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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA-15 abaixo do esperado e cautela na bolsa antes do 2º turno das eleições; veja destaques desta sexta (23)

Prévia da inflação registra alta de 0,32% após semanas de forte volatilidade na curva doméstica; confira mais destaques

Caio Araújo 2026

Por Caio Araújo

23 out 2026, 10:00

brasil economia investimentos bolsa ibovespa

Imagem: iStock/ @Gilnature

A última sexta-feira antes do segundo turno chega com bastante coisa acontecendo dos dois lados da tela.

Lá fora, a tecnologia voltou a sofrer com os questionamentos sobre o tamanho dos investimentos necessários para sustentar a expansão da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, a escalada do petróleo adiciona mais uma camada de preocupação para inflação e juros globais.

No Brasil, o mercado entra no último pregão antes das urnas com cautela. A disputa permanece aberta, o prêmio de risco voltou a aparecer nos ativos e a temporada de resultados começa a ganhar espaço.

Nesta manhã, porém, tivemos uma notícia um pouco melhor: o IPCA-15 veio abaixo das expectativas, trazendo algum alívio para a discussão sobre juros domésticos.

00:22 – A conta da IA apareceu novamente

Wall Street teve uma quinta-feira difícil. O Nasdaq caiu 2,6%, sua maior baixa desde junho, enquanto o índice de semicondutores recuou quase 7%. Meta perdeu 7%, Nvidia caiu 4% e nomes mais dependentes de financiamento, como CoreWeave, voltaram a sofrer.

Em sua divulgação de resultados, a Meta elevou o piso de sua projeção anual de investimentos e registrou geração de caixa livre negativa no trimestre pela primeira vez em mais de uma década. O movimento trouxe novamente para a mesa os riscos de diluição, endividamento e retorno sobre o capital investido.

A correção perdeu força nesta manhã, com os futuros americanos próximos da estabilidade. Os Treasuries, por sua vez, absorveram parte do fluxo defensivo, e o rendimento dos títulos de dez anos voltou para abaixo de 5%.

01:13 – Petróleo não dá trégua

O outro vetor vem do Oriente Médio — e, desta vez, com força. O contrato do Brent atingiu US$ 115 por barril, maior cotação desde maio, depois da intensificação dos ataques à infraestrutura energética saudita e de relatos de que sete petroleiros foram atingidos ou danificados no Estreito de Ormuz, passagem por onde escoa parte relevante do petróleo mundial.

A consequência é conhecida: energia mais cara mantém pressão sobre a inflação e limita o espaço para uma postura mais branda dos bancos centrais.

Por enquanto, a aversão ao risco provocada pela tecnologia está pesando mais sobre os juros americanos. Mas, se o petróleo continuar avançando, essa combinação fica cada vez mais difícil de sustentar.

02:20 – Cautela antes do pleito

No Brasil, o Ibovespa caiu 1,15%, aos 204.120 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,04. O exterior contribuiu para o movimento, mas a proximidade da eleição também adicionou cautela aos ativos locais.

O cenário ainda aberto na disputa eleitoral, indicado pelas pesquisas, certamente influenciou o desempenho dos ativos ao longo da semana. O racional é direto: quanto menos previsível o desfecho institucional, maior o prêmio exigido para carregar risco brasileiro.

A temporada de balanços do 3T26 também começa a ganhar tração, com resultados de WEG e Bradesco divulgados nesta semana. Os números do banco vieram próximos das estimativas do mercado, apesar da piora qualitativa em algumas linhas — reforçando nossa visão mais cética sobre o papel.

03:10 – Inflação sob a lupa

O dado que fecha a semana é o IPCA-15 de outubro, que registrou alta de 0,32%, abaixo da estimativa de 0,44% do consenso. No acumulado em 12 meses, o índice atingiu 4,6%.

Inclusive, antecipamos um movimento mais benigno do indicador no Morning Call da última quarta-feira.

O dado ganha importância justamente porque chega depois de semanas de forte volatilidade na curva doméstica. A expectativa de um cenário fiscal diferente a partir de 2027 ajudou a retirar prêmio dos juros, mas a inflação corrente e o petróleo acima de US$ 110 lembram que a trajetória da Selic continua dependendo de mais do que o resultado eleitoral.

Vale lembrar que a próxima reunião do Copom acontece no início de novembro.

05:00 – Às vezes, o melhor é não fazer nada

Nas duas sextas-feiras seguintes ao primeiro turno, utilizamos este espaço para indicar operações com opções ligadas ao cenário eleitoral. Ambas funcionaram bem e permitiram capturar parte relevante da reprecificação dos ativos brasileiros nas últimas semanas.

Desta vez, porém, a escolha será diferente.

Isso não significa que não possa haver uma reação positiva da Bolsa na segunda-feira. O problema está na assimetria: parte importante desse cenário já foi incorporada aos preços e, historicamente, o comportamento da Bolsa ao redor do segundo turno tende a ser menos favorável do que aquele observado após a primeira votação.

Depois de duas operações bem-sucedidas, portanto, preferimos não forçar uma terceira. Vale lembrar que as carteiras da casa já estão posicionadas em ativos de risco. Em vez de depender novamente do resultado das urnas, a ideia é olhar para uma tese em que os fundamentos microeconômicos continuam jogando a favor.

É o caso do Bresco Logística (BRCO11). O mercado de galpões logísticos de alto padrão atravessa um dos melhores momentos dos últimos anos. Em São Paulo, a vacância está próxima de 4,5%, a demanda cresce mais rápido que a nova oferta e os aluguéis pedidos dos ativos Classe A+ acumulam alta relevante. O comércio eletrônico continua entre os principais motores dessa absorção.

O BRCO11 está bem-posicionado nesse ambiente. A vacância física do portfólio encerrou setembro em apenas 1,6%. A recente locação do Bresco Resende para o Mercado Livre, inclusive, ocorreu com aluguel 25% superior ao contrato anterior, um bom exemplo do potencial de reprecificação existente no segmento.

Ou seja, depois de duas semanas olhando para Brasília, desta vez preferimos uma tese em que o principal gatilho está nos próprios fundamentos do mercado imobiliário. O BRCO11 ainda negocia com leve desconto em relação ao valor patrimonial — que, inclusive, pode ser reprecificado — e apresenta dividend yield próximo de dois dígitos nos últimos 12 meses.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.