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Tardio ou não, o Prêmio Nobel de Economia deste ano foi feliz ao endereçar uma questão acadêmica que persistia há décadas:
Por que o Novo Keynesianismo segue (seguia) sem reconhecimento formal dos suecos?
De fato, vários marcos Novo Keynesianos já haviam sido incorporados pelo mainstream econômico. Com destaque para o poder de influência da política monetária sobre a demanda agregada, sobretudo através da formação de expectativas. Apesar disso, porém, o reconhecimento não vinha, talvez por carência de um lastro empírico inequívoco.
Embora seja sempre difícil cravar um marco histórico sem o devido distanciamento, ganhou consenso a percepção de que tal lastro se manifestou no mundo pós-pandêmico de 2021-23. Depois de um salto dramático da inflação global, os índices de preços encontraram alguma acomodação em 2023, à medida que os Bancos Centrais começaram a elevar suas taxas de juros.
E o mais curioso desse movimento rápido é que, ao contrário dos paralelos históricos, ele ocorreu sem qualquer impacto material sobre o aumento do desemprego.

Para ser sincero, os macroeconomistas ainda não sabem exatamente como isso aconteceu. Mas esse é um fenômeno verossímil face aos principais achados do Novo Keynesianismo.
Em tese, ele reflete uma pronta resposta de expectativas do setor privado vis-à-vis o aperto monetário global. Assim que o Fed começou a se mover, o “espírito animal” do empresariado entendeu que a estratégia de elevar preços seria subótima em uma economia em rota de correção.
Por consequência direta, esse não-erro do empresariado acabou evitando o problema maior de demissões em massa, que costumeiramente é usado como instrumento de compensação em última instância.
Isso posto, uma interpretação possível é a de que, após passar por esse teste de fogo, o Novo Keynesianismo estava pronto para ganhar sua medalhinha.
E ela finalmente veio em 2026…
Agora, já adentramos uma outra fase do Fed, na qual o conceito de forward-guidance está deixando de ser protagonista da condução de política monetária. Isso é normal, e até salutar: não só a economia caminha em ciclos como a teoria econômica se alterna em ciclos também.