Comprar criptomoedas e investir em ações não são a mesma coisa

Se Buffett, por um lado, está certo de não investir em algo que não entende, por outro, cometeu um erro: o de tentar enquadrar as criptomoedas na mesma categoria das ações. Ao fazer isso e não ver geração de fluxo de caixa, invalidou o investimento. Uma falha lógica.

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Comprar criptomoedas e investir em ações não são a mesma coisa

“You can always judge a man by the quality of his enemies.”

A frase acima é do escritor irlandês Oscar Wilde. Você pode sempre julgar um homem pela qualidade de seus inimigos. Ou, em versão alternativa e adaptada à realidade do momento: você pode sempre julgar um mercado pela qualidade de seus inimigos.

Pelo jeito, as criptomoedas têm um futuro e tanto. Mas no meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. Um futuro brilhante não vem sem volatilidade, opositores e incertezas.

A mais recente investida foi de Warren Buffett. Não é a primeira vez. Tampouco será a última. O investidor entende que as criptomoedas são mera aposta e que quem entrar nesse mercado está fadado a se dar mal.

Bem, a rigor, trata-se, sim, de um mercado especulativo. E, se você quiser chamar especulação de aposta, go ahead. O mercado não tem vaidades. Tudo aquilo que está em consolidação vai, inevitavelmente, passar por um processo de variação nos preços, conforme o mercado decide o quanto se deve pagar pelo ativo.

Até entendo a posição contrária de Buffett. Como ele mesmo diz, o sábio velhinho não investe naquilo que não entende bem. Sugiro que, nesse sentido, você faça o mesmo. Só invista naquilo que entende.

E se ainda sente que precisa de uma maior compreensão sobre criptomoedas, sugiro ler este material.

Agora, tem algo que Buffett não entendeu. Na sua concepção, comprar bitcoin ou qualquer outra criptomoeda significa comprar algo que não produz nada e não tem nenhum valor. E assim, se você o faz, está apenas esperando que a próxima pessoa a comprar de você pague mais pelo ativo.

Na ideia de Buffett, o ciclo acima não é investimento, mas, sim, especulação. Pois bem, suponhamos que ele esteja certo. Nesse caso, qualquer ativo que não produza fluxo de caixa como uma empresa não faz o menor sentido do ponto de vista de investimento.

Sob essa ótica, você não deveria proteger seu patrimônio comprando ouro. Afinal, ele não gera riqueza. Sua apreciação de valor se dá apenas pela sua escassez e pela esperança de que a próxima pessoa a comprá-lo de você tope pagar mais do que você pagou ao adquiri-lo.

Essa afirmação de Buffett invalidaria até mesmo boa parte do investimento em ações. Veja, há basicamente duas formas de ganharmos dinheiro com ações: por meio do recebimento dos lucros, via dividendos e similares, ou pela apreciação do preço do papel.

Na segunda opção, é possível entender que uma ação se valoriza caso um investidor esteja disposto a pagar por ela mais do que o detentor prévio do papel o fez.

Vejamos um exemplo: João comprou um lote de ações da empresa XPTO3 por 10 reais cada ação. Em sua avaliação, os papéis estavam extremamente descontados, dado o problema de gestão que a companhia enfrentou nos últimos anos.

Contudo, a gestão havia sido renovada, as dívidas minimizadas e a eficiência operacional começava a voltar ao padrão dos anos de ouro da empresa. Junto a isso, João enxergava uma melhora estrutural da economia, que beneficiaria a organização.

Sendo assim, resolveu que valeria comprar aquelas ações pelo simples fato de o resto do mercado não estar enxergando o mesmo que ele. Ele viu uma oportunidade de comprar uma barganha que os demais não haviam identificado.

Felizmente, João estava certo em sua análise e as ações passaram a valer 27 reais depois de 11 meses, uma valorização de 170 por cento. Na lógica buffettiana, isso não é investimento.

João comprou as ações XPTO3 com a simples esperança de que o próximo investidor a comprar dele topasse pagar mais. Ao fazer isso, estava simplesmente especulando, como se não tivesse em mãos nenhuma análise embasada por fatos ou fundamentos.

Para Buffett, João estava errado. Para mim, João ficou mais rico. Aproveito a deixa para citar George Soros: “O importante não é se você está certo ou errado, mas quanto dinheiro você ganha quando está certo e quanto você perde quando está errado”.

Soros recentemente deu seus primeiros (grandes) passos no mercado de criptomoedas. Arrisco dizer que ele pouco se importa se será visto como especulador ou investidor. O que realmente importa para ele é quanto dinheiro ganhará se sua premissa de crescimento do mercado estiver certa e saber que perderá pouco se estiver errado.

Percebe como a essência da coisa é muito mais simples? Você pode dar o nome que quiser ao “investimento”, contanto que se atenha ao princípio básico da seleção de ativos: ganhar dinheiro. É o que procuramos fazer na Empiricus, dia após dia.

Se Buffett, por um lado, está certo de não investir em algo que não entende, por outro, cometeu um erro: o de tentar enquadrar as criptomoedas na mesma categoria das ações. Ao fazer isso e não ver geração de fluxo de caixa, invalidou o investimento. Uma falha lógica.

Para quem olha exclusivamente para o curto prazo, as criptomoedas podem parecer imprevisíveis e sem sentido. É preciso, porém, um olhar mais profundo e analítico para entender o real valor dessa nova economia.

Este ativo, por exemplo, pode se tornar maior que o bitcoin em 2018 e a razão não é meramente especulativa, mas baseada em seu desenvolvimento e como pode impactar o mercado. Sem dúvida é um dos melhores calls do ano.

Se Buffett falou mal das criptomoedas, provavelmente é hora de comprar. Aliás, ao seguir o simples método de comprar quando falam mal e vender quando falam bem, você poderá ganhar uma bolada.

Reflexo disso é a pernada mais recente de alta. Há menos de um mês, as manchetes do mercado de cripto eram majoritariamente negativas e as investidas do mercado tradicional corriam soltas. O bitcoin estava precificado em 6,6 mil dólares.

Agora, com as notícias essencialmente positivas – já voltaram as previsões de bitcoin a 100 mil dólares até o fim do ano – o ativo trouxe 45 por cento de valorização para quem o comprou.

O mercado segue em processo de consolidação de preços, buscando fôlego e gatilhos para a retomada do movimento de alta. Como sempre, não desgrudamos o olho do monitor nem um segundo.

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