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Investimentos

Ibovespa hoje: SpaceX, Microsoft e Samsung nas manchetes e negociações do tarifaço dos EUA continuam; confira destaques desta terça (7)

As negociações de tarifas de 25% dos EUA sobre Brasil continuam com impressão levemente positiva e SpaceX e Samsung chamam atenção do mercado. Veja mais destaques desta terça (7).

Por Matheus Spiess

07 jul 2026, 10:08

Atualizado em 07 jul 2026, 10:08

bear market ibovespa queda mercado ações

Imagem: iStock/ Mininyx Doodle

Os mercados globais operam com cautela nesta terça-feira, pressionados por uma nova realização em ações de tecnologia e semicondutores, movimento que começou na Ásia e se espalhou para a Europa. A Coreia do Sul concentrou as maiores perdas, com o Kospi recuando 4,9%, enquanto Samsung e SK Hynix caíram de forma expressiva. No caso da Samsung, mesmo um lucro robusto não foi suficiente para impressionar investidores já acostumados a números elevados no ciclo da inteligência artificial.

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O movimento reforça a percepção de que o rali ligado à IA pode ter avançado rápido demais, levando os mercados a reavaliar valuations, crescimento de lucros e a sustentabilidade dos investimentos em capital no setor de semicondutores. Nos Estados Unidos, os futuros operam de forma mista, com o Nasdaq sob pressão, enquanto investidores aguardam a ata do Fed, amanhã, novos discursos de dirigentes e, mais adiante, sinais adicionais sobre inflação, juros e atividade econômica.

No campo geopolítico, a tensão voltou a subir no Oriente Médio após relatos de ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz, incluindo um navio de GNL do Catar atingido por um projétil próximo à costa de Omã. Ainda assim, a reação do petróleo foi moderada, já que os fluxos pela rota aprovada pelo Irã não parecem ter sido afetados, enquanto a oferta global segue em recomposição, apoiada pelo aumento de produção da Opep+ e pela maior competição entre exportadores.

Em paralelo, a cúpula da Otan em Ancara começa sob pressão de Donald Trump para que os países-membros elevem seus gastos militares, com foco na meta de 5% do PIB em defesa e no desafio fiscal de financiar o maior esforço militar desde a Guerra Fria.

· 00:57 — Ibovespa descola do alívio externo

No Brasil, o Ibovespa destoou ontem do alívio observado no câmbio e nos juros futuros e encerrou a segunda-feira em queda de 0,93%, retornando ao patamar dos 172 mil pontos. O pregão teve volume reduzido e perdas disseminadas entre as ações. O movimento refletiu a rotação global de fluxo para ações de tecnologia nos Estados Unidos, em detrimento de papéis de valor e blue chips locais.

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Na direção oposta, o dólar recuou para R$ 5,1320, com o real entre as moedas emergentes de melhor desempenho, enquanto os juros futuros fecharam em leve queda, acompanhando o alívio dos Treasuries, a baixa do petróleo e a melhora marginal nas expectativas de inflação do Focus. O boletim interrompeu uma sequência de deterioração ao reduzir a mediana para o IPCA de 2026 de 5,33% para 5,30%, embora as projeções para a Selic sigam elevadas. Agora, o foco do mercado se volta ao IPCA de junho, na sexta-feira, dado que deve ajudar a definir se há espaço para mais um corte da Selic em agosto, ainda que a taxa básica deva permanecer em patamar bastante restritivo.

Na agenda do dia, a audiência pública do USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, sobre práticas comerciais brasileiras terminou na segunda-feira sem mudanças na investigação, mas deixou uma impressão relativamente positiva entre representantes do setor privado por ter assumido um tom mais técnico do que político.

Entidades brasileiras e empresas americanas argumentaram que uma eventual tarifa de 25% sobre produtos do Brasil poderia prejudicar os próprios Estados Unidos, ao encarecer insumos, matérias-primas e bens utilizados pela indústria americana, reduzir a competitividade das empresas locais e abrir espaço para fornecedores asiáticos, especialmente chineses. O tema segue no radar nesta terça-feira, com novos painéis e a participação de Flávio Bolsonaro.

