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A Micron (B3: MUTC34 | Nasdaq: MU), companhia que já contribuiu com mais de 160% de retorno para nossa carteira temática de inteligência artificial, reportou seu último trimestre do ano fiscal de 2026, registrando novas máximas de receita, margem bruta e lucro por ação ajustado, todos acima dos respectivos tetos do guidance e do consenso projetado.
Destaques por segmentos da Micron (MUTC34)
A receita total somou US$ 54,23 bilhões, alta de 379% na comparação anual e o sexto recorde consecutivo de faturamento trimestral, enquanto as expectativas apontavam para algo próximo de US$ 51,5 bilhões.
As memórias DRAM contribuíram com US$ 39,8 bilhões (+343% a/a), o equivalente a 73% do total, enquanto a NAND contribuiu com US$ 14,1 bilhões (+526% a/a), ou 27% da receita. O avanço segue refletindo preços firmes em ambiente de oferta restrita.
A Micron divide as vendas em quatro frentes de acordo com a destinação final do produto. As principais são as memórias para data center corporativo (Core Data Center) e provedores de cloud (Cloud Memory), que concentraram a maior parte do faturamento, com US$ 18,00 bilhões (+1.042% a/a) e US$ 16,28 bilhões (+258% a/a), respectivamente.
A receita com o uso em celulares e computadores (Mobile and Client) somou US$ 13,11 bilhões (+249% a/a), enquanto a receita com o uso em automóveis, indústria e dispositivos inteligentes somou US$ 6,82 bilhões (+376% a/a).
Ponto de atenção: as margens
Enquanto o mercado já precificava uma certa superação na receita, as margens se tornaram um dos principais pontos de atenção, com os investidores avaliando se os patamares atingidos no trimestre anterior seriam apenas temporários ou se poderiam continuar avançando.
No consolidado, o lucro bruto ajustado alcançou 87,0% da receita, expandindo 2,1 p.p. frente ao visto no 3T26 e 41,3 p.p. na comparação anual. O lucro operacional ajustado, por sua vez, representou 82,3% da receita, com melhora de 1,1 p.p. sequencialmente e incríveis 47,3 p.p. anualmente.
Na linha final, o lucro líquido ajustado totalizou US$ 38,40 bilhões (11,1 vezes o registrado no 4T25), equivalente a US$ 33,42 de lucro por ação ajustado (+1.003% a/a), também acima do esperado pelo mercado.
Em relação ao consolidado do ano fiscal de 2026, a receita somou US$ 133,19 bilhões (+256% a/a), com a receita de DRAM ultrapassando US$ 100 bilhões no período, e a frente de data center avançou cerca de quatro vezes em relação ao ano fiscal anterior.
No lado de eficiência, a margem bruta ajustada chegou a 81,1% (+40,2 p.p. a/a) e a margem operacional ajustada, a 76,0% (+47,0 p.p. a/a). O lucro líquido ajustado totalizou US$ 86,76 bilhões, equivalente a US$ 75,52 de lucro por ação ajustado, alta de 811% na comparação anual.
Contratos de longo prazo podem trazer segurança aos investidores
Além dos financials, a Micron adicionou mais 10 contratos de longo prazo com clientes apenas nesse trimestre, acumulando um total de 26 contratos com prazos até 2031. Considerando o valor total, os compromissos se aproximam de US$ 150 bilhões, e somente nesse trimestre foram adicionados US$ 50 bilhões a esse total.
Esses contratos também foram um dos pontos mais esperados pelos investidores, uma vez que tornam a receita cada vez mais previsível e dão maior segurança para a expansão de novas fábricas e para os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Retornando valor ao acionista, o conselho manteve o dividendo trimestral em US$ 0,15 por ação, que será pago em 29 de outubro.
Em relação ao guidance do próximo trimestre, a companhia projeta receita entre US$ 60 bilhões e US$ 63 bilhões, margem bruta ajustada em torno de 86,3% e lucro por ação ajustado entre US$ 37,15 e US$ 39,15 — valores acima do esperado.
Micron (MUTC34) segue como recomendação da Empiricus
Mesmo apresentando ótimos resultados, a companhia segue negociada a 6,6x os lucros projetados para os próximos 12 meses.
Em nossa visão, é um múltiplo ainda baixo diante do ritmo de crescimento apresentado e da posição privilegiada da Micron como uma das principais beneficiárias, em tempo real, do capex elevado que as empresas de tecnologia vêm direcionando à corrida pela inteligência artificial.
Dada a qualidade das operações da companhia e a demanda por memória estruturalmente pressionada, seguimos recomendando compra para as ações da Micron (B3: MUTC34 | Nasdaq: MU).