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Investimentos

Ibovespa hoje: Fed mantém juros nos EUA, empresas de tecnologia sob pressão e reforma tributária no Brasil; veja destaques desta quinta (29)

Em decisão com votos dissidentes, Fed mostra confiança elevada no cenário de desaceleração futura da inflação

Lais Costa 2026

Por Lais Costa

29 out 2026, 10:27

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Atualizado em 29 out 2026, 10:27

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Os mercados começam esta quinta-feira com pressão concentrada em tecnologia. Os futuros do Nasdaq 100 recuam cerca de 0,8%, enquanto os do S&P 500 caem 0,2%, depois de resultados de Alphabet e Samsung reacenderem a pergunta que deve acompanhar o setor nos próximos trimestres: quanto do enorme investimento em inteligência artificial vai efetivamente virar lucro?

Ao mesmo tempo, o Fed decidiu ontem manter os juros no intervalo de 3,75% e 4,00% ao ano, em uma decisão com dois votos dissidentes favoráveis a uma alta de 25 pontos-base. Na Europa, o debate fiscal continua ganhando espaço, enquanto no Brasil a reforma tributária e o novo cenário político depois das eleições entram no radar.

00:40 — O mercado começa a cobrar a conta da IA

Depois de meses em que anunciar mais investimentos em inteligência artificial era praticamente sinônimo de valorização, o mercado começa a exigir algo adicional: retorno.

A Alphabet cai cerca de 10% no pré-mercado, depois de vendas abaixo das expectativas e novas preocupações de que o aumento expressivo dos investimentos ainda não esteja se traduzindo em resultados na mesma velocidade. A Samsung também recuou mais de 4% na Ásia, com lucro da divisão de chips abaixo das projeções e aumento do capex.

Isso não significa que o ciclo de IA acabou. Mas a discussão está mudando. Depois de centenas de bilhões de dólares direcionados a chips, data centers e infraestrutura, os investidores começam a diferenciar mais claramente quem está simplesmente gastando de quem consegue transformar esse investimento em crescimento de caixa e lucros.

Os próximos resultados devem ajudar a testar essa tese. Amazon divulga números hoje e Apple vem na próxima semana. Se essa cobrança por monetização continuar crescendo, podemos começar a ver uma seleção muito maior dentro do próprio trade de inteligência artificial.

01:45 — Warsh mostra um Fed menos refém do dado do mês

O Fed manteve ontem a taxa entre 3,75% e 4,00%, em uma decisão por 10 votos a 2. Beth Hammack e Lisa Cook defenderam uma alta de 25 pontos-base. O comunicado aumentou o tom em relação a avaliação de que a atividade segue forte e a inflação permanece elevada.

O mais interessante, porém, está na forma como Kevin Warsh vem conduzindo o banco central. Sob sua liderança, o Fed parece dar mais peso ao cenário de médio prazo e menos importância à reação imediata dos dados entre duas reuniões.

Isso ajuda a entender a decisão de ontem. Desde a última reunião, inflação, atividade e mercado de trabalho apresentaram números que, isoladamente, poderiam justificar uma nova alta. Ainda assim, o Comitê optou por esperar.

Nossa leitura é que isso mostra confiança elevada no cenário de desaceleração futura da inflação, à medida que o aperto monetário já implementado continua atravessando a economia. Em vez de responder a cada dado mais forte com uma nova alta, o Fed parece confortável em espaçar os movimentos.

Por isso, continuamos vendo espaço para mais duas altas, mas provavelmente em reuniões intercaladas. A mensagem não é de fim do ciclo de aperto; é de um Fed disposto a dar tempo para que as condições monetárias façam efeito.

Também tivemos a divulgação do PIB americano do terceiro trimestre, que cresceu 3,4% em termos anualizados, acima dos 3,2% esperados pelo mercado. A composição também foi forte: a demanda doméstica privada avançou 4,9%, com consumo das famílias crescendo 3,8% pelo segundo trimestre consecutivo e investimento empresarial acelerando, especialmente em equipamentos, que subiram 21%.