E por falar nisso, no campo político, o Partido Liberal marcou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção nacional que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A escolha da capital paulista é estratégica, tanto por São Paulo concentrar o maior colégio eleitoral do país quanto pela possibilidade de aproximação com o palanque de Tarcísio de Freitas. Flávio pretende transferir o QG da campanha para o estado a fim de alinhar sua agenda à do governador. Aliados veem uma eventual vitória de Tarcísio no primeiro turno como uma demonstração de força da direita, embora também reconheçam que esse cenário pode trazer desafios no segundo turno, especialmente em relação ao engajamento do eleitorado.

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· 01:42 — Tecnologia retoma liderança com Fed e inflação no radar

O setor de tecnologia voltou a liderar os mercados no início da semana, com as ações ligadas à inteligência artificial buscando recuperar parte das perdas recentes. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,3% e renovou sua máxima de fechamento pela 21ª vez em 2026, enquanto o S&P 500 avançou 0,7% e o Nasdaq ganhou 1,1%. As fabricantes de chips ainda não recuperaram integralmente a queda da semana anterior, mas puxaram a alta do pregão em um ambiente marcado por dados econômicos resilientes, resultados corporativos positivos, expectativas de inflação em queda e investidores ainda cautelosos. O petróleo seguiu em baixa, ajudando a reduzir as pressões inflacionárias, enquanto o ouro atingiu o maior nível em duas semanas.

No campo monetário, Christopher Waller, membro do Fed, defendeu o uso do forward guidance, isto é, a orientação futura sobre os possíveis caminhos da política monetária. A posição contrasta com a postura mais recente de Kevin Warsh, que retirou esse tipo de sinalização do comunicado do FOMC. Waller reconheceu que a ferramenta pode ser útil em determinadas circunstâncias, embora também tenha sido problemática em 2021, quando contribuiu para atrasar a reação do Fed à alta da inflação. A agenda inclui a balança comercial de maio, em um momento em que os dados de comércio ganharam maior relevância política por causa das tarifas, além da pesquisa de expectativas de inflação do Fed de Nova York, para medir a percepção dos consumidores sobre os preços, ainda que não haja sinais de mudança no consumo.

· 02:39 — Susto com Samsung?

As ações da Samsung recuaram de forma expressiva, apesar de a companhia ter reportado forte avanço no lucro operacional, impulsionado pelo boom dos chips de memória. O resultado preliminar veio acima das expectativas, mas não foi suficiente para impressionar os investidores, especialmente depois da forte valorização dos papéis nos últimos 12 meses e diante da ausência de projeções futuras mais detalhadas, que só serão divulgadas com os resultados completos. A queda também refletiu um movimento mais amplo de realização em tecnologia na Ásia, de maneira generalizada, com pressão sobre nomes como SK Hynix e sobre o índice Kospi, em meio ao receio de que o rali associado à inteligência artificial tenha avançado demais.

Ainda assim, essa leitura não aponta necessariamente para a formação de uma bolha. O ponto central é saber se os lucros gerados pela demanda por IA em empresas como Samsung, SK Hynix e Micron serão sustentáveis ao longo do tempo. Embora os valuations de longo prazo pareçam elevados, as métricas projetadas para os próximos 12 meses são menos alarmantes e refletem expectativas de crescimento dos lucros. O mercado segue tentando avaliar se o aumento do nível de capex para as proporções atuais, a expansão de capacidade e a concorrência no setor de semicondutores serão compatíveis com os resultados esperados. Por isso, uma queda pontual nas ações da Samsung não responde, sozinha, à pergunta mais importante: se a inteligência artificial será capaz de entregar ganhos duradouros de produtividade e crescimento.

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· 03:24 — Adiar pode ser uma escolha ruim

Como já conversamos neste espaço num passado recente, a OpenAI estaria avaliando adiar seu IPO para o próximo ano, mas essa decisão pode trazer riscos caso a janela para novas aberturas de capital se feche antes de a companhia chegar ao mercado. Para muitos investidores nos EUA, tanto a OpenAI quanto a Anthropic deveriam aproveitar o momento ainda favorável para listar suas ações, já que não há garantia de que os investidores continuarão dispostos a absorver centenas de bilhões de dólares em novas emissões. Além de permitir a captação de recursos, a abertura de capital das duas empresas aumentaria a transparência sobre suas finanças e ofereceria ao mercado referências mais claras para avaliar o setor de inteligência artificial.

