Crypto Talks

Não alimente as baleias

Dinheiro trocando de mão Se o mercado de cripto fosse um grande aquário aberto à visitação, com certeza a placa “Não alimente as baleias” estaria em destaque logo na entrada da atração. Talvez você não tenha ainda ouvido tal termo, mas chamamos de baleias os investidores (ou, mais precisamente, os endereços) que detêm mais de […]

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Data de publicação
12 de janeiro de 2022
Categoria
Crypto Talks

Dinheiro trocando de mão

Se o mercado de cripto fosse um grande aquário aberto à visitação, com certeza a placa “Não alimente as baleias” estaria em destaque logo na entrada da atração.

Talvez você não tenha ainda ouvido tal termo, mas chamamos de baleias os investidores (ou, mais precisamente, os endereços) que detêm mais de 1.000 BTC.

De forma geral, são os grandes detentores de bitcoin — e eventualmente de outros criptoativos também — que se comportam como o “smart money” do mercado. Normalmente com bastante experiência e/ou recursos para analisar e acompanhar o mercado, são agentes importantes a serem acompanhados.

Aos nossos assinantes, tenho sempre comentado como, no momento atual do mercado, apesar do “price action” ainda desfavorável, as métricas on-chain, que mostram a atividade na rede Bitcoin, permanecem bastante saudáveis.

Entre as diversas métricas que acompanhamos, uma me chamou a atenção recentemente. Veja o gráfico abaixo.

Figura: Quantidade de bitcoins em carteiras de baleias vs. preço do bitcoin
Fonte: Glassnode 

A linha verde indica o preço do bitcoin nos últimos dois anos. A roxa, a quantidade de bitcoins detidos por baleias.

Peço sua atenção em especial para os dois segmentos circulados. Trata-se dos dois momentos de correção mais forte, entre o ano passado e este, e, ao mesmo tempo, pode-se notar um perfil de acumulação pelas baleias.

O que isso quer dizer?

Quer dizer que todos os dias há quem esteja comprando e quem esteja vendendo no mercado. O “x” da questão é quem está de cada lado. Em momentos de estresse como este que estamos vivendo, temos percebido que o smart money segue comprando, enquanto quem está vendendo, ainda que não exclusivamente, é principalmente aquele grupo que capitula nos momentos mais difíceis.

Um dos investidores mais vocais nos últimos tempos tem sido Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, empresa listada na Bolsa de Valores americana que tem consistentemente adicionado bitcoin às suas posições.

Inclusive, nesse movimento de maior acumulação das baleias, tem-se notado em especial um movimento mais forte das “superbaleias” (perdão, acabei de inventar essa expressão), que possuem mais de 100 mil bitcoins. A MicroStrategy, por sinal, é uma delas.

Ainda que não possamos apostar todas as nossas fichas e convicção em apenas uma ou outra métrica, tirar um pouco o olho dos preços e acompanhar quem está enxergando os reais fundamentos deste mercado faz bem.

Para encerrar, te deixo com uma imagem que me fez parar de rolar o feed do Twitter e olhá-lo por alguns minutos. Ela reflete como, em momentos mais agudos, nós, investidores, talvez exageremos na reação ao preço e deixemos de lado esses fundamentos sobre os quais acabei de falar.

Figura: Comparação do Fear & Greed Index entre janeiro de 2021 e janeiro de 2022
Fonte: alternative.me

Há um ano, com praticamente o mesmo preço do bitcoin, o mercado estava no nível máximo de ganância e excitação. Agora, de volta à casa dos mesmos US$ 40 mil, com o mesmo ativo e, diga-se de passagem, muito mais estrutura, o índice Fear & Greed chegou ao extremo oposto.

O medo extremo do mercado tem sido, consistentemente, um dos melhores sinais de compra para as baleias.

Resta saber se vamos alimentá-las com nossos bitcoins.

Um abraço!
Vinícius Bazan