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Setembro começou com algumas nuvens carregadas — tanto no sentido literal quanto no figurado.
Lá fora, o petróleo voltou a disparar e aumenta a pressão sobre uma inflação americana que já vinha preocupando o Federal Reserve. Com o CPI de agosto previsto para esta manhã e a próxima decisão de juros marcada para a semana que vem, o mercado tenta entender até que ponto o choque de energia pode mudar novamente a trajetória da política monetária.
No Brasil, a história é diferente. O Ibovespa voltou aos 188 mil pontos, enquanto juros futuros recuaram, em um movimento de maior propensão a risco.
E, para quem olha além das telas, setembro também marca o início de uma nova safra de soja. As máquinas começam a entrar no campo justamente quando as projeções climáticas apontam para um El Niño potencialmente excepcional.
00:30 – Petróleo segue no centro das atenções
O barril encerrou a quinta-feira perto de US$ 109, cerca de US$ 8 acima do dia anterior, com o mercado incorporando a perspectiva de um conflito mais prolongado entre Estados Unidos, Israel e Irã e, principalmente, a dificuldade de normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz.
A pressão já chegou ao consumidor americano. O preço médio da gasolina regular está próximo de US$ 4,28 por galão, enquanto o diesel ultrapassou US$ 6 pela primeira vez. Além do impacto direto sobre a inflação, a energia mais cara tende a elevar os custos de transporte e produção, justamente em um momento em que o Fed tenta avaliar se as pressões sobre os preços estão, de fato, perdendo força.
1:15 – É dia de CPI
Essa discussão ajuda a explicar por que o CPI desta sexta-feira ganhou importância adicional. A expectativa é de aceleração da inflação cheia em agosto, com a gasolina entre os principais responsáveis pelo movimento. Mais do que o número isolado, o mercado estará atento à extensão da pressão sobre outros componentes e aos sinais de persistência inflacionária.
O efeito já aparece nos preços dos ativos. Os juros dos Treasuries avançaram para máximas de vários anos, enquanto o mercado aumentou as apostas em uma possível alta de juros pelo Fed em setembro. Ao mesmo tempo, o S&P 500 completou quatro sessões consecutivas de queda, sua maior sequência negativa desde junho.
A reunião do Federal Reserve da próxima semana, portanto, chega em um momento especialmente delicado. Se o CPI mostrar que o choque de energia começa a contaminar a inflação de forma mais ampla, a discussão pode deixar de ser apenas sobre quando o Fed voltará a subir os juros e passar para o tamanho do aperto necessário.
02:37 – Brasil em outro momento
Nem a disparada do petróleo nem o salto dos yields americanos impediram o Ibovespa de recuperar os 188 mil pontos ontem, com alta de 1,42%. Na curva de juros, o movimento também foi de fechamento nos vértices intermediários e longos. Recentemente, o mercado vem precificando uma maior possibilidade de mudança na política fiscal a partir de 2027.
Do lado dos dados, o IPCA de agosto sai às 9h, com deflação de 0,28% esperada pelo consenso das estimativas da Bloomberg. Sem outros indicadores relevantes previstos para o dia, as atenções também se voltam para a nova pesquisa Datafolha, prevista para depois do fechamento.
03:20 – A safra começa com os olhos no céu
A temporada 2026/27 de soja começa a ganhar forma no Brasil. As primeiras máquinas já entraram no campo, enquanto os agricultores equilibram custos ainda pressionados e uma variável cada vez mais importante para a safra: o clima.
O destaque é a evolução do El Niño. As projeções mais recentes elevaram para 75% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade excepcional, com possibilidade de se tornar o mais forte já registrado. Para o Brasil, o padrão tende a favorecer mais chuvas no Sul, ao mesmo tempo que aumenta o risco de calor e maior irregularidade das precipitações no Centro-Oeste — justamente quando o plantio da soja começa a avançar.
Isso adiciona uma dose extra de incerteza a uma safra que já começa com atenção redobrada às margens. A combinação entre custos elevados e maior risco climático torna a janela de plantio e a produtividade ainda mais relevantes para o resultado do produtor.
05:02 – Olhar para o que ficou para trás
Nos FIIs, os descontos continuam chamando atenção, em especial nos fundos de tijolo. Embora o Ibovespa tenha engatado uma retomada, o IFIX continua com desempenho negativo no acumulado do mês e do ano. Em nossa visão, o momento abre uma janela interessante de entrada.
O VISC11 (Vinci Shopping Centers) é um dos principais FIIs de shoppings do mercado, com portfólio amplo e diversificado geograficamente, cobrindo as principais regiões do país. Gerido pela Vinci Compass, o fundo busca renda e ganho de capital por meio de participações em shopping centers, com histórico consolidado de gestão ativa, boa liquidez das cotas e relevância no IFIX.
Recentemente, o fundo avançou em sua estratégia de reciclagem de portfólio. Na prática, esse destravamento de valor e o reforço de caixa abrem espaço para uma dinâmica mais favorável de distribuição: parte do resultado extraordinário e da maior flexibilidade financeira pode se traduzir em dividendos mais robustos ou sustentáveis no médio prazo, à medida que a reciclagem avance e as obrigações do fundo sejam equacionadas.
Em um contexto recente de recuo das cotações dos FIIs, aliado ao avanço concreto da tese de reciclagem e ao potencial de destravamento de dividendos, entendemos a janela atual como oportuna para investimento no VISC11, que negocia a aproximadamente 0,90 vez o seu valor patrimonial.