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Investimentos

Semana tem Super Quarta e agenda de indicadores econômicos movimentada; veja o que esperar

Além das decisões de política monetária do Fed e do Copom, IPCA-15, dados fiscais e indicadores do mercado de trabalho movimentam semana

Por Matheus Spiess

26 jan 2026, 09:44

Atualizado em 26 jan 2026, 09:44

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Imagem: Freepik

Começamos com a semana que contém a primeira “superquarta” do ano. A expectativa predominante é de manutenção das taxas de juros tanto pelo Federal Reserve, nos EUA, quanto pelo Copom, no Brasil, o que desloca a atenção do mercado para o conteúdo dos comunicados e, principalmente, para qualquer sinalização sobre o possível início de um ciclo de cortes já a partir de março.

Na Europa e na Ásia, a cautela também prevalece, com o noticiário político envolvendo Donald Trump ocupando o centro do palco e deixando a agenda de indicadores em segundo plano, ainda que permaneça relevante para calibrar expectativas de crescimento e inflação.

O grande destaque recente, porém, foi o comportamento do iene. A moeda japonesa registrou sua maior alta diária desde agosto, reagindo a sinais de que o governo do Japão está disposto a atuar para conter a desvalorização cambial.

Declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi reforçando disposição para enfrentar movimentos “especulativos” elevaram as apostas em uma ação mais direta. O resultado foi um iene mais forte, com impactos imediatos sobre a precificação de ativos: o mercado acionário japonês sentiu o golpe, a volatilidade cambial voltou ao centro das atenções.

· 00:57 — Depois de novos recordes

No Brasil, a agenda da semana que encerra janeiro é particularmente carregada, reunindo a prévia da inflação oficial, dados fiscais, indicadores do mercado de trabalho e a decisão de política monetária. Esse conjunto de divulgações vem na esteira de um movimento excepcional dos ativos domésticos: o Ibovespa encerrou a última semana em nova máxima histórica, próximo dos 179 mil pontos, após ter flertado com níveis acima de 180 mil pontos no intraday da sexta-feira. Em apenas cinco pregões, o índice acumulou uma alta de cerca de 14 mil pontos, equivalente a um avanço semanal de 8,53% — o maior em seis anos — e já supera 10% de valorização no mês.

Esse rali tem sido sustentado por volumes elevados de negociação, refletindo a forte rotação global de capitais em direção aos mercados emergentes, representada por um ingresso expressivo de recursos estrangeiros, que já ultrapassa R$ 12 bilhões em janeiro.

O fluxo robusto de capital para o país ajuda a explicar não apenas o patamar recorde da bolsa, mas também o comportamento do câmbio, com o dólar negociando abaixo de R$ 5,30.

A moeda americana acumula queda próxima de 4% no ano, reforçando o efeito combinado de alívio cambial e elevada atratividade do carry trade. Nesse contexto, a expectativa é de que o Banco Central do Brasil mantenha a taxa básica de juros inalterada na reunião desta quarta-feira, possivelmente sinalizando uma comunicação um pouco mais flexível, que preserve a opção de iniciar um ciclo de cortes em março.

Em paralelo, o IPCA-15 de janeiro deve registrar alta de 0,23%, indicando desaceleração em relação a dezembro, mas ainda uma leve aceleração no acumulado em 12 meses. Mesmo assim, se confirmado esse cenário, a leitura é de que a trajetória inflacionária seguirá compatível com as expectativas atuais e dificilmente alterará, por si só, o pano de fundo mais construtivo que hoje orienta o mercado.

· 01:42 — Um certo alívio, ao menos por enquanto

Com a trégua nas tensões geopolíticas, observou-se um alívio nos juros dos Treasuries ao longo de toda a curva, enquanto as bolsas americanas apresentaram um desempenho heterogêneo. Na última sexta-feira, o índice Nasdaq conseguiu avançar levemente, mesmo diante do tombo expressivo das ações da Intel, o S&P 500 praticamente não saiu do lugar, e o Dow Jones Industrial Average recuou, pressionado sobretudo pelo desempenho negativo dos papéis do setor bancário.

