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Os mercados globais amanhecem em tom mais positivo após a vitória democrata na Câmara e no Senado dos Estados Unidos. A leitura predominante é que um Congresso controlado pela oposição tende a limitar novos estímulos fiscais, reduzindo pressões sobre inflação, dívida pública e juros americanos.
O resultado aparece rapidamente nos preços: o dólar perde força globalmente, os yields dos Treasuries recuam e os futuros de Wall Street avançam. Para os investidores, a perspectiva de um Congresso dividido reduz a chance de novas expansões fiscais e ajuda a aliviar preocupações com a trajetória da dívida americana.
Para o Brasil, esse movimento ajuda na margem. O EWZ sobe no pré-mercado após cinco sessões consecutivas de queda, embora o humor local continue dependente das sinalizações econômicas e, hoje, sobretudo, dos sinais que virão do Copom ao fim do dia.
0:33 – Menos poder, mais alívio?
A vitória democrata na Câmara e no Senado redesenha o cenário político americano para os próximos dois anos. Com a oposição controlando as duas casas do Congresso, a capacidade de Donald Trump aprovar novas medidas de estímulo, cortes de impostos ou propostas de maior impacto fiscal fica significativamente reduzida.
Para os mercados, a leitura predominante é de que esse novo equilíbrio de forças reduz o risco de uma expansão fiscal adicional em um momento em que a trajetória da dívida pública dos Estados Unidos já desperta preocupação. Não por acaso, os rendimentos dos Treasuries de dez anos recuam cerca de cinco pontos-base, enquanto o dólar perde força frente às principais moedas globais.
O movimento reforça uma mensagem importante para os investidores: voltou a haver prêmio para economias que demonstram maior disciplina fiscal. E é justamente nesse ponto que o Brasil ainda enfrenta seus maiores desafios.
2:45 – Teste de fogo do Copom
Se o exterior oferece algum alívio, o principal desafio para os ativos brasileiros continua sendo doméstico.
Depois de uma semana marcada pela disparada do dólar, abertura da curva de juros e piora das expectativas de inflação, o mercado chega à decisão do Copom já esperando a manutenção da Selic em 13,75%.
Vale lembrar que a mudança de expectativa foi rápida. Antes das eleições, parte relevante do mercado ainda projetava um corte adicional de 0,25 ponto percentual. Mas a combinação de incertezas sobre a condução fiscal do próximo governo, desancoragem das expectativas de inflação e ruídos em torno de mudanças na política monetária levou analistas a revisarem suas projeções.
Mais importante do que a decisão será a mensagem. O foco agora está em entender como o Banco Central enxerga a deterioração recente do cenário e o que isso significa para a trajetória da política monetária daqui para frente. Em outras palavras, o mercado quer entender se a (provável) pausa de hoje representará apenas uma cautela temporária ou o início de um período mais longo de juros elevados.
É justamente nesse ambiente de menor visibilidade macro que a temporada de resultados pode ganhar ainda mais relevância para os investidores.
3:50 – Os resultados começam a falar
Em meio às discussões sobre juros, inflação e fiscal, a temporada de balanços segue avançando e tem oferecido um contraponto importante ao ruído macroeconômico. Enquanto investidores tentam entender para onde vão os juros, as empresas continuam mostrando como estão navegando o cenário atual.
O resultado do Itaú divulgado ontem reforça essa ideia. O banco entregou lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com as expectativas do mercado, e mostrou mais uma vez resiliência em um momento em que boa parte do setor financeiro continua enfrentando desafios relevantes.
Enquanto concorrentes como Bradesco e Santander ainda convivem com maior pressão sobre a qualidade do crédito e rentabilidades abaixo dos níveis históricos, o Itaú tem atravessado o ciclo com indicadores mais consistentes e menor deterioração operacional.
Embora a temporada não tenha acabado, a mensagem que emerge até aqui é que a qualidade da execução tem feito cada vez mais diferença. Em um mercado ainda carente de catalisadores macroeconômicos positivos, empresas capazes de combinar crescimento, geração de caixa e execução consistente tendem a se destacar cada vez mais.
5:01 – Na contramão do mercado
Nesse ambiente de juros elevados e pouca visibilidade sobre os rumos da economia, temos defendido uma postura mais seletiva na alocação.
Mais do que apostar em uma melhora do cenário macro, faz sentido priorizar empresas capazes de executar bem sua estratégia não importa o ciclo econômico, com balanços sólidos e capacidade de gerar caixa para os acionistas.
A Irani (RANI3) tem sido um bom exemplo disso. Enquanto boa parte da Bolsa segue pressionada, a ação avançou mais de 8% ontem, ainda refletindo a divulgação dos resultados do 3T26.
Fabricante de papéis para embalagens e caixas de papelão ondulado, a companhia vem colhendo os frutos da Plataforma Gaia, seu principal ciclo de investimentos dos últimos anos, voltado à ampliação da capacidade produtiva e ao ganho de eficiência operacional. Os números mais recentes mostram de forma cada vez mais clara os resultados dessa estratégia.
A empresa registrou recordes de produção de papel, receita líquida e Ebitda ajustado, além de crescimento de volumes acima do mercado. Ao mesmo tempo, segue combinando forte geração de caixa com redução gradual da alavancagem.
Negociando por menos de 5,5 vezes os lucros e reunindo características cada vez mais valiosas no cenário atual, a Irani (RANI3) continua oferecendo uma combinação interessante de crescimento, solidez financeira e potencial de retorno ao acionista. Por isso, segue como integrante da nossa carteira de Dividendos.