(Imagem: iStock.com/ismagilov)
Depois de semanas de baixa volatilidade, o Bitcoin finalmente rompeu a faixa de negociação em que vinha preso e entrou em uma nova tendência de alta. O movimento foi rápido, intenso e suficiente para trazer de volta uma pergunta — grata para quem acompanha as edições da news: depois de uma valorização tão forte, de 24,1% em apenas nove dias, ainda há espaço para subir, ou já está esticado demais?
Sem meias palavras, para poupar os mais ansiosos, nossa leitura é que este parece ter sido apenas o início.
Nesta edição, vamos apresentar os argumentos por trás dessa linha de raciocínio e, ao final, discutir o que esse novo cenário significa para o investidor e como aproveitar essa tendência de alta.
Herói por acaso
O empurrãozinho que faltava para o mercado cripto veio do macro.
Nas últimas semanas, os juros de longo prazo dos Estados Unidos voltaram a sofrer pressão, aumentando a preocupação com o custo de financiamento da dívida americana e com a liquidez na ponta longa da curva.
Foi nesse contexto que o Tesouro americano foi, em essência, em socorro dos títulos de vencimento mais longos, anunciando a ampliação das recompras nessa região da curva. A partir de setembro, o limite das operações nos segmentos de dez a vinte e de vinte a trinta anos será elevado, em uma tentativa de melhorar a liquidez justamente onde a pressão vinha sendo maior.
Isso é relevante porque juros longos mais altos aumentam o custo de oportunidade de ativos que não geram fluxo de caixa, como ouro e Bitcoin. Ao demonstrar maior disposição para atuar em caso de necessidade, o Tesouro ajudou a aliviar um dos principais focos de pressão sobre esses ativos.
Ao mesmo tempo, esse movimento reforçou uma narrativa que já vinha ganhando força: o chamado debasement trade — a busca por ativos escassos diante da preocupação crescente com o endividamento dos governos, déficits fiscais elevados e a perda de poder de compra das moedas.
Foi esse o empurrãozinho que faltava para um mercado cripto que já vinha acumulando as condições necessárias para um movimento agressivo.
O Bitcoin já está esticado demais?
O Bitcoin vinha de um período incomum de calmaria. A volatilidade estava comprimida e uma quantidade relevante de investidores havia acumulado posições apostando na queda do ativo.
Quando o cenário macro melhorou e o preço começou a subir, essas posições vendidas passaram a ser liquidadas.
O mecanismo é relativamente simples: quem está vendido precisa recomprar o Bitcoin para encerrar sua posição. À medida que essas compras acontecem, o preço sobe ainda mais, pressionando outros investidores vendidos e provocando novas liquidações. É o chamado short squeeze.
Nesse caso, o processo desencadeou a maior onda de liquidação de posições vendidas já registrada na história do Bitcoin, acelerando de forma significativa a valorização do ativo.

Mas short squeezes não duram para sempre. Uma vez que essas posições são liquidadas, esse combustível mecânico perde força — e, neste caso, boa parte das posições vendidas que pressionavam o mercado já foi limpa.
Ainda assim, o Bitcoin continuou em tendência de alta.
Dando seguimento ao movimento, há um ponto especialmente importante na forma como essa alta vem se sustentando.
Durante o short squeeze, o open interest — que representa o volume total de posições abertas no mercado de derivativos — recuou de maneira relevante. Ou seja, enquanto o preço avançava, parte da alavancagem acumulada no mercado estava sendo retirada.
Esse comportamento sugere que a continuidade da valorização está menos dependente do mercado de derivativos e mais apoiada em demanda efetiva no mercado à vista, o que diminui o risco de uma reversão tão intensa quanto foi o movimento de alta.
Os fluxos dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos ajudam a deixar isso mais claro. Esses produtos vêm registrando uma sequência relevante de entradas líquidas, indicando que há capital novo sendo direcionado para a compra efetiva do ativo.

Vale a ressalva de que isso não significa que o Bitcoin não vá corrigir — especialmente depois de uma valorização tão forte. Correções são naturais, mas, sem o mesmo excesso de alavancagem do outro lado, a assimetria melhora.
Uma quebra de regime
Quando juntamos essas peças, nossa leitura é que o comportamento recente do Bitcoin representa algo mais relevante do que simplesmente uma alta pontual: estamos diante de uma quebra de regime.
Depois de meses caracterizados por baixa volatilidade, pouca dispersão entre os ativos e dificuldade para sustentar tendências, o mercado começou a apresentar características diferentes: Bitcoin rompendo sua faixa anterior, demanda à vista ganhando força e altcoins apresentando desempenhos superiores.
Quando o apetite por risco aumenta de forma mais ampla dentro do mercado cripto, o capital deixa de ficar concentrado exclusivamente no Bitcoin e começa a buscar ativos com maior potencial de valorização.
Nossa leitura, portanto, continua sendo de que a tendência de alta do Bitcoin tem condições de se manter nos próximos meses.
Para quem ainda não possui Bitcoin, em nossa leitura, não é tarde para começar a montar posição. Da mesma forma, quem já possui exposição e está abaixo do percentual que considera adequado para seu portfólio pode aproveitar eventuais correções para aumentá-la gradualmente.
Como aproveitar o movimento de alta e ir além do Bitcoin
À medida que a dispersão entre as criptomoedas aumenta, surgem valorizações mais expressivas em determinados ativos — uma das características que mais atraem investidores para esse mercado.
O desafio é tomar três decisões: o que comprar, quando entrar ou sair e quanto alocar.
Em um momento como o atual, em que o Bitcoin voltou a subir e o apetite por risco começa a se espalhar pelo restante do mercado, uma estratégia capaz de capturar essas rotações se torna especialmente interessante.
É justamente aí que entra a Carteira Crypto Momentum, que executa essas decisões de forma sistemática e automática, com base no momentum dos principais ativos.
Tudo isso fica disponível para qualquer investidor, sem a necessidade de acompanhar o mercado o dia inteiro ou fazer os rebalanceamentos manualmente.
E os resultados vêm validando a estratégia: a Crypto Momentum tem superado o Bitcoin de forma consistente, aproveitando os momentos em que as altas se espalham pelo restante do mercado cripto e se protegendo em momentos de queda.
