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Qual será o futuro das criptomoedas? Especialistas debatem as expectativas com relação à Web 3.0

João Zecchin, da Fuse Capital, e Samir Kerbage, da Hashdex, comentam os novos rumos para o universo de criptoativos em evento de comemoração de aniversário do Grupo Empiricus

Por Mara Mendes

3 de novembro de 2022, 13:57

Vinícius Bazan, Samir Kerbage e João Zecchin
Imagem: Empiricus

Qual será o futuro das criptomoedas? Ou melhor ainda, o futuro do futuro? Na última segunda-feira (31), o especialista em criptomoedas da Empiricus Research, Vinícius Bazan,  debateu o tema que abarca este ativo tão atual e talvez ainda um pouco misterioso para alguns investidores no evento Market Changers, em comemoração aos 13 anos do Grupo Empiricus.

Ao lado de outros dois especialistas no assunto, João Zecchin, da Fuse Capital e Samir Kerbage, da Hashdex, a discussão se deu em torno de como aconteceram as mudanças até aqui e o que ainda está por vir. Partindo do surgimento das criptomoedas, em 2008 com o Bitcoin, rumo ao que há de novo neste universo. 

As criptomoedas sofreram mudanças significativas nos últimos anos

A reflexão partiu do questionamento de Bazan sobre o que mudou desde 2018, ano significativo para as criptomoedas pelas variações de preço e pelo surgimento de novas moedas, até os dias atuais. 

De 2020 para cá, o interesse público sobre o assunto  cripto aumentou muito, assim como o investimento nelas. Muita coisa vem sendo criada, desde então, em termos de tecnologia, principalmente. 

Para Samir Kerbage, a diferença, mesmo em um período curto de tempo, é brutal: “A gente está no mesmo nível de preço de 2018, mas num estágio de maturação muito diferente”, explica. A maioria dos projetos, ele diz, ainda estão em fase experimental, e muitas novidades estão por vir. 

As expectativas também aumentaram com o passar dos anos. Durante a queda do mercado cripto, em 2018, US$ 5 bilhões foram investidos, o que criou  uma “ultraonda” que fez o valor de mercado das criptomoedas aumentar. Em 2021, ano em que o Bitcoin bateu seu topo histórico, houve recorde de investimento: US$ 20 bilhões. 

Muito semelhante a como se deu o avanço da internet é o que vem acontecendo com a expansão deste universo, segundo Kerbage. Por isso, foram necessários que dois pilares evoluíssem: a infraestrutura e a diminuição do “shift geracional”, isto é, o preparo das pessoas para  acompanhar uma nova tecnologia.

As criptomoedas vêm seguindo um ritmo até um pouco mais acelerado do que a internet seguiu. A nova geração, por exemplo, já conhece o conceito de ativo digital e isso, aos poucos, vai lhes parecer natural. 

Além disso, é necessário considerar ainda que em 2018, não havia regulação do governo americano sob os criptoativos, o que fazia com o que o terreno parecesse inseguro para a população em geral. Agora, em 2022, a realidade é outra

João Zecchin destaca outro ponto importante para a expansão experienciada nos últimos anos. “As melhores cabeças do mundo foram para esse mercado, houve uma evasão de engenheiros sênior”, ele diz. Assim, para ele, é inevitável que o universo se torne algo muito mainstream, porque a quantidade de dinheiro que está sendo investida mostra que ele veio pra ficar. 

O especialista destaca também que, hoje em dia, ninguém mais fala no fim do Bitcoin. Essa mudança sutil, para Samir Kerbage, mostra que tratando-se de criptomoedas, a questão não é mais “se”, mas sim “quando”. A incerteza referente a permanência desse tipo de mercado já foi ultrapassada.

Mudanças estão por vir e transformam o universo das criptomoedas

Não à toa já existe no horizonte uma evolução importante para o mercado, no que diz respeito à infraestrutura para sua sobrevivência e aprimoração: a Web 3.0, que muitos chamam de “nova internet”, e é constituída sobre os conceitos centrais de descentralização, abertura e maior atuação do usuário. 

Na concepção de Zecchin, a Web 3.0 permitirá que você seja proprietário de algo na internet. Existirá, portanto, um banco de dados aberto, em que você é proprietário da sua informação. Ele explicou que as grandes empresas presentes na Web 2.0, hoje, ganham dinheiro com os dados dos usuários. “Você não paga pelo produto, mas você gera toda a receita dele vendendo anúncio para você”, diz.

A Web 3.0 seria então mais democrática no sentido de que, embora as empresas possam fazer uso dos dados, o usuário terá propriedade deles. “Você vai ter uma forma descentralizada de usar artigos do mundo real, de forma virtual e sem barreira”, afirmou Zecchin. 

Uma verdadeira transformação será possível com o novo modelo de internet. Samir Kerbage evidencia, por exemplo, que o conceito de pagamentos é externo à internet hoje e funciona basicamente da mesma forma que começou nos anos 50. “É um sistema super ineficiente e essencialmente analógico”, afirma. 

A Web 3.0 traz exatamente o conceito de pagamento 100% digital, que permite mais eficiência em transações financeiras. Mas, não só isso. “Hoje o que você escreve na internet não é seu, os dados são o grande combustível do século XXI. A quantidade de dados que a gente produz é gigantesca, mas ele não nos pertence”, explicou Zecchin. Com a Web 3.0, o conceito de propriedade de dados também será aprimorado. 

O Brasil, segundo os dois especialistas, está super avançado nas questões de moedas digitais. Para Samir, um grande exemplo é a chegada do PIX. O especialista prevê que, como de praxe, quem não se reinventar vai sair do mercado. “Não acho que é o fim dos bancos, mas com a Web 3.0 se repetirá o mesmo impacto que aconteceu com a chegada da internet e dos grandes conglomerados de imprensa”, diz.

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Sobre o autor

Mara Mendes

Jornalista em formação pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Já passou pelo Jornal da USP, Rádio USP FM, Jornalismo Júnior, LabCidade FAUUSP, Veja São Paulo e escreve, atualmente, para o Money Times e Seu Dinheiro.