Os anos de ouro

Nesta semana, voltei a frequentar o escritório da Empiricus na avenida Faria Lima.

Nesta semana, voltei a frequentar o escritório da Empiricus na avenida Faria Lima.

É a primeira fase de um retorno gradual aos nossos postos de trabalho, e participam desse esforço cerca de 20% do nosso quadro de colaboradores.

Como a volta é opcional, somente para esse primeiro quinto escolhido, o número efetivo que vem comparecendo não tem passado de 30 colaboradores por dia, ou menos de 10% do nosso time todo.

Pelo movimento nas ruas do Itaim Bibi, aqui em São Paulo, a vasta maioria dos que trabalham nos escritórios segue em casa.

Avenida Faria Lima, quinta-feira (dia 25/6), às 14h25

Os números absolutos da pandemia são assustadores, decerto. Com a cobertura midiática, amplificada nas redes sociais, é mais do que compreensível que as pessoas estejam receosas.

Importante, porém, colocarmos os números em perspectiva. Temos quase meio milhão de vítimas fatais no mundo e quase 10 milhões de casos confirmados. Ajustando pela escala, verifica-se que temos pouco mais de 0,1% da população mundial entre os casos de Covid-19. Certamente, o número real de casos é bastante superior, mas é improvável que esteja acima de dois dígitos.

Com o passar dos meses, a neblina da guerra contra a pandemia tem se dispersado, e passamos a compreender melhor quais são os verdadeiros riscos e quem está mais vulnerável aos efeitos do vírus.

 Quando o novo coronavírus ataca idosos e portadores de outras doenças, como diabetes e hipertensão, as complicações terminam sendo mais graves quando comparados com o resto da população. Já sabíamos disso acompanhando as estatísticas. Agora, porém, cada um de nós vai tangibilizando a natureza do vírus através de experiências vividas ao nosso redor. De maneira geral, observamos jovens contaminados com sintomas leves, e idosos sofrendo mais.

Ao final, nunca saberemos ao certo se as medidas de isolamento valeram realmente a pena. Não se pode fazer um teste científico, observando como grupos idênticos, mas de comportamentos diferente (com isolamentos vs sem isolamento), e medir os resultados ao final.

E mesmo se pudéssemos separar dois grupos, precisaríamos determinar exatamente quais as métricas que definiriam o bom resultado almejado. Sabemos da impossibilidade de chegar a um acordo sobre isso. Medir somente o número de óbitos é uma redução absurda diante da complexidade da situação. 

Enquanto as medidas são questionadas, e os cenários de como será o novo normal são traçados, ninguém pode negar o formidável impacto nas economias ao redor do mundo.

O socorro de trilhões promovido pelos bancos centrais não evitou o que deve ser a maior queda no PIB mundial em nossa história moderna. Na sua última projeção, o Fundo Monetário Internacional estima uma contração de 4,9% da economia mundial neste ano, ou seja, uma queda três vezes maior do que a provocada pela crise de 2008-09.

A brutal liquidez injetada somente amplifica a bolha monetária que vem sendo inflada nos países desenvolvidos desde o início do século. 

Nos EUA, por exemplo, desde a crise das empresas pontocom no início dos anos 2000, passando pela Guerra do Iraque (2003), crise do subprime e chegando ao resgate atual, o Federal Reserve não tem medido esforços para prover os dólares necessários para atravessar cada um desses momentos.

Até quando isso é sustentável é a grande questão. Em algum momento, a conta vai chegar. Na verdade, a conta já vem sendo cobrada.

Em janeiro de 2000, você precisaria vender mas de 1.100 gramas de ouro para obter dinheiro suficiente para comprar todas as ações do índice Dow Jones. Agora, são necessários pouco mais de 400 gramas. Ou seja, em termos de ouro, as empresas americanas valem cerca de um terço do que valiam há 20 anos. Isso apesar de termos observado o mais longo rali da história do mercado acionário americano. 

A valorização do ouro é o outro lado da moeda da desvalorização do dólar. Não à toa o metal já subiu 15% contra a divisa americana em 2020. O inchado balanço do Fed deve seguir empurrando para cima sua cotação.

Outra diversificação do risco monetário passa pelas moedas digitais. Criptomoedas em geral e o bitcoin especificamente têm uma estrutura monetária própria, com uma política de emissão definida e sem espaço para experimentação. 

Para entender melhor o momento das criptomoedas, acompanhe o que o nosso especialista André Franco tem a dizer.

Deixo você agora com os destaques da semana.

Boa leitura e um abraço,
Caio

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