A listagem de OpenAI e Anthropic também ajudaria a preencher uma lacuna importante: hoje, há poucas empresas de capital aberto com exposição pura à IA, o que dificulta a construção de parâmetros de valuation e alimenta preocupações sobre uma possível bolha no setor. O boom da IA vive um momento decisivo, marcado por valuations elevados e forte volume de investimentos em infraestrutura. A dúvida é se OpenAI e Anthropic conseguirão acessar o mercado antes que o apetite diminua.

· 04:11 — Novos cortes

A Microsoft anunciou cortes equivalentes a 2,1% de sua força de trabalho global, cerca de 4.800 cargos, com impacto desproporcional sobre a divisão Xbox. A área de games perdeu 1.600 funcionários de imediato e deve cortar outros 1.250 ao longo do ano, atingindo aproximadamente 20% da equipe. A decisão ocorre em um momento de incerteza para o negócio de videogames da companhia, em que ainda não está claro como será a próxima geração de consoles, ou mesmo se haverá uma nova geração nos moldes tradicionais.

O movimento reflete a dificuldade da Microsoft em conciliar as elevadas expectativas dos investidores com a realidade econômica da divisão de jogos, que opera com margens muito inferiores às de negócios comparáveis de plataformas e publicação. A própria liderança do Xbox reconheceu que a operação “não é saudável”, enquanto o Game Pass, com 30 milhões de assinantes, permanece distante da meta projetada de 77 milhões. Em um ambiente no qual a inteligência artificial concentra boa parte do entusiasmo do mercado, a divisão de games parece enfrentar limites mais evidentes de escala, rentabilidade e crescimento.

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· 05:03 — SpaceX no Nasdaq-100: a nova fronteira da economia espacial

A SpaceX recebeu avaliações otimistas de ao menos seis corretoras de Wall Street após o encerramento do período de silêncio do pós-IPO. O movimento ocorre em um momento importante para a companhia de Elon Musk, que passa a integrar o Nasdaq-100 nesta terça-feira, apenas duas semanas após sua oferta pública inicial. A inclusão acelerada foi viabilizada por uma mudança nas regras da Nasdaq para empresas de ala capitalização, reforçando a relevância crescente das companhias associadas à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica no mercado acionário. Ainda assim, o ambiente para o setor de tecnologia ficou mais cauteloso, depois que os resultados da Samsung frustraram investidores e pressionaram os futuros americanos.

A entrada da SpaceX no Nasdaq-100 deve gerar compras obrigatórias por parte de fundos passivos que replicam o índice, como o ETF QQQ, da Invesco, incorporando automaticamente a ação às carteiras de milhões de investidores. Como a companhia ingressa com peso equivalente a cerca de 0,75% do índice, e aproximadamente US$ 800 bilhões estão atrelados ao Nasdaq-100, as estimativas apontam para compras entre US$ 4,3 bilhões e US$ 6 bilhões em ações. O principal ponto de atenção é que menos de 5% dos papéis da SpaceX estão disponíveis para negociação pública, o que pode ampliar a volatilidade no curto prazo. Por outro lado, cerca de 20% das ações devem ser liberadas após a divulgação do primeiro balanço da companhia, movimento que tende a reduzir parte dessa pressão técnica gradualmente ao longo do tempo.

Em síntese, o evento reforça a consolidação da exploração espacial como uma das próximas grandes fronteiras estruturais do mercado. A companhia combina liderança em lançamentos, escala operacional, capacidade de inovação e exposição a temas de longo prazo, como satélites, conectividade global, defesa, infraestrutura orbital e inteligência artificial aplicada. Naturalmente, a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo, sobretudo diante da baixa quantidade de ações em circulação e dos fluxos técnicos associados à inclusão no índice. Ainda assim, para investidores dispostos a conviver com oscilações, a SpaceX, negociada na Nasdaq sob o ticker SPCX e acessível no Brasil via BDR SPCX34, passa a representar uma das formas mais diretas de exposição à nova economia espacial, um mercado ainda em estágio inicial, mas com potencial relevante de expansão nas próximas décadas.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.