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Dividend yield (DY): o que é, como calcular e como avaliar esse indicador?

O dividend yield mede quanto um ativo pagou de dividendos nos últimos 12 meses em relação a sua cotação. Entenda como avaliar o dividend yield de um ativo.

Por Equipe Empiricus

31 de janeiro de 2023, 23:46

O dividend yield é um dos fatores mais importantes de se avaliar antes de investir em um ativo de renda variável. É ele o responsável por definir o retorno que uma empresa tem a oferecer para os seus acionistas.

Compreender a função e a forma de calcular o dividend yield te ajudará a fazer escolhas com foco no lucro e na solidez da carteira no longo prazo.

O que é dividend yield?

O dividend yield é um indicador utilizado no mercado financeiro para medir o rendimento de uma ação por meio do pagamento de proventos (dividendos e juros sobre capital próprio). O cálculo é feito com base nos últimos 12 meses – em relação às suas cotações atuais. A média do DY leva em conta dois tipos de dividendos: os ordinários e os extraordinários.

  • Dividendos ordinários: são repartidos pelo lucro da empresa durante o ano fiscal anterior;
  • Dividendos extraordinários: são repartidos a partir de medidas excepcionais, como a venda de uma parte da organização  ou a mudança de um cargo importante.

Esse indicador ajuda o investidor a compreender como a empresa a qual ele está investindo faz para recompensar seus acionistas. Ao avaliar o histórico de pagamentos, é possível estabelecer um padrão e então traçar uma estratégia de investimento com base no lucro. Ou seja, o DY determina qual será o retorno da ação de acordo com os proventos pagos.

Como calcular o dividend yield?

O cálculo do dividend yield é feito sobre os proventos distribuídos e o preço das ações negociadas durante o pregão da bolsa. Assim, ele pode variar conforme alguns fatores – como o lucro da empresa em determinado período e as influências diretas do mercado.

Além disso, depende da procura dos investidores: quando a ação está em alta, há mais chances de o DY ser ainda mais lucrativo. Com base nisso, o dividend yield segue uma fórmula relativamente simples:

Dividendos pagos por ação / Cotação da ação x 100 = Dividend yield

Seguindo essa lógica, basta reunir os dados já divulgados e chegar a uma média. Para compreender na prática, imagine que determinada empresa tenha pago R$ 5 de proventos por cada ação negociada. A ação, por sua vez, custa R$ 30 no momento do cálculo:

R$ 5 pagos por ação / R$ 30 x 100 = 16,6%

Como avaliar o histórico de dividend yield de uma empresa?

Além de compreender o jeito certo de se calcular o dividend yield, é importante que você avalie os dados anteriormente divulgados pelas organizações. Isso porque o desempenho médio pode afetar o cálculo das próximas distribuições – e consequentemente a busca pelo ativo no mercado.

Por conta disso, as boas empresas divulgam um histórico de DY em seus respectivos sites e relatórios, a fim de atrair novos investidores e ainda tranquilizar os acionistas já consolidados. Essas páginas costumam apurar todas as informações, como por exemplo a taxa de retorno e a previsão de novos pagamentos.

As corretoras de valores e casas de análise também fazem um trabalho minucioso sobre o pagamento de dividendos das empresas. Há, inclusive, carteiras específicas sobre as melhores companhias pagadoras de proventos do país. Esses relatórios servem para o investidor montar sua estratégia com base na possibilidade de retorno do investimento no longo prazo.

Caso o DY não esteja claro, é possível calcular com base na fórmula que apresentamos anteriormente. Assim, é possível avaliar se determinada ação vale o investimento – isso, claro, se a sua estratégia for estabelecida com base no recebimento de dividendos.

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Fatores que influenciam no dividend yield de uma empresa

Só avaliar o dividend yield de uma empresa não basta para definir sua estratégia. É preciso ainda compreender como eles são afetados, uma vez que o mercado de renda variável é definido por aspectos internos e externos a uma companhia – e o mesmo pode ocorrer com o DY.

Via de regra, o rendimento do dividendo pode ser impactado por mudanças na política de pagamento da empresa, bem como de medidas externas (é o caso das companhias mistas, por exemplo).

O período do ano em que o DY é avaliado também conta para a estratégia a ser seguida. Afinal, a empresa analisada pode ter momentos de maior ou menor lucro dependendo do momento em que a avaliação é feita. Em caso de uso do caixa para eventuais reestruturações, isso também pode afetar o cálculo final de distribuição de proventos.

Outros fatores que influenciam o rendimento dos dividendos são:

  • Mudança da políticas internas da empresa;
  • Contenção de proventos em tempos de crise econômica ou global;
  • Mudança no payout, o percentual de lucro que é pago com dividendos;
  • Uso dos dividendos para o registro de uma reserva especial;
  • Desvalorização das ações por conta de eventos inesperados.

Influência do payout no dividend yield

Um dos coeficientes que mais pesam para o cálculo do dividend yield é o payout, que muitos investidores desconhecem ou deixam de lado na hora de avaliar o investimento. Se você foca sua estratégia em receber dividendos, é de suma importância avaliar esse fator, uma vez que ele indica a parcela do lucro que será distribuída aos acionistas.

O payout é o principal responsável por reger a política de distribuição dos dividendos de uma companhia. É papel de toda empresa destinar um percentual do seu lucro para a divisão  – a legislação exige que pelo menos 25% do lucro seja distribuído.

Qual a importância do dividend yield?

Se você deseja investir para “viver de renda”, as ações atreladas ao pagamento de dividendos são as mais recomendadas do mercado. Por isso, avaliar o dividend yield de uma companhia é de suma importância para definir a sua estratégia. O uso do DY fornece maior clareza sobre os rumos de uma empresa, bem como de sua confiabilidade.

Isso porque as boas pagadoras de dividendos dividem características em comum: são organizações  já consolidadas e de renome no mercado, com capital suficiente para compensar o acionista. Bons exemplos desse cenário são as empresas do setor elétrico, de saneamento e petrolífero.

Um bom percentual de DY também pode indicar que a gestão sofre menos com as oscilações da economia, permitindo um desempenho mais previsível mesmo num campo de alta volatilidade.

Por fim, é possível afirmar que a análise do dividend yield traz maior certeza para os investidores, que conseguem enxergar com clareza as políticas adotadas pelas companhias e fazer uma escolha com base em fatores sólidos.

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