Atlas pode por em risco o sistema brasileiro de Cripto

Por não divulgar como são feitas a suas operações de arbitragem publicamente, a Atlas sempre gerou dúvidas quanto à sua idoneidade.

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Atlas pode por em risco o sistema brasileiro de Cripto

Ontem, para mim, seria um domingo com toda a pinta de preguiçoso, o plano era levantar apenas quando a minha cama já tivesse me expulsando.

Mas, entre uma daquelas viradas de um lado para o outro para encontrar uma nova posição para dormir, resolvi pegar o celular para checar a hora.

E como você deve saber, apenas com a vontade de olhar as horas, você pega o celular e acaba vendo grupos de WhatsApp, vídeos no YouTube, fotos no Instagram e no Facebook, sem nem perceber…

Então, acabei indo parar em uma notícia sobre a Atlas, empresa que faz arbitragem de bitcoin. O texto falava que a companhia teve os dados de grande parte de seus clientes expostos.

A lista possuía informações como nome, telefone, e-mail e quantidade de bitcoins que a conta tinha na plataforma.

Antes de mais nada, avisamos a todos os nossos assinantes sobre o ocorrido, assim como a indicação do que deveria ser feito.

Por não divulgar como são feitas a suas operações de arbitragem publicamente, a Atlas sempre gerou dúvidas quanto à sua idoneidade.

Em razão disso, a notícia foi, de certa forma, comemorada por players do mercado brasileiro. Alguns youtubers locais estavam claramente felizes com o vazamento.

Não era o meu caso.

Um vazamento de informações dessa magnitude não prejudica apenas a Atlas, mas o mercado inteiro de cripto brasileiro.

Provavelmente, o que vão noticiar nos grandes canais vai ser algo como: “Empresa famosa de criptomoedas é hackeada e expõe clientes”.

Aí os “especialistas” já vão vir falar do bitcoin e de outras empresas, como se tudo fosse a mesma coisa.

Isso tudo vai culminar com o Samy Dana dando sua opinião, possivelmente rasa, em algum quadro de um jornal na Globo.

Mas isso é apenas uma construção hipotética que pode não se confirmar ou se confirmar de forma um pouco diferente.

Além do risco de imagem do mercado brasileiro, existe um mais iminente.

Com as informações vazadas, alguns hackers podem — e vão — tentar outros ataques em corretoras brasileiras.

Isso porque é possível, apenas com o número de um celular, criar um clone do aparelho, desativar a segurança em dois passos por meio da corretora e, então, tentar invadir a conta da vítima para roubar o que estiver lá.

Por isso, se você tinha conta na Atlas e, possivelmente, usava o mesmo e-mail e número de celular para outras contas, existe a chance de ser uma vítima de ataques em outras corretoras.

O ideal seria, antes de tudo, tirar todo o saldo que possui na corretora e passar para uma carteira de total controle seu.

Com isso, você já mitiga o risco de alguém ter acesso à sua conta.

É por casos como esses que, para a maioria das situações, sugerimos que mantenham suas criptomoedas e demais criptoativos em suas posses e não com terceiros.

Esse mercado introduzido por Satoshi Nakamoto sempre teve o objetivo de que as pessoas realmente tivessem o controle do seu dinheiro e não que o delegassem para outrem.

E, seguindo o que o whitepaper original descrevia, estaremos mais seguros.