SEC e CVM no caminho de entenderem o bitcoin

Diariamente, aqui na Empiricus, nós buscamos responder a algumas perguntas que nos guiam na hora de tomar decisões. Quando escrevo a Crypto Talks , estou buscando responder às […]

Compartilhe:
SEC e CVM no caminho de entenderem o bitcoin

Diariamente, aqui na Empiricus, nós buscamos responder a algumas perguntas que nos guiam na hora de tomar decisões.

Quando escrevo a Crypto Talks , estou buscando responder às seguintes perguntas: “O que de mais importante posso falar ao leitor?” e “O que eu posso falar que ele só verá aqui?”.

As duas indagações têm que ser bem endereçadas, pois, caso não sejam respondidas, esta newsletter seria abandonada e só restaria uma única leitora: minha mãe.

E se, no meio da tarde de ontem, eu estava com uma ideia do que seria o assunto de hoje, no fim do dia, tudo mudou.

Falo isso porque a SEC soltou um documento indicando que seria adiada, mais uma vez, a decisão sobre o pedido de ETF feito pela CBOE.

E se, da última vez, o mercado reagiu negativamente ao fato, desta vez, foi diferente: começamos o dia com o mercado verde.

Juntando isso ao fato de que a CVM soltou um ofício, no dia anterior (19), permitindo que fundos locais possam se expor a fundos que investem em cripto, regulados lá fora… temos aquilo que, de fato, é importante você saber hoje.

Pronto, respondemos a primeira das duas perguntas acima.

A segunda envolve um pouco mais daquilo que estamos acostumados a fazer como equipe: sentar a bunda na cadeira e ler todo tipo de documento chato que esses órgãos publicam.

Pois bem, indo por ordem cronológica, a CVM agora permite que fundos no Brasil invistam em criptoativos indiretamente.

Isso quer dizer que, muito brevemente, teremos esse tipo de produto nas melhores corretoras nacionais e o seu agente autônomo, travestido de amigo, vai te empurrar esse produto goela abaixo.

Exagero? Nada! Vai acontecer e vai acontecer muito.

Lembre-se da febre que foi o mercado para exchange locais, no ano passado.

Imagine o quanto de indicações fariam as corretoras tradicionais se elas pudessem oferecer produtos com exposição a cripto?

E, claro, sempre indicando aquele fundo que é o mais quente do momento e vai fazer muito dinheiro no ano. Vulgo, o fundo que vai pagar mais rebate para a corretora.

Ainda seremos necessários nesse cenário para sugerir aquilo que realmente acreditamos, sem nenhum conflito de interesse.

Depois da CVM, foi a vez da SEC. Como disse, o documento disponibilizado ontem fala sobre o adiamento da decisão, mas também levantou perguntas que poderiam ser respondidas por meio de comentários públicos.

Entre as perguntas do órgão, estão algumas que põem em xeque as principais premissas adotadas pela CBOE para propor o seu pedido de ETF.

Como a questão das negociações OTC (Over-The-Counter) que, segundo a proposição feita para o regulador, seria um meio sujeito a menos manipulação de preço do que o índice das corretoras.

Além disso, a SEC questionou o dado apresentado de que 50 por cento das negociações do mercado acontecem por meio do OTC.

Foram no total quase 20 pontos levantados e, cada um deles, tinha, pelo menos, duas perguntas, que, ao meu ver, eram realmente dúvidas sinceras de quem ainda está tentando entender o mercado.

E se servir de inspiração para o regulador americano, a CVM fez um comunicado, no início de janeiro deste ano, proibindo os fundos de investirem em bitcoin, mas continuou estudando o ecossistema desde então.

Foi essa dedicação que permitiu que, nesta semana, com o novo ofício publicado, o órgão flexibilizasse as diretrizes que tinha imposto anteriormente.

É esse tipo de evolução — no caso da CVM — e questionamento sincero — feito pela SEC — que me fazem crer ainda mais na tese do Bitcoin 2.0.

Assim como todos que conhecem bitcoin e blockchain tendem a ficar desconfiados no primeiro momento, os reguladores vivem conflitos até maiores que as pessoas comuns.

Tenho que reconhecer que bitcoin não é paixão à primeira vista, é preciso entender todos os seus detalhes para passar a amá-lo.

E, mesmo assim, não podemos ser amantes cegos, menos ainda platônicos.