Assumindo que você não é tão capaz

Na Escola de Engenharia de São Carlos, os bixos sempre chegam com um monte de sonhos e desejos pouco alinhados com o que a USP […]

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Assumindo que você não é tão capaz

Na Escola de Engenharia de São Carlos, os bixos sempre chegam com um monte de sonhos e desejos pouco alinhados com o que a USP pode oferecer.

Para quem inicia o curso Engenharia Mecatrônica, o grande sonho é fazer um robô ou, melhor dizendo, um Transformer ou ainda a armadura do homem de ferro.

Logo de cara, as aulas de Cálculo e Física mostram a todos que o caminho não será fácil e que, se você não aprender tudo aquilo, nunca vai ter a chance sequer de fazer um dedo mindinho de um robô.

Frustrante.

Mas pelo menos ninguém fica tentando alimentar seu sonho sendo que você precisaria percorrer muito chão até chegar onde você quer.

Então, dada a ansiedade da maioria dos futuros mecatrônicos, a grande parte desiste e se acostuma com a ideia de em cinco anos trabalhar com qualquer outra coisa em vez de se tornar o Tony Stark.

Esse foi exatamente o meu caso no primeiro ano de faculdade. Até porque as minhas notas não mostravam o exemplo de aluno que eu achava que era.

No entanto, quase no fim da faculdade, descobri por meio de um veterano que engenheiro mecatrônico também tem como opção o caminho do empreendedorismo.

E, por acaso, fui apresentado a um problema que atingia dois terços dos idosos ao redor do mundo: as quedas.

Lembro que mergulhei no assunto e fui aprendendo sobre cada ponto relevante para construir uma tecnologia que fosse capaz de detectar quedas e alertar outras pessoas por meio de um SMS.

Aprendi várias coisas que envolviam esse universo, tanto na parte relativa ao que poderia ser um negócio, quanto na tecnologia capaz de detectar uma queda.

Foi uma fase bem legal, na qual eu achava que eu e meus poucos conhecimentos bastariam para levar uma tecnologia dessa ao mercado.

No entanto, como você pode imaginar, não fui capaz de concluir o projeto e levá-lo a algum lugar satisfatório. A última vez que o apresentei para alguém foi no meu TCC, na última disciplina que fiz na USP-São Carlos.

Depois disso, nunca mais toquei no projeto ou sequer o deleguei para alguém que conseguisse implementá-lo. É bem difícil para o criador da ideia entregá-la nas mãos de outra pessoa, admitindo não ser ele a pessoa certa para levar o projeto a um outro patamar.

E o universo dos criptoativos está lotado de empreendedores que não conseguem ver que devem entregar os seus projetos para quem pode levá-los ao próximo nível.

Para o desenvolvedor que participou das primeiras melhorias tanto do Bitcoin quanto do Ethereum, é difícil perceber que não é ele que pode levar essas duas tecnologias ao mainstream.

É necessário que outras pessoas, grupo de pessoas ou empresas, com outras expertises, conduzam a nova fase de propagação.

Isso porque o desenvolvedor do código realmente acha que, quando cria uma série de linhas de comando que permitem que outras pessoas igualmente técnicas usem seu software, ele o está levando ao mainstream.

No entanto, a realidade é que apenas um desenvolvedor, como ele próprio, está tendo acesso a essa tecnologia, e não pessoas normais como meus pais, por exemplo.

Por isso, quando falo que o movimento do Bitcoin 2.0 pode ser muito mais explosivo do que o que foi o bitcoin até o momento, tenho em mente as novas pessoas que podem levar o projeto a uma nova fase.

Um exemplo bem simples são o memes que hoje povoam a internet.

E se você é um cara que curte muito os vários tipos de piadas criadas com eles, pode achar que boa parte deles surgiu dentro de páginas como o 9gag. No entanto, o 9gag é apenas um ótimo propagador de boas ideais.

Isso porque, na verdade, boa parte desses memes tem suas primeiras versões, ou as de mais sucesso, dentro de uma página que é a cara do mundo dos desenvolvedores.

O 4chan é uma página que parece ter sido criada em 1995, dado o seu layout bem ruim, mas é onde boa parte das boas ideias de memes que caem no gosto popular surge.

Muito provavelmente, se você não está imerso no mundo dos desenvolvedores mais técnicos, você nunca ouviu falar dela.

É exatamente vendo o caso dos memes e do 4chan que acredito que a nova fase, o Bitcoin 2.0, precisa ser tocada pelo mercado, que pode realmente levar a inovação ao mainstream.