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Investimentos

Ibovespa hoje: Fim do cessar-fogo no Oriente Médio pressiona bolsas e petróleo sobe; veja destaques desta quarta (8)

Os mercados globais amanheceram pressionados depois de Trump afirmar que o cessar-fogo provisório com o Irã acabou. Veja mais destaques do dia.

Por Matheus Spiess

08 jul 2026, 10:03

Atualizado em 08 jul 2026, 10:03

Estreito de Ormuz Oriente Médio

(Imagem: Suphanat Khumsap/iStock)

Os mercados globais amanheceram em forte aversão a risco após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo provisório com o Irã “acabou” e classificar as negociações como perda de tempo. A declaração veio depois de novos ataques americanos contra mais de 80 alvos iranianos, em resposta a ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, e da revogação da isenção que permitia a venda de petróleo iraniano. O movimento reacendeu os temores de interrupção no fornecimento global de energia. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos públicos avançaram, refletindo a preocupação dos investidores com um novo impulso inflacionário.

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Além da geopolítica, o setor de semicondutores voltou a pesar lá fora. A queda se intensificou após os resultados da Samsung, comentado ontem por aqui, alimentarem dúvidas sobre a sustentabilidade dos valuations elevados das empresas ligadas à inteligência artificial. Na Ásia, o Kospi entrou em mercado de baixa técnico, enquanto as ações chinesas negociadas em Hong Kong reagiram positivamente, apoiadas por valuations mais baixos relativamente e por notícias envolvendo o desenvolvimento de chips próprios de IA por empresas locais. A agenda do dia ainda inclui a divulgação da ata do FOMC, em um momento de reavaliação dos riscos para inflação e juros.

· 00:57 — Ibovespa sente geopolítica, tarifa americana e ruídos eleitorais

No Brasil, o Ibovespa chegou a operar em alta na manhã de ontem, apoiado pela rotação de portfólios no exterior em um dia de queda para ações ligadas à inteligência artificial, mas perdeu força com a piora do cenário geopolítico. A retomada das tensões no Oriente Médio impulsionou o petróleo, fortaleceu o dólar e pressionou ativos tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, voltamos a ver pressão negativa.

Na agenda comercial, o segundo dia da audiência pública do USTR manteve em foco a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro reforçou a estratégia de manter as negociações abertas até a decisão americana, prevista para 15 de julho, enquanto representantes do setor produtivo defenderam a retirada da sobretaxa e contestaram os fundamentos da investigação. Flávio Bolsonaro, por sua vez, usou sua participação para criticar o governo Lula, pedir que a decisão sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições e argumentar que uma taxação imediata poderia favorecer politicamente o atual presidente do Brasil.

Ainda no campo eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrentou novos ruídos após integrantes de sua coordenação participarem de um evento em Washington com Marco Rubio e empresários brasileiros sem comunicação prévia aos aliados. O episódio gerou desconforto dentro da campanha, especialmente entre setores mais radicais do bolsonarismo, que brigam por protagonismo. Essa divisão interna tende a enfraquecer a oposição e pode aumentar as chances de reeleição do incumbente.

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· 01:42 — Em busca de um maior detalhamento

Nos Estados Unidos, os mercados fecharam em queda ontem, pressionados principalmente pela realização de lucros nas ações de tecnologia e semicondutores. O Nasdaq recuou 1,2%, o S&P 500 caiu 0,5% e o Dow Jones perdeu 0,3%. Ainda assim, a leitura interna do pregão foi menos negativa do que os índices sugerem: seis dos 11 setores do S&P 500 encerraram em alta, com destaque para energia, que avançou 3%, enquanto 56% das ações do índice fecharam no campo positivo. O principal peso veio dos semicondutores após os resultados da Samsung. Embora os números tenham sido fortes, como pude comentar melhor na terça-feira, vieram apenas moderadamente acima das expectativas, o que acabou provocando uma realização de lucros no setor.

No fim do dia, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano reforçou o tom de cautela. O movimento ocorreu depois dos americanos revogarem as isenções às sanções ao petróleo iraniano, em resposta a ataques contra navios comerciais. A agenda conta com a divulgação da ata do FOMC, referente à primeira reunião de Kevin Warsh. O mercado buscará sinais sobre a postura do Fed diante da inflação persistente e da preferência de Warsh por uma comunicação com menor uso de forward guidance e da possibilidade de uma alta de 25 ponto nos juros até outubro. Tudo isso ocorre em um ambiente de economia resiliente, mercado de trabalho estável e queda dos preços de energia, que pode aliviar a inflação nos próximos meses.

· 02:38 — Novos episódios de tensão

A tensão no Estreito de Ormuz voltou a se intensificar após três petroleiros serem atingidos, incluindo o Al Rekayyat, carregado com gás natural liquefeito, que sofreu um incêndio na casa de máquinas depois de ser atingido por um drone. O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque, enquanto um navio de bandeira saudita, possivelmente o superpetroleiro Wedyan, também registrou avarias próximo à costa de Omã.

O episódio ocorre em meio ao colapso do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, depois que Trump declarou o acordo “encerrado”, Teerã atacou bases americanas no Bahrein e no Kuwait, e Washington revogou a licença que autorizava exportações de petróleo iraniano, mantendo apenas um período de transição até 17 de julho para a liquidação das operações já contratadas.

