(Imagem: iStock.com/jewhyte)
Ontem (28), após o fechamento dos mercados, a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT) divulgou os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 (encerrado em setembro). Os números superaram as projeções dos analistas e impulsionaram a ação no after-market, com alta de 2% a 4%.
A receita no trimestre foi de US$ 92,3 bilhões, alta de 19% e acima do consenso de cerca de US$ 90,6 bilhões.
Alterações na estrutura de reporte
Antes de analisar cada frente de negócio, vale lembrar que a companhia alterou sua estrutura de reporte em meados de setembro, mudança que passou a valer neste trimestre.
A nova divisão Agents and Infrastructure reúne as antigas Productivity and Business Processes (P&BP), Intelligent Cloud (IC) e More Personal Computing (MPC), consolidando operações de computação em nuvem e serviços comerciais do Microsoft 365. Já Devices and Consumer engloba games (Xbox), dispositivos, LinkedIn e outras operações voltadas ao consumidor.
Microsoft (MSFT34): Azure é destaque na receita
A receita de Agents and Infrastructure somou US$ 76,8 bilhões (+25% a/a), impulsionada principalmente pelo Azure, cuja receita cresceu 48%, superando tanto as expectativas do mercado quanto a projeção de crescimento de 45% da companhia. Em contrapartida, Microsoft 365, pesquisa e publicidade e Industry Solutions apresentaram um ritmo de expansão menos intenso.
As obrigações contratuais comerciais (Remaining Performance Obligations — RPO), que representam receitas contratadas ainda não reconhecidas contabilmente e previstas para serem reconhecidas conforme a entrega de produtos e serviços, seguiram em patamar elevado, alcançando US$ 677 bilhões, alta de 73%.
O aumento dos custos com infraestrutura de nuvem e um mix de receitas menos favorável pressionaram a margem bruta, que ficou em 68% (−1 p.p. a/a). Já a margem operacional encerrou o período em 50%, alta de 0,1 p.p. na comparação anual, impulsionada por ganhos de eficiência.
Geração de caixa segue consistente
Na linha final, o lucro líquido ajustado, excluindo o impacto das participações na OpenAI, totalizou US$ 36,6 bilhões, ou US$ 4,89 por ação ajustada, alta de 18% na comparação anual e marginalmente acima do consenso, de aproximadamente US$ 4,72.
Mesmo com investimentos expressivos em tecnologia, refletidos em um capex de US$ 39,37 bilhões, a companhia gerou US$ 18,63 bilhões em fluxo de caixa, demonstrando capacidade de financiar parte relevante de seus investimentos sem comprometer a geração de caixa.
Em relação ao guidance para o próximo trimestre, a receita total deve ficar entre US$ 94,5 bilhões e US$ 95,3 bilhões, enquanto a companhia mantém a projeção de crescimento de 45% para o Azure, apesar do desempenho acima do esperado neste trimestre.
Ações da Microsoft (MSFT34) valem a pena agora?
A resiliência dos resultados, aliada à geração consistente de caixa em meio aos elevados investimentos em tecnologia, é um dos pontos relevantes que o mercado vem analisando nas Magnificent Seven (Mag 7). Enquanto algumas dessas empresas vêm consumindo caixa, a Microsoft demonstra capacidade de financiar seus investimentos e manter disciplina na alocação de capital. Além disso, os resultados acima das expectativas ajudam a explicar a valorização da ação no after-market.
Com parte da confiança do mercado já refletida no preço, especialmente diante da expansão do Azure, a companhia negocia a cerca de 26 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média de aproximadamente 28,5 vezes observada nos últimos cinco anos.
Mantemos a recomendação de compra para a Microsoft (B3: MSFT34 | Nasdaq: MSFT), uma das principais posições nas carteiras internacionais da casa.