(Imagem: iStock.com/bodnarchuk)
O bitcoin (BTC) é um “ouro digital emergente”, na visão de Marcello Cestari, analista de criptoativos da Empiricus. Segundo ele, a criptomoeda ainda não é considerada um ouro digital por instituições financeiras pois ainda ocupa o posto de um ativo relativamente novo e tem um market cap menor em relação a outros ativos, como o próprio ouro.
Ao lado de Matheus Parizotto, research de digital asset do BTG Pactual, Cestari participou do ETF Day, evento promovido pelo banco para assessores de investimento nesta quarta-feira (6).
O especialista ainda pontua que a volatilidade das criptomoedas – mais expressiva que a do ouro ou das bolsas de valores, por exemplo – também dificulta na classificação do bitcoin como um ouro digital atualmente.
“Com a institucionalização que está acontecendo, o bitcoin tem se comportado mais correlacionado com o ‘Nasdaq alavancado’ do que como um ‘ouro digital’, que é como chamamos”, afirma.
Na leitura do especialista, contudo, o bitcoin e outras criptomoedas estão caminhando para se tornarem parte estratégica na composição de portfólios institucionais e de pessoas físicas para além de um investimento alternativo.
Qual é o risco de não investir em criptomoedas?
No evento do ETF Day, ao explicar o risco de não investir nos ativos digitais, Cestari faz uma comparação de valores de mercado aproximados:
- Ouro: US$ 30 a US$ 32 trilhões em market cap;
- Mercado cripto (incluindo BTC): US$ 2,5 trilhões;
- Bitcoin: US$ 1,5 trilhão;
Diante dessa disparidade, Cestari avalia que o que move os investidores desse mercado diz respeito a uma opinião que já foi dita até pelo CEO da BlackRock, Larry Fink: o bitcoin pode chegar à marca do market cap do ouro, saindo de US$ 1,5 trilhão para US$ 30 trilhões.
“Óbvio que para isso acontecer, é preciso um mercado mais maduro, com mais regulamentação, criando regras e plataformas institucionais que caminhem para que o bitcoin se torne uma classe de ativo como as outras”, explica o especialista.
BTC deve ganhar mais protagonismo nas carteiras institucionais
Diante deste cenário, Cestari e Parizotto reforçam como é um risco não ter BTC na carteira. Para os especialistas, diversos ativos digitais estão no rumo de deixar a posição de investimentos alternativos e ganhar espaço como parte estratégica na composição de portfólios.
Um dos argumentos para isso é que o dólar vem perdendo sua posição de segundo protagonista nas reservas de valor mundial. “Não queremos dizer que o dólar vai acabar, mas a moeda vem sendo usada como arma política para sancionar alguns países e isso coloca a confiança em xeque”, disse o especialista.
Nessas circunstâncias, Cestari aponta que o bitcoin tem propriedades parecidas com o ouro que podem posicioná-lo como uma alternativa de reserva de valor. Na verdade, segundo o especialista, não investir em bitcoin no momento implica o risco de perda da “maior assimetria da década”.
Além disso, durante o evento ele também citou uma pesquisa da BlackRock que apontou que alocar parte da carteira em criptomoedas pode aumentar a eficiência dos portfólios, com maior Sharpe (relação de risco e retorno de um investimento) e menor volatilidade e drawdown (máxima perda que se pode ter com um investimento).
Ademais, a respeito das vias de institucionalização, o especialista também reforçou um potencial significativo neste sentido. Como exemplo, ele citou a entrada por meio da criação de ETFs (fundos negociados em bolsa, em tradução direta), tesourarias de bitcoin dentro das empresas e por meio de grandes nações adotando o ativo como parte do tesouro. O avanço dessas medidas, em sua visão, são vias da consolidação da posição do bitcoin como ouro digital.