimento continua bastante seletivo. A Rheinmetall chegou a cair cerca de 18% depois de reduzir novamente sua projeção de vendas para 2026, citando atrasos relacionados ao programa de veículos blindados Boxer. Ou seja, o fluxo para a Europa está melhor, mas o mercado continua cobrando execução e resultados.

02:55 — Copom tenta tirar uma alta de juros da mesa

No Brasil, o Copom manteve a Selic, mas nossa leitura é de que a comunicação foi marginalmente dovish.

O principal ponto foi a projeção de inflação do próprio Banco Central, que ficou em 3,5%, abaixo dos 3,8% que esperávamos. Além disso, o Comitê deu bastante peso aos sinais recentes de desaceleração da atividade.

Outro trecho importante foi a avaliação de que a Selic atual já está em nível “substancialmente contracionista”. Essa escolha de palavras parece relevante justamente porque a curva futura vem incorporando a possibilidade de um novo ciclo de alta.

Hoje, o mercado espera uma pausa na próxima reunião e, posteriormente, altas consecutivas de 25 pontos-base até pelo menos meados de 2027.

O Banco Central, por enquanto, parece querer evitar essa discussão.

03:40 — O próximo ciclo dependerá mais do fiscal

A divergência entre o Copom e a curva ajuda a mostrar onde está a principal incerteza para os juros brasileiros.

Nosso cenário é que o eventual reinício de um ciclo de alta da Selic dependerá muito mais das medidas fiscais anunciadas pelo governo e dos efeitos dessas políticas sobre as expectativas de inflação do que de pequenas oscilações nos próximos indicadores.

Se o fiscal provocar uma deterioração adicional das expectativas, o Banco Central poderá ser obrigado a reagir novamente. Mas a comunicação desta semana sugere que esse não é, neste momento, o cenário que o Copom deseja antecipar.

A atividade mais fraca também trabalha na direção oposta. Quanto mais evidentes forem os efeitos do atual nível de juros sobre consumo, investimento e crédito, maior tende a ser o custo de apertar ainda mais a política monetária.

Por isso, a curva embute um cenário mais duro do que aquele sinalizado pelo Banco Central, com altas de 25 pontos-base até pelo menos meados de 2027.

05:01 — PACC11: carrego alto, inflação e menos duration

Esse ambiente continua favorecendo nossa tese no PACC11, que oferece exposição a títulos indexados à inflação de prazo mais curto.

A combinação é interessante por três motivos. Primeiro, as taxas reais permanecem elevadas, oferecendo um carrego atrativo. Segundo, a incerteza fiscal mantém riscos relevantes para a inflação futura, reforçando o valor da indexação ao IPCA.

E terceiro, a duration mais curta reduz a sensibilidade da posição a novas aberturas da curva de juros devido a temas fiscais.

Isso é especialmente importante em um momento em que ainda existe muita incerteza sobre o próximo ciclo da Selic. Em vez de assumir grande risco nos vencimentos mais longos, o PACC11 permite capturar juros reais elevados e proteção contra inflação com uma volatilidade potencialmente menor.

Por isso, seguimos vendo o PACC11 como uma alternativa interessante para combinar carrego, proteção inflacionária e menor exposição ao risco de duration.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.