Ao mesmo tempo, o núcleo do PCE avançou 0,32% em setembro e voltou a 3,1% em 12 meses, reforçando a leitura de uma economia ainda bastante resiliente e de uma inflação que segue desconfortavelmente acima da meta. O dado ajuda a explicar por que, apesar da pausa de ontem, o Fed ainda mantém um viés de aperto para as próximas reuniões.

03:00 — Fiscal continua incomodando na Europa

Na Europa, o fiscal continua ocupando espaço cada vez maior na discussão dos mercados.

No Reino Unido, o novo orçamento prevê medidas capazes de elevar as receitas em aproximadamente £ 6,6 bilhões até 2030-31, acompanhadas de cerca de £ 1,6 bilhão em gastos adicionais. O próprio governo já sinalizou que decisões mais difíceis sobre despesas ainda serão necessárias nos próximos anos.

O problema é mais amplo do que o Reino Unido. Os juros soberanos elevados começam a apertar as condições financeiras em boa parte da Europa, enquanto a França continua enfrentando uma combinação particularmente desconfortável de déficit fiscal elevado e pressão no mercado de títulos.

Ao mesmo tempo, a inflação europeia permanece pressionada principalmente pela energia, enquanto a atividade perde força. Isso coloca o BCE em uma posição delicada: apertar mais os juros ajuda no combate à inflação, mas aumenta ainda mais a pressão sobre crescimento e dívida pública.

04:10 — Reforma tributária entra na fase em que ganhadores e perdedores aparecem

No Brasil, a implementação da reforma tributária começa a ganhar contornos mais concretos. O TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS, que substituirá PIS e Cofins e começa a ser efetivamente cobrada em 2027. A proposta ainda passará pelo Senado.

Somando CBS e IBS, algumas estimativas colocam a tributação total sobre consumo próxima de 30%, embora a alíquota final ainda não esteja definida. E aqui existe uma distinção importante: o cálculo da CBS foi desenhado para preservar a arrecadação agregada, e não necessariamente para aumentar a carga tributária total.

O que pode mudar bastante é quem paga essa conta.

Empresas de serviços intensivas em mão de obra aparecem entre as mais expostas porque salários não geram créditos tributários. Já companhias com cadeias maiores de insumos tendem a aproveitar melhor o sistema de créditos. Ou seja, mesmo que a arrecadação total permaneça semelhante, a distribuição da carga entre setores pode mudar significativamente.

Tudo isso acontece poucos dias depois do segundo turno. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE.

Flávio afirmou posteriormente que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e alegou fraude eleitoral sem apresentar provas. O resultado foi reconhecido pelo TSE e pelo próprio PL.

Com a eleição encerrada, portanto, o foco do mercado começa a migrar do resultado das urnas para algo mais concreto: qual será a capacidade do próximo governo de executar sua agenda econômica e fiscal em um Congresso politicamente fragmentado.

05:20 — Inflação curta ainda oferece uma boa assimetria

No Brasil, a piora das expectativas em torno do ajuste fiscal e a fraqueza recente do real aumentam o risco de uma inflação mais pressionada no curto prazo. Esse cenário favorece os títulos indexados ao IPCA, que passam a combinar proteção inflacionária com um carrego mais interessante.

Ao mesmo tempo, os juros reais já passaram por uma correção relevante, levando as taxas dos títulos IPCA+ novamente para níveis atrativos. Ou seja, além da inflação corrente, o investidor também consegue travar uma taxa real elevada.

É justamente aí que entra o PACC11, que concentra exposição em títulos indexados à inflação de duration mais curta. Essa característica adiciona uma camada importante de proteção contra novas aberturas da curva de juros, reduzindo a volatilidade em comparação com posições de prazo mais longo.

Por isso, vemos o PACC11 como uma alternativa interessante para capturar inflação mais alta, juros reais elevados e menor risco de duration dentro da renda fixa.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.