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Os mercados começam esta quinta-feira prolongando um movimento de rotação para setores e regiões que ficaram para trás durante a forte valorização das empresas ligadas à inteligência artificial. Os futuros do Nasdaq 100 recuam cerca de 0,5%, enquanto o S&P 500 opera próximo da estabilidade, e fabricantes de semicondutores seguem pressionados.
Na outra ponta, Europa e partes da Ásia ganham força. O Stoxx Europe 600 chegou a superar sua máxima anterior nesta manhã, enquanto China e Austrália aparecem entre os destaques positivos na Ásia. O petróleo também chama atenção: o Brent voltou para perto de US$ 96 por barril, depois de cair quase 9% apenas na sessão anterior e acumular uma correção próxima de 20% na semana.
A redução do prêmio geopolítico ajuda os Treasuries longos a estender os ganhos e traz algum alívio para a discussão global de inflação.
00:40 — A rotação sai dos chips e chega à Europa
O Stoxx Europe 600 voltou a testar máximas históricas nesta manhã, em um movimento sustentado por dois vetores: a rotação para fora das ações ligadas à inteligência artificial e uma temporada de resultados corporativos bastante forte.
Bancos, mineradoras e grandes empresas como HSBC, Santander e SAP ajudaram a puxar o índice. Segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence, os lucros das empresas do MSCI Europe caminham para crescimento superior a 32% no terceiro trimestre, o melhor desempenho desde o início de 2022.
O movimento também aparece na Ásia. China e Austrália estiveram entre os mercados mais fortes, enquanto Samsung e SK Hynix caíram mais de 7%, reforçando a perda recente de força dos fabricantes de memória e semicondutores.
A leitura mais interessante é que a Europa começa a oferecer mais do que simplesmente valuations baratos. Resultados melhores do que o esperado ajudam a dar fundamento à rotação, enquanto setores mais cíclicos voltam a receber fluxo depois de anos dominados pelas grandes empresas americanas de tecnologia.
Ainda assim, o movimento continua bastante seletivo. A Rheinmetall chegou a cair cerca de 18% depois de reduzir novamente sua projeção de vendas para 2026, citando atrasos relacionados ao programa de veículos blindados Boxer. Ou seja, o fluxo para a Europa está melhor, mas o mercado continua cobrando execução e resultados.
02:55 — Copom tenta tirar uma alta de juros da mesa
No Brasil, o Copom manteve a Selic, mas nossa leitura é de que a comunicação foi marginalmente dovish.
O principal ponto foi a projeção de inflação do próprio Banco Central, que ficou em 3,5%, abaixo dos 3,8% que esperávamos. Além disso, o Comitê deu bastante peso aos sinais recentes de desaceleração da atividade.
Outro trecho importante foi a avaliação de que a Selic atual já está em nível “substancialmente contracionista”. Essa escolha de palavras parece relevante justamente porque a curva futura vem incorporando a possibilidade de um novo ciclo de alta.
Hoje, o mercado espera uma pausa na próxima reunião e, posteriormente, altas consecutivas de 25 pontos-base até pelo menos meados de 2027.
O Banco Central, por enquanto, parece querer evitar essa discussão.
03:40 — O próximo ciclo dependerá mais do fiscal
A divergência entre o Copom e a curva ajuda a mostrar onde está a principal incerteza para os juros brasileiros.
Nosso cenário é que o eventual reinício de um ciclo de alta da Selic dependerá muito mais das medidas fiscais anunciadas pelo governo e dos efeitos dessas políticas sobre as expectativas de inflação do que de pequenas oscilações nos próximos indicadores.
Se o fiscal provocar uma deterioração adicional das expectativas, o Banco Central poderá ser obrigado a reagir novamente. Mas a comunicação desta semana sugere que esse não é, neste momento, o cenário que o Copom deseja antecipar.
A atividade mais fraca também trabalha na direção oposta. Quanto mais evidentes forem os efeitos do atual nível de juros sobre consumo, investimento e crédito, maior tende a ser o custo de apertar ainda mais a política monetária.
Por isso, a curva embute um cenário mais duro do que aquele sinalizado pelo Banco Central, com altas de 25 pontos-base até pelo menos meados de 2027.
05:01 — PACC11: carrego alto, inflação e menos duration
Esse ambiente continua favorecendo nossa tese no PACC11, que oferece exposição a títulos indexados à inflação de prazo mais curto.
A combinação é interessante por três motivos. Primeiro, as taxas reais permanecem elevadas, oferecendo um carrego atrativo. Segundo, a incerteza fiscal mantém riscos relevantes para a inflação futura, reforçando o valor da indexação ao IPCA.
E terceiro, a duration mais curta reduz a sensibilidade da posição a novas aberturas da curva de juros devido a temas fiscais.
Isso é especialmente importante em um momento em que ainda existe muita incerteza sobre o próximo ciclo da Selic. Em vez de assumir grande risco nos vencimentos mais longos, o PACC11 permite capturar juros reais elevados e proteção contra inflação com uma volatilidade potencialmente menor.
Por isso, seguimos vendo o PACC11 como uma alternativa interessante para combinar carrego, proteção inflacionária e menor exposição ao risco de duration.