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Investimentos

Ibovespa hoje: Resultados da Petrobras (PETR4) acima das expectativas e payroll dos EUA; veja destaques desta sexta (7)

Petrobras (PETR4) divulga lucro de R$ 52,4 bilhões e R$ 17,4 bilhões em dividendos, bem acima das expectativas do mercado. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

07 ago 2026, 10:00

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Imagem: iStock/ Joa_Souza

Os mercados globais operam em tom misto nesta sexta-feira, com as atenções concentradas na divulgação do payroll de julho nos Estados Unidos, que pode oferecer novas pistas sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve. Um resultado mais forte do que o esperado tenderia a reforçar a percepção de juros elevados por mais tempo, embora o foco dos investidores esteja cada vez mais direcionado à inflação e à forma como o Fed reagirá aos próximos indicadores.

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Ao mesmo tempo, as incertezas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz mantêm elevado o prêmio de risco, em meio a ataques dos Houthis, ameaças à infraestrutura energética do Golfo e propostas iranianas para restringir a passagem de embarcações americanas.

Na Ásia, o destaque ficou para a força das exportações chinesas, que cresceram 23,9% em julho na comparação anual, acima das expectativas, impulsionadas principalmente pelos embarques de semicondutores, produtos de alta tecnologia e veículos. O resultado reforça a importância do setor externo para a sustentação da atividade chinesa diante da fraqueza do consumo doméstico.

Em contrapartida, os mercados do Japão e da Coreia do Sul permaneceram pressionados, sobretudo pelo desempenho do setor de semicondutores, em continuidade ao movimento observado em julho. O iene, por sua vez, devolveu boa parte dos ganhos obtidos após a intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão, reacendendo as especulações sobre novas medidas por parte das autoridades cambiais.

· 00:59 — Dividendão

No Brasil, o Ibovespa recuou 1,23% na quinta-feira, aos 175.546 pontos, pressionado pelo ambiente externo, pelas incertezas em torno da trajetória dos juros nos Estados Unidos e por uma leitura mais restritiva do comunicado do Copom, que reforçou a perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo. Ainda assim, a leitura predominante do mercado continua sendo de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, para 13,75% ao ano.

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As atenções agora se voltam para a ata do Copom, que deverá trazer mais detalhes sobre a avaliação do Banco Central a respeito do mercado de trabalho, da atividade econômica e das expectativas de inflação. Entre as ações, a Vale caiu 1,66%, acompanhando a baixa do minério de ferro, enquanto o Bradesco recuou 1,94% após a divulgação de seu balanço. Em sentido oposto, a Petrobras encerrou o pregão em alta moderada, beneficiada pela valorização do petróleo. Para hoje, o principal destaque fica por conta da repercussão dos resultados da petroleira, divulgados ontem e bem acima das expectativas, com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões e anúncio de R$ 17,4 bilhões em dividendos.

· 01:46 — Interrupção

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones interrompeu uma sequência de cinco altas consecutivas, recuando 0,9% na quinta-feira, depois de renovar máximas históricas e superar, pela primeira vez, a marca dos 54 mil pontos. O S&P 500 caiu 0,2%, enquanto o Nasdaq recuou 0,1%, pressionado principalmente pelo desempenho das ações de software após resultados decepcionantes de companhias como HubSpot, Datadog, AppLovin, Figma e Duolingo.

O ambiente de maior cautela também refletiu a expectativa em torno do relatório de emprego dos Estados Unidos, que deve apontar a criação de cerca de 80 mil vagas em julho, taxa de desemprego estável em 4,2% e salários ainda avançando a um ritmo próximo de 3,5% ao ano.

A atenção dos investidores, no entanto, está cada vez mais concentrada na inflação e na possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Dirigentes como Kevin Warsh e Alberto Musalem reforçaram que a resiliência do mercado de trabalho, combinada à persistência das pressões inflacionárias, pode justificar uma postura monetária mais restritiva, especialmente após a recente valorização do petróleo. As tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz continuam pressionando os preços da energia e ampliando os riscos para a inflação.

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Nesse contexto, o payroll tende a exercer influência mais limitada sobre a decisão de setembro, a menos que revele uma deterioração relevante do mercado de trabalho, enquanto o CPI da próxima semana ganha importância adicional para a definição da trajetória dos juros americanos.

· 02:31 — Reabertura?

O otimismo em torno de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz perdeu força diante de uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. Ataques dos houthis contra alvos sauditas, explosões na ilha iraniana de Qeshm e um esboço de acordo entre Irã e Omã considerado insuficiente elevaram a percepção de risco, sobretudo porque Teerã pretende restringir a passagem de embarcações americanas e israelenses e exigir compensações de países considerados hostis. Com Washington rejeitando esses termos e persistindo as divergências sobre o controle do estreito e o programa nuclear iraniano, o Brent avançou permanecendo próximo de US$ 83.

A deterioração do cenário geopolítico também se espalhou pelos demais mercados, com queda das bolsas asiáticas e pressão sobre os títulos de renda fixa, à medida que a alta dos preços da energia reacendeu preocupações inflacionárias antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos e de seus possíveis efeitos sobre a trajetória dos juros do Federal Reserve.

