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Day One

Pausa para um bate-papo, mas sem tempo a perder

Embora a Economia não seja uma ciência natural como a Física, ela também é dotada de restrições matemáticas, que não veem distinção entre políticos de esquerda ou de direita

Rodolfo 2026

Por Rodolfo Amstalden

04 nov 2026, 13:00

relógio, day one

Imagem: Pexels/Suhas Hanjar

Todo período eleitoral tende a deixar a economia em pausa, dadas as incertezas associadas à configuração de novas forças políticas.

Isso acontece agora, ao mesmo tempo, com as midterms nos EUA e com o Lula 4 no Brasil.

Depois de um período de adaptação, as coisas podem retomar um certo grau de normalidade. Porém, isso não se dá por osmose, exige esforço e capacidade de leitura dos líderes políticos.

Para que as CNTPs sejam reestabelecidas, o governante em pauta precisa (i) honrar seus compromissos de campanha, (ii) saber ouvir as demandas da população que não o elegeu e (iii) respeitar o apreçamento de mercado.

Esses são pontos contemplados por José Dirceu em entrevista ao Globo – aliás, uma das raras peças de informação (sinal x ruído) que merecem ser lidas dentro do contexto pós-eleições.

Seria ingênuo supor que o Lula 4 abrirá mão das pautas sociais, mas talvez seja ingênuo também apostar de antemão em um completo desacordo em relação às forças gravitacionais de mercado, dado o custo proibitivo da inflação que aleija e do câmbio que mata.

Em seu último e mais delicado mandato, Lula não ganhará nada – e perderá muito – ao associar o estresse de câmbio e juros a “terrorismo” ou “movimentos especulativos” da Faria Lima.

Embora a Economia não seja uma ciência natural como a Física, ela também é dotada de restrições matemáticas, que não veem distinção entre políticos de esquerda ou de direita.

Por ora, o Governo aproveita para descansar do êxtase eleitoral, enquanto calcula seus próximos movimentos. Já o mercado não tem descanso: o calendário econômico segue seu curso, e as condições financeiras continuam a se deteriorar, com o câmbio já beirando R$ 5,50.

Eu não queria estar na pele dos diretores do Copom nesta noite, sejam eles ortodoxos ou heterodoxos. Porque poderíamos até argumentar que existe hoje uma pequena margem para um último corte de 25 bps. Mas o paradoxo é tal que essa é provavelmente uma margem que existe para que não seja utilizada, ao menos por ora.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.