Agora, a atenção se concentra na reunião do Federal Reserve e nas falas de seu presidente, Jerome Powell, ao mesmo tempo em que ganham relevância os resultados de grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Meta Platforms, Tesla, Apple e Amazon. Em paralelo, permanece no radar dos investidores a preocupação com uma eventual influência política de Donald Trump sobre o Fed, embora Rick Rieder, da BlackRock, e Kevin Warsh, ex-membro do Fed, sejam percebidos pelo mercado como nomes capazes de preservar maior previsibilidade institucional.

· 02:39 — Novas ameaças

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom ao ameaçar impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo comercial com a China, reacendendo tensões no comércio internacional. Desta vez, porém, a reação dos mercados foi mais comedida, refletindo uma leitura mais sofisticada dos investidores, que passaram a diferenciar com maior clareza a retórica política de ações efetivas.

A avaliação é que, sem o respaldo explícito de membros-chave do governo americano, esse tipo de ameaça tende a permanecer no discurso. Ainda assim, o episódio contribuiu para movimentos relevantes nos preços dos ativos, com desvalorização do dólar e valorização do ouro. Seja como for, esses sinais reforçam a percepção de que a postura internacional mais confrontacional dos EUA e a escalada retórica de Trump podem, gradualmente, pressionar alguns dos fundamentos que sustentam o papel do dólar como principal moeda de reserva global.

· 03:24 — Movimentação estranha na China

O principal general da China e membro do Politburo, Zhang Youxia, foi destituído em meio a acusações de corrupção e, de forma ainda mais grave, de vazamento de informações sensíveis — incluindo segredos ligados ao programa nuclear — para os Estados Unidos.

O episódio é descrito como a maior purga de generais em Pequim desde 1976 e chamou atenção pela velocidade da queda: a notícia de investigação veio poucos dias após o desaparecimento público de Zhang, movimento que surpreendeu por envolver um aliado de longa data de Xi Jinping.

A consequência institucional também é relevante: a saída de Zhang contribuiu para um esvaziamento da cúpula da Comissão Militar Central, reforçando a leitura de que a apuração pode ir além de irregularidades administrativas e tocar em um tema decisivo para o regime — a lealdade política e a manutenção do controle absoluto do Partido Comunista sobre as Forças Armadas. Em termos de interpretação, o caso evidencia o papel central do Exército na arquitetura de poder de Xi e sugere que o ciclo de expurgos e reorganização interna pode continuar, especialmente à medida que se aproxima o próximo congresso do partido e a disputa por posições-chave ganha intensidade.

· 04:11 — Sinais de avanço

Representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos realizaram no fim de semana, nos Emirados Árabes Unidos, as primeiras negociações trilaterais conhecidas desde o início da invasão russa em 2022, em um encontro marcado por sinalizações iniciais consideradas construtivas, embora ainda claramente preliminares.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um documento com garantias de segurança oferecidas pelos EUA a Kiev está “100% pronto”, mas ressaltou que ainda é cedo para qualquer conclusão definitiva, uma vez que o principal ponto de impasse permanece sendo a questão territorial — especialmente no leste da Ucrânia, onde Vladimir Putin segue exigindo concessões que o governo ucraniano rejeita.

As negociações devem ser retomadas em 1º de fevereiro, enquanto o conflito continua produzindo impactos humanitários relevantes, incluindo ataques recorrentes à infraestrutura energética do país, com efeitos diretos sobre a população civil.

· 05:08 — Novo patamar

O ouro atingiu um novo patamar histórico, passando a negociar acima de US$ 5.000 por onça, movimento sustentado pela intensificação da busca por ativos de proteção em um ambiente marcado por choques geopolíticos, enfraquecimento do dólar e expectativas de juros estruturalmente mais baixos. Desde o início de 2026, o metal acumula uma valorização expressiva, enquanto a prata apresentou um desempenho ainda mais intenso, superando a marca inédita de US$ 100 por onça. A combinação de tensões associadas ao governo Donald Trump, incertezas quanto à estabilidade da ordem global e questionamentos sobre o nível de valuation dos mercados acionários reforçou o apelo dos metais preciosos como instrumentos de proteção tanto contra riscos sistêmicos quanto contra eventuais pressões inflacionárias.

No pano de fundo, cresce a…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.