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Investimentos

Microsoft (MSFT34): resultados trimestrais superam expectativas e ações sobem; hora de comprar?

Receita da Microsoft (MSFT34) soma US$ 92,3 bilhões no período, e ações chegam a subir 4% no after-market; veja se vale a pena investir agora

Matheus Spiess 2026

Por Matheus Spiess

29 out 2026, 10:15

•

Atualizado em 29 out 2026, 11:27

microsoft

(Imagem: iStock.com/jewhyte)

Ontem (28), após o fechamento dos mercados, a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) divulgou os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 (encerrado em setembro). Os números superaram as projeções dos analistas e impulsionaram a ação no after-market, com alta de 2% a 4%.

A receita no trimestre foi de US$ 92,3 bilhões, alta de 19% e acima do consenso de cerca de US$ 90,6 bilhões.

Alterações na estrutura de reporte

Antes de analisar cada frente de negócio, vale lembrar que a companhia alterou sua estrutura de reporte em meados de setembro, mudança que passou a valer neste trimestre.

A nova divisão Agents and Infrastructure reúne as antigas Productivity and Business Processes (P&BP), Intelligent Cloud (IC) e More Personal Computing (MPC), consolidando operações de computação em nuvem e serviços comerciais do Microsoft 365. Já Devices and Consumer engloba games (Xbox), dispositivos, LinkedIn e outras operações voltadas ao consumidor.

Microsoft (MSFT34): Azure é destaque na receita

A receita de Agents and Infrastructure somou US$ 76,8 bilhões (+25% a/a), impulsionada principalmente pelo Azure, cuja receita cresceu 48%, superando tanto as expectativas do mercado quanto a projeção de crescimento de 45% da companhia. Em contrapartida, Microsoft 365, pesquisa e publicidade e Industry Solutions apresentaram um ritmo de expansão menos intenso.

As obrigações contratuais comerciais (Remaining Performance Obligations — RPO), que representam receitas contratadas ainda não reconhecidas contabilmente e previstas para serem reconhecidas conforme a entrega de produtos e serviços, seguiram em patamar elevado, alcançando US$ 677 bilhões, alta de 73%.

O aumento dos custos com infraestrutura de nuvem e um mix de receitas menos favorável pressionaram a margem bruta, que ficou em 68% (−1 p.p. a/a). Já a margem operacional encerrou o período em 50%, alta de 0,1 p.p. na comparação anual, impulsionada por ganhos de eficiência.

Geração de caixa segue consistente

Na linha final, o lucro líquido ajustado, excluindo o impacto das participações na OpenAI, totalizou US$ 36,6 bilhões, ou US$ 4,89 por ação ajustada, alta de 18% na comparação anual e marginalmente acima do consenso, de aproximadamente US$ 4,72.

Mesmo com investimentos expressivos em tecnologia, refletidos em um capex de US$ 39,37 bilhões, a companhia gerou US$ 18,63 bilhões em fluxo de caixa, demonstrando capacidade de financiar parte relevante de seus investimentos sem comprometer a geração de caixa.

Em relação ao guidance para o próximo trimestre, a receita total deve ficar entre US$ 94,5 bilhões e US$ 95,3 bilhões, enquanto a companhia mantém a projeção de crescimento de 45% para o Azure, apesar do desempenho acima do esperado neste trimestre.

Ações da Microsoft (MSFT34) valem a pena agora?

A resiliência dos resultados, aliada à geração consistente de caixa em meio aos elevados investimentos em tecnologia, é um dos pontos relevantes que o mercado vem analisando nas Magnificent Seven (Mag 7). Enquanto algumas dessas empresas vêm consumindo caixa, a Microsoft demonstra capacidade de financiar seus investimentos e manter disciplina na alocação de capital. Além disso, os resultados acima das expectativas ajudam a explicar a valorização da ação no after-market.

Com parte da confiança do mercado já refletida no preço, especialmente diante da expansão do Azure, a companhia negocia a cerca de 26 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média de aproximadamente 28,5 vezes observada nos últimos cinco anos.

Mantemos a recomendação de compra para a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT), uma das principais posições nas carteiras internacionais da casa.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.