Investimentos

Onde e como investir agora?

Este é um relatório menos técnico do que o habitual. Fala de ideias. Transmite basicamente nossas principais convicções de investimento para já, de forma simples e direta, num tom de conversa.

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Data de publicação
2 de dezembro de 2015
Categoria
Investimentos

Este é um relatório simples e direto. Ele atende de forma bastante pragmática e objetiva a uma demanda dos próprios leitores da Empiricus. Transmite basicamente minhas principais convicções de investimento para o segundo semestre de 2016, num tom de conversa. Como se pudesse, quase sem filtro, fazer com que os leitores entrem dentro de minha cabeça.

São cinco temas devidamente escolhidos. Poderiam ser seis ou quatro. Tanto faz.

Nenhuma predileção específica pelo número – selecionei apenas aquelas de maior convicção. O objetivo maior é a proteção do patrimônio, num ano que continua bastante desafiador.

A esta altura, deve ser claro a todos que o panorama para investimentos é bastante delicado, com mais um ano de recessão, mesmo após um 2015 trágico, e uma inflação que ainda deve ser alta – receio, inclusive, de que a inflação será superior à expectativa média e havemos de estar atentos a isso.

Tudo isso permeado pela continuidade da crise política, mas também pela diminuição da possibilidade de mais subidas da taxa de juro nos EUA no curto prazo, que pode joga a favor da atratividade relativa dos mercados emergentes e do Brasil em particular.

Esse é o ambiente permeando as recomendações abaixo – não pretendo convencer o leitor a seguir cada uma das cinco ideias. Há diferentes perfis de investimento, que podem se identificar com ideias distintas, portanto.

Meu objetivo com este texto é de que mesmo a implementação de apenas um dos itens, seja ele qual for, já coloque o investidor numa posição melhor.

Deixo claro: não pretendo que as considerações aqui expostas esgotem os assuntos; sintetizo ao máximo os racionais, de forma a ganhar em objetividade e deixar apenas o essencial.

Dólar

Desde a abertura do processo de impeachment de Dilma pelo Senado, temos um ambiente que nos parece menos favorável ao dólar e mais profícuo ao real.

Isso porque a principal força motriz para o dólar, anteriormente ventilada, associada ao prognóstico de possível elevação do juro básico dos EUA, parece descartada. Até mesmo o mês de junho fora cogitado para retomada do aperto monetário norte-americano, o que obviamente não se confirmou. Depois de uma série de indicadores indicando maior morosidade da economia dos EUA, especialmente depois do Brexit, uma subida do juro básico parece descartado no curto prazo. De acordo com cotações do mercado de juros futuros, setembro já é praticamente carta fora do baralho. Mesmo dezembro pode estar em risco.

Juros zerados nos EUA por mais tempo são uma sinalização contundente em favor do fluxo de capitais para mercados emergentes, em especial àqueles com elevado diferencial de juros, grupo do qual o Brasil é a representação mais emblemática.

E se, eventualmente, os bancos centrais dos demais países industrializados (nominalmente, BoJ, BoE e BCE) adotarem novos estímulos monetários, teremos um reforço adicional em prol das moedas emergentes, justificando assim a maior atratividade relativa do real.

Saliento ainda que a aversão a risco catalisada com o Brexit, cuja destruição total de valor nos mercados foi a maior da história ao ultrapassar US$ 3 trilhões, me pareceu exagerada. A questão em si traz pouco efeito material – pode afetar na margem exportações britânicas à Europa e impactar indústria financeira de Londres, mas Reino Unido continuará tendo na União Europeia seu principal mercado consumidor.

Além disso, a preocupação mais intensa, de que o evento pudesse espraiar-se para outros países, alimentando a probabilidade de falência completa do projeto da Europa unida, arrefeceu diante da reação negativa no Reino Unido e ao prognóstico de que as negociações para a saída podem ser bastante duras. Dados os efeitos negativos para o Reino Unido, o evento pode, contraintuitivamente, ser até mais favorável para o projeto europeu.

Paralelamente, a postura dos formuladores da política econômica brasileira traz argumentos em prol da apreciação adicional do real a curto prazo. Destarte, o primeiro Relatório Trimestral de Inflação assinado por Ilan Goldfajn mostrou postura mais hawkish (mais dura em relação ao juro) do que se antecipava. Em outras palavras, a Selic continua inalterada a curto prazo, afastando suposições de alívio monetário imediato. Com a Selic mantida por aqui e Bancos Centrais globais ampliando seus incentivos, o diferencial de juro interno diante do internacional aumenta, aumentando a atratividade relativa dos ativos brasileiros, o que, obviamente, reforça a demanda por reais.

Para referendar o argumento, em entrevista após o Relatório Trimestral de Inflação, Ilan sugeriu menor intervenção no mercado de câmbio, flertando com a possibilidade de valorização adicional na moeda brasileira e uso, mesmo que não deliberado, da âncora cambial para combater a inflação.

Cumpre ainda dizer que houve conquistas muito importantes na pauta política local que acabaram sobrepujadas por outras notícias mais quentes do ponto de vista jornalístico e pelo próprio Brexit. Além da DRU e da nova meta fiscal já aprovadas previamente, tivemos a nova lei das estatais, possibilidade de 100% do capital das aéreas para estrangeiros e acordo sobre dívida com estados. A melhora do ambiente institucional e o bom relacionamento com o Congresso pavimentam a via para atração de fluxo internacional.

Antes de encerrar a parte relativa ao dólar, cumpre dizer que o posicionamento na moeda norte-americana desempenha importante papel de hedge e diversificação relativamente aos demais ativos da carteira, em especial aqueles de maior risco, num momento de elevada incerteza da economia mundial.

Como recomendação pragmática, portanto, fica: cada vez que o dólar se afastar dos R$ 3,50 e aproximar-se dos R$ 3,00, vale a pena reforçar posição. A exposição não precisa ser muito grande, dado que o juro no Brasil é muito alto e estamos em torno do equilíbrio de longo prazo. Algo como 10% a 15% do seu portfólio parece fazer sentido neste cenário.

Como devo fazer para ver o relatório completo?

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