A percepção predominante é de que uma solução rápida para o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã se tornou menos provável. Ao mesmo tempo, o tráfego reduzido pelo Estreito de Ormuz mantém elevado o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo e aumenta a sensibilidade dos ativos globais à evolução das próximas negociações.

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· 03:27 — Nova emissão

O apetite dos investidores por ativos ligados à inteligência artificial permanece robusto, como demonstrou a recente emissão de US$ 25 bilhões em títulos da Alphabet, que atraiu cerca de US$ 115 bilhões em ofertas. A forte demanda sinaliza uma melhora do sentimento após a pressão recente sobre as dívidas de empresas de tecnologia. Desde o início de 2025, a companhia já captou mais de US$ 114 bilhões por meio de emissões de dívida, consolidando-se como uma das principais financiadoras do atual ciclo de investimentos em inteligência artificial.

O mesmo entusiasmo também beneficia a DeepSeek, que retomou uma rodada de captação de US$ 8 bilhões com valuation próximo de US$ 74 bilhões. O movimento reforça que, apesar das preocupações com a intensidade dos gastos em infraestrutura e com o retorno sobre esses investimentos, a demanda por financiamento e por exposição ao tema de inteligência artificial continua elevada.

· 04:15 — Intervindo

O iene voltou a perder força após a intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos, sendo negociado próximo de 158,40 por dólar, depois de ter alcançado 155,23 no início da semana. Embora o Banco do Japão tenha desembolsado cerca de US$ 87 bilhões em dois dias para sustentar a moeda, os principais fatores estruturais de pressão permanecem presentes: o diferencial de juros ainda favorável aos Estados Unidos, o elevado endividamento japonês, as incertezas geopolíticas e o uso recorrente do iene em operações de carry trade, nas quais investidores tomam recursos emprestados em moedas de juros baixos para aplicá-los em ativos de maior retorno. Nesse contexto, novas intervenções podem ajudar a conter movimentos mais desordenados, mas dificilmente serão suficientes, por si só, para alterar de forma duradoura a trajetória da moeda sem o apoio da política monetária.

Uma valorização mais consistente do iene dependeria, portanto, de uma combinação mais favorável de políticas, com uma possível elevação dos juros pelo Banco do Japão e uma eventual redução do viés de aperto monetário pelo Federal Reserve. O mercado atribui atualmente cerca de 60% de probabilidade a uma alta dos juros japoneses até setembro.

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Além disso, o elevado superávit em conta corrente e o excesso de poupança privada podem estimular uma maior proteção cambial das carteiras externas dos investidores japoneses, elevando a demanda por ienes. Nesse cenário, o potencial de valorização adicional do dólar frente à moeda japonesa tende a se tornar mais limitado, embora uma reversão sustentada ainda dependa de mudanças mais profundas nas condições monetárias.

· 05:03 — Qualidade e renda para diferentes ciclos

O Itaú voltou a apresentar um trimestre sólido, reforçando a resiliência de sua operação mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador. A carteira de crédito cresceu cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a margem financeira com clientes avançou 5,1%, para R$ 32,5 bilhões, e a margem com o mercado voltou a superar R$ 900 milhões.

O banco também preservou uma postura disciplinada na gestão de riscos, com o custo do crédito estável em 2,7% da carteira e apenas uma deterioração limitada dos indicadores de inadimplência. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais cresceram apenas 3,1%. O principal ponto de atenção ficou nas receitas de serviços, que avançaram somente 2,3% e levaram à revisão para baixo do guidance dessa linha, refletindo um ambiente de maior competição e menor capacidade de repasse de tarifas.

Ainda assim, a combinação entre crescimento, controle de custos e qualidade de crédito permitiu ao Itaú alcançar lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em relação ao ano anterior, e ROE de 24,3%, um dos patamares mais elevados do setor. Para estratégias voltadas à geração de renda, essa capacidade recorrente de produzir lucros, aliada à elevada rentabilidade e a um balanço conservador, sustenta uma perspectiva consistente de remuneração aos acionistas mesmo em um ciclo econômico menos favorável.

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Embora o ritmo de expansão esteja mais moderado do que nos últimos anos, os resultados reforçam a qualidade do banco e mantêm nossa leitura construtiva para as ações do Itaú, especialmente em estratégias que buscam combinar geração de renda, previsibilidade e valorização de capital no longo prazo.

Em um ambiente ainda marcado por juros elevados, incerteza fiscal e maior seletividade por parte dos investidores, entendemos que a busca por renda deve estar apoiada, sobretudo, em ativos de qualidade, com balanços sólidos, geração de caixa previsível e capacidade recorrente de distribuir proventos. É justamente essa filosofia que orienta a Carteira Recomendada Renda Extra, uma estratégia diversificada entre diferentes classes de ativos que busca combinar geração de renda com preservação e crescimento patrimonial ao longo do tempo.

Entre suas posições está o Itaú, exemplo de companhia com elevada rentabilidade, disciplina financeira e histórico consistente de remuneração aos acionistas. Os proventos recebidos podem ser utilizados como fonte de renda ou reinvestidos na própria estratégia, potencializando o efeito da capitalização composta e reforçando uma carteira construída em torno de ativos previsíveis, resilientes e capazes de atravessar diferentes ciclos econômicos.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.