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O ponto mais sensível é que o Irã parece tentar ampliar seu controle sobre a navegação em Ormuz, possivelmente por meio do lançamento de minas para direcionar o tráfego comercial para mais perto de sua costa. Caso as alegações americanas sejam verdadeiras, isso daria a Teerã maior capacidade de monitorar embarcações, impor condições de passagem e até cobrar taxas, em uma disputa direta com os Estados Unidos pelo controle da rota. Como o Estreito segue operando abaixo do normal, enquanto exportadores de energia ainda tentam restabelecer plenamente o fluxo por essa via estratégica, os mercados reagiram de forma imediata: o petróleo subiu mais de 5% nesta manhã, acima de US$ 78 por barril, e o Departamento de Defesa dos EUA anunciou novos ataques de represália.

A leitura segue dividida. Os pessimistas enxergam excesso de confiança na ideia de uma distensão permanente entre Washington e Teerã, já que ainda há confrontos semanais, divergências sobre o controle de Ormuz, pouco avanço na questão nuclear e tensões não resolvidas no Líbano. Os otimistas, por outro lado, argumentam que nenhum dos lados parece interessado em retomar uma guerra em larga escala e que a oferta global de petróleo ainda pode se expandir, apoiada pelo aumento da produção da Opep+, pela recuperação gradual do tráfego em Ormuz e pela produção robusta nos Estados Unidos e na Venezuela. No balanço, o caminho para um acordo duradouro segue arriscado e irregular, mas a relutância de Trump em reabrir totalmente as hostilidades sugere que esta nova rodada de confrontos tende a permanecer contida, ainda que acompanhada de volatilidade elevada para energia e ativos globais.

· 03:21 — Possível virada na Europa

Marine Le Pen confirmou que pretende disputar a eleição presidencial francesa de 2027 pela quarta vez, após o Tribunal de Apelação de Paris manter sua condenação por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu, mas reduzir seu período de inelegibilidade. Como parte da punição efetiva já foi cumprida, a decisão abre caminho para sua candidatura nas eleições presidenciais do ano que vem, embora ela ainda deva recorrer à mais alta corte da França e possivelmente tenha de usar tornozeleira eletrônica. Apesar do desgaste jurídico, o Reagrupamento Nacional segue na liderança das pesquisas, e a indefinição sobre quem representará o partido (Le Pen ou Jordan Bardella) não parece alterar de forma significativa sua força eleitoral.

A principal diferença entre os dois está no perfil político. Bardella, mais jovem, apresenta bom desempenho nas pesquisas, mas sua idade e menor experiência podem ser exploradas pelos adversários. Le Pen, por sua vez, aos 57 anos e com três campanhas presidenciais no currículo, é vista por alguns rivais como uma candidata mais testada e menos propensa a erros. O caso se insere em um movimento mais amplo da direita europeia, no qual lideranças como Le Pen, na França, e Nigel Farage, no Reino Unido, enfrentam pressões políticas, mas buscam transformar esses episódios em combustível, apresentando-se como alvos de perseguição institucional.

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 · 04:13 — Desdobramentos do encontro da OTAN

A cúpula da OTAN em Ancara está acontecendo em um momento de forte tensão dentro da aliança, com Donald Trump pressionando os países europeus a elevarem seus gastos militares e assumirem maior responsabilidade pela própria segurança. Reino Unido, França e Alemanha lançaram uma iniciativa de US$ 50 bilhões para desenvolver armas de longo alcance sem a participação dos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir a defasagem em relação à Rússia nessa área. Ao mesmo tempo, os aliados discutem a meta de destinar 5% do PIB à defesa, enquanto a Europa tenta se preparar para uma eventual redução da presença militar americana no continente.

A cúpula também é marcada por negociações paralelas relevantes. Trump sinalizou que pode reverter a proibição da venda de caças F-35 à Turquia e voltou a defender a aquisição da Groenlândia, elevando atritos com aliados europeus. O encontro também deve tratar do apoio à Ucrânia, da reorganização da defesa europeia, de grandes contratos militares e de temas regionais envolvendo Turquia, Síria e segurança no Oriente Médio. No conjunto, a OTAN tenta demonstrar unidade, mas enfrenta uma combinação delicada de pressão americana, guerra na Ucrânia, crise com o Irã e disputas internas sobre financiamento, liderança e prioridades estratégicas.

· 05:06 — Alphabet e as múltiplas fronteiras do futuro americano

A inteligência artificial deve continuar como uma das principais forças capazes de moldar a economia americana nas próximas décadas, ainda que seja difícil antecipar quais empresas dominarão esse novo ciclo. OpenAI e Anthropic aparecem como protagonistas naturais, enquanto a Amazon segue bem-posicionada por meio de seu enorme negócio de nuvem, essencial para atender à demanda crescente por computação e armazenamento. Ao mesmo tempo, a disputa por energia ganha importância estratégica, impulsionada pela expansão dos data centers e pela eletrificação da economia, abrindo espaço tanto para gigantes tradicionais, como Exxon Mobil e Chevron, quanto para startups de fusão nuclear. Em saúde, empresas como Johnson & Johnson seguem estruturalmente relevantes, dada a natureza resiliente da demanda por medicamentos, tratamentos e inovação médica.

Nesse cenário de longo prazo, a Alphabet parece uma das empresas mais bem posicionadas para atravessar as próximas grandes transformações tecnológicas. Além da força de suas operações em busca, nuvem e smartphones, a companhia permanece competitiva em inteligência artificial com os modelos Gemini, tem exposição indireta relevante a Anthropic e SpaceX, avança em computação quântica e conta com a Waymo como uma das principais apostas globais em veículos autônomos. A combinação entre negócios maduros, geração robusta de caixa e exposição a múltiplas frentes de inovação torna a tese construtiva para Alphabet, negociada na Nasdaq sob o ticker GOOGL e acessível no Brasil via BDR GOGL34.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.