Deixe seus diplomas do lado de fora, por favor

Em certa medida, é uma forma de conhecimento tácito, aquele que se adquire no curso da vida e que não pode ser formalizado nas palavras de um livro. Trata-se de uma forma de conhecimento infinitamente superior ao teórico.

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Deixe seus diplomas do lado de fora, por favor

“A modern-day warrior
Mean mean stride
Today’s Tom Sawyer
Mean mean pride”

Os versos acima sempre me trazem boas sensações. Trata-se de “Tom Sawyer”, um dos maiores sucessos do Rush, o power trio formado por Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart. Não à toa, tenho gravado na pele aqueles compassos 7/8 da linha de bateria de Peart.

Rush é a banda que escuto há mais tempo. Desde meus 12 anos, eu sou fascinado pelo som virtuoso dos três músicos. Meu tio tinha me dado uma cópia do DVD “A show of Hands”, de 1989, que assisti de cabo a rabo umas cinco vezes no primeiro dia.

Ver Neil Peart voando na bateria me fez tomar a decisão, ainda no início da minha adolescência, de começar a tocar o instrumento. Anos mais tarde, eu tinha minha própria banda cover de Rush. Sem dúvida, era um sonho realizado conseguir reproduzir aquelas linhas de bateria com compassos estranhos.

Eu poderia passar horas falando sobre Rush. Tenho verdadeira paixão pela banda, que só foi dividida em igual peso com o Dream Theater, do incrível Mike Portnoy. Mas o assunto hoje é outro…

A faixa “Tom Sawyer” me veio à mente nesta manhã ao sair de casa para vir até a Empiricus. Curiosamente, foi por meio dela que o trio do Rush ficou mais próximo do Brasil.

Em 1986, a música foi escolhida pela Globo como tema de abertura da série de TV “Profissão Perigo”, também conhecida como a série do MacGyver.

O agente secreto, que era interpretado por Richard Dean Anderson, ficou famoso por suas soluções fora da caixa para os problemas que enfrentava. Usava seu canivete suíço, fita adesiva e fósforos. O que tivesse à mão serviria.

MacGyver era um dos principais personagens que eu apresentava aos alunos na minha época como educador. Nas aulas de prototipagem, as soluções práticas do personagem eram o exemplo perfeito do chamado “tinkering”.

A tradução literal para a palavra seria bricolagem, algo como o processo de tentativa e erro, mão na massa e “do it yourself” (DIY). O tinkering é o completo oposto da formação acadêmica. É a prática real, em oposição à teoria dos livros.

Em certa medida, é uma forma de conhecimento tácito, aquele que se adquire no curso da vida e que não pode ser formalizado nas palavras de um livro. Trata-se de uma forma de conhecimento infinitamente superior ao teórico. É seu real “skin in the game”, como comentei na newsletter da última sexta-feira.

Aproveitando o tema talebiano, aproveito para roubar (adaptar) um trecho de seu livro, uma referência a Yogi Berra: na academia (aqui no sentido de acadêmico), não há diferença entre a academia e o mundo real; no mundo real, há.

Formalidades e currículo nem sempre — na verdade, quase nunca — resolverão o problema. O sujeito pode ter sete diplomas pendurados na parede do escritório: USP, FGV, Stanford, Harvard, Ivy League e o raio que o parta, mas se não tiver conhecimento do mundo real, o máximo que fará será publicar alguns papers que, ironicamente, só funcionam no papel.

Se tem algo que aprendi no mercado de criptomoedas é que essa classe de ativos não dá a mínima para sua formação acadêmica. Pessoas comuns ficaram ricas sem MBA, pós-doc ou coisa do tipo.

Aliás, é melhor abandonar as bases tradicionais para analisar esse mercado. Tentar encaixar padrões e definições clássicos da Bolsa de Valores no mercado de criptoativos é ser o Procusto da vida moderna. O personagem da mitologia grega atraía viajantes solitários para sua pousada e os oferecia uma cama. Se o viajante fosse muito alto, lhe cortava as pernas para caber na cama. Se fosse muito baixo, as esticava.

Não é possível simplesmente adaptar padrões tradicionais a um mercado nem um pouco tradicional. Não adianta recorrer aos títulos acadêmicos para atestar autoridade. De certa forma, fico triste quando vejo um evento sobre criptomoedas em que a atração principal é um economista com dez anos de experiência em bancos.

Esqueça tudo isso! Abra a mente. Olhe para esse universo como se você nada soubesse sobre o mercado tradicional e depois, só depois, ligue os pontos. Para ter sucesso investindo em criptomoedas, o que vale mesmo é a vivência no mercado.

É ela que faz o investidor entender a queda desde a máxima histórica como uma correção em um processo de alta de longo prazo e não como a derrocada dos ativos. Quem conseguiu ter esse olhar nos últimos meses pôde comprar ativos com um enorme desconto e já vê os primeiros efeitos.

Alguns subiram mais de 100 por cento neste último movimento de alta. Outros podem dar ainda mais: 5 vezes, 10 vezes, 15 vezes.

Olhando para o bitcoin, apesar de ter esbarrado na barreira psicológica de 10 mil dólares, o movimento atual continua muito interessante (mais sobre isso na seção do Rafael Rabello abaixo).

E, conforme mais players institucionais se preparam para entrar no jogo, o cenário de alta para os próximos meses vai se desenhando.

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