(Imagem: iStock.com/Darren415)
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, está “sob nova direção”: em sua presidência, agora está Kevin Warsh, indicado por Donald Trump. Quando o nome de Warsh foi anunciado, o mercado se perguntou: será que seu mandato estaria ali para obedecer às ordens de Trump – que gosta de juros baixos?
De qualquer forma, a primeira reunião do “novo Fed” trouxe discurso endurecido e o fim do famoso forward guidance, surpreendendo alguns e fazendo com que parte do mercado (incluindo membros do Fed) já começasse a precificar alta nos juros americanos ainda este ano.
Por mais que possa parecer uma realidade mais distante para alguns, tudo isso pode impactar o bolso do investidor brasileiro também. A taxa básica de juros norte-americana é a referência global de taxa livre de risco: ou seja, serve como “ponto de partida” para precificar praticamente qualquer outro investimento no mundo.
O Empiricus Podca$t deste sábado (11) está no ar com Laís Costa e Matheus Spiess, analistas da casa, para discutir o assunto e explicar o que um investidor brasileiro pode esperar deste cenário a partir de agora. Confira:
Postura hawkish de Warsh: combate à inflação ou apenas ‘compra de credibilidade’?
Laís Costa comenta que o tom mais hawkish do “novo” Fed pode ser uma forma de “comprar” credibilidade, considerando que Warsh estava sob escrutínio por ser um indicado de Trump, que tem um histórico de buscar exercer sua influência sobre instituições.
O líder da Casa Branca, por sua vez, proferia ataques incessantes ao antecessor de Warsh, Jerome Powell, demandando cortes nos juros enquanto este conduzia um período de manutenção nas taxas.
“Ele [Warsh] entra com essa dívida de credibilidade a ser paga ao mercado”, afirma Laís.
Já Matheus Spiess completa que “seja como for, ele não tem outra escolha a não ser soar hawkish” porque, para buscar juros mais baixos, é necessário conduzir a política monetária da forma como o momento econômico pedir.
“Se você coloca alguém que pode ser mais leniente com a inflação, você compromete a eficácia da política monetária. Você quer alguém que corte juros? Então precisa colocar alguém que esteja disposto a combater a inflação custe o que custar”, afirma.
Retirada do forward guidance: mercado perdeu uma bússola?
Um dos pontos que mais chamou a atenção do mercado na última reunião do Fed foi a retirada do forward guidance – diretrizes deixadas pelo órgão que indicavam a direção de suas próximas decisões.
Para muitos, há o questionamento de que o mercado pode ter perdido uma “bússola” que imprimia maior senso de previsibilidade, ajudando na ancoragem de expectativas para os juros futuros.
Para Laís Costa, as consequências dessa decisão ainda são incertas. “É um pouco cedo, vamos ter que acompanhar para entender se adicionaremos um prêmio adicional na curva de juros, por conta de falta de informação ou previsibilidade”, afirma.
Já na visão de Matheus Spiess, eventualmente, a decisão pode ser positiva.
“O excesso de informação tem feito com que o mercado deixe de se apegar à economia real e aos dados em si. Isso aumenta a volatilidade relativa, gera uma artificialidade adicional ao preço dos ativos”, afirma. “Talvez esse seja o caminho que ele [Warsh] esteja tentando abordar nessa supressão de comunicação”.
O que o investidor brasileiro ‘tem a ver’ com tudo isso? Assista ao episódio de hoje para conferir
“A taxa americana é referência mundial de taxa livre de risco. Acaba balizando os juros ao redor do mundo, e dialoga com a nossa realidade. Corte de juros ‘lá’ dá margem para cortes de juros aqui. E o contrário também”, afirma Spiess.
Considerando que todas as economias globais olham para os Estados Unidos, o analista comenta que a mudança de comunicação do Federal Reserve muda a realidade não só do investidor americano, mas do brasileiro também. “Falar de juros americanos e Kevin Warsh parece distante, mas não é. É bem próximo”, conclui.
Para conferir a conversa na íntegra, e entender o que está em jogo para a sua carteira de investimentos, assista ao episódio a partir de agora: