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Os mercados têm uma manhã de aversão a risco com continuação de alta dos preços do petróleo que impulsionam ainda mais as taxas de juros globais. O contrato de Brent ultrapassa US$ 105/barril após a Arábia Saudita reportar queda da produção à OPEP.
As taxas de Treasuries de 10 anos ultrapassam os 4,90%, o futuro de S&P 500 cai -0,5%, o DXY salta +0,28% e o ouro spot cai mais de 1% nessa manhã.
· 00:48 — O Banco Central Europeu sobe as taxas
O Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito para 2,5% ao ano, em linha com o esperado. A comunicação, porém, seguiu cautelosa: o BCE manteve a estratégia de decidir reunião a reunião, com base nos dados, sem se comprometer previamente com novos movimentos.
As projeções de crescimento praticamente não mudaram, mas as de inflação foram revisadas ligeiramente para cima, com a inflação de 2028 passando de 2,2% para 2,3%. Como essas projeções consideram dados até 20 de agosto, parte da recente alta dos preços de energia ainda não está incorporada, o que sugere algum risco adicional de alta para a inflação.
A mensagem principal é de que o BCE ainda vê necessidade de manter a política monetária mais restritiva. O Conselho destacou que o conflito no Oriente Médio continua pressionando os preços e afirmou que a inflação deve permanecer bem acima da meta por um período prolongado.
O cenário-base precificado pelo mercado é de mais duas altasde juros neste ano, com mais de 70% de probabilidade de uma alta na reunião de 29 de outubro. Ou seja, mesmo sem prometer novas altas, a sinalização do BCE é de que o ciclo de aperto ainda pode não ter terminado.
· 01:41 — PPI e mercado de trabalho sugerem alta de juros nos EUA
O PPI de agosto veio relativamente em linha com as estimativas, com alta de 0,4% no índice cheio, 0,2% no núcleo e 0,3% no núcleo excluindo serviços ligados ao comércio. A composição também foi relativamente benigna: os preços de serviços tiveram um crescimento menor que as leituras recentes (0,1%), enquanto os preços de bens aceleraram (0,4%). Em 12 meses, o núcleo segue em 4,6%, ainda próximo das máximas do ciclo, mas a dinâmica mais recente mostra alguma desaceleração: a taxa anualizada de três meses caiu de 6,7% em fevereiro para 3,4% em agosto.
A leitura, portanto, é de uma inflação ao produtor ainda elevada, mas com sinais de moderação na margem, especialmente quando se olha para medidas de curto prazo.
Os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam trazendo uma leitura positiva do mercado de trabalho americano. Na semana encerrada em 5 de setembro, foram 205 mil pedidos, praticamente estáveis em relação às três semanas anteriores e ainda bem abaixo do nível observado há um ano. Os pedidos continuados, referentes à semana encerrada em 29 de agosto, também permaneceram praticamente estáveis nas últimas semanas.
Em conjunto, os dados sugerem que o mercado de trabalho segue sólido e sem sinais relevantes de deterioração, com pressão adicional para baixo sobre a taxa de desemprego. O principal ponto de atenção é a sazonalidade residual, que pode gerar alguma alta pontual nos pedidos até o fim de setembro, sem necessariamente indicar uma mudança de tendência.
O conjunto dos dados aponta para uma alta de 25 pontos-base no Fed Funds na próxima quarta-feira, em linha com a precificação de mercado.
· 04:10 — Atividade em desaceleração reforça trimestre negativo
No Brasil, a PMS divulgada nessa manhã veio abaixo da mediada das expectativas em estabilidade em relação ao mês anterior (0,0% m/m). No qualitativo do número o consumo das famílias veio levemente acima das nossas expectativas, dando um tom um pouco menos pessimista do que o número cheio sugere. Ponderado pelo PIB, o indicador cresceu 2,3% a/a em linha com as nossas estimativas.
De todo modo, o indicador do setor de serviços corrobora nosso cenário de desaceleração da atividade econômica brasileira e de um PIB negativo no 3T deste ano (-0,1%).
· 05:01 — Queda dos impostos nos combustíveis
Ainda sobre o Brasil, na tarde de ontem, o governo anunciou um novo subsídio que deve chegar a R$ 7 bilhões por mês de custo para os cofres públicos relacionado aos impostos na gasolina, etanol e diesel.
Após anunciar uma alta nos preços ontem no valor exato do novo subsídio do governo (R$0,63) a Petrobras voltou atrás hoje e anunciou uma alta de apenas R$ 0,44, ou seja, apenas o fim do subsídio anterior.
A medida deve gerar uma nova revisão para baixo do IPCA deste ano, embora o qualitativo da medida seja ruim para o cenário macroeconômico brasileiro.
Em relação às expectativas de juros, o mercado permanece com o cenário-base de queda de 25 pontos-base na Selic na próxima semana e já coloca uma alta probabilidade de continuação dos cortes em novembro.
A assimetria nos prefixados de curto prazo permanece, por isso, reforçamos a compra do ETF de prefixado LTNB11, com duration de 2,5 anos.