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‘Comunicação bem feita’: palavras de Fernando Haddad podem virar o jogo para o mercado de ações brasileiras; entenda

Segundo semestre pode ser ‘muito melhor’ para bolsa brasileira, segundo Larissa Quaresma

Por Anna Larissa Zeferino

08 jul 2024, 09:09 - atualizado em 08 jul 2024, 09:09

Imagem: Febraban

“Comunicação bem feita melhora tudo”. Essas foram as palavras do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respondendo a jornalistas enquanto saía dos escritórios do governo em Brasília na quarta-feira (3). 

A resposta veio após os jornalistas questionarem a queda do dólar registrada no final do dia. A moeda americana, que vinha em alta e chegou a ser cotada a quase R$5,70 na última semana de junho, encerrou a quarta-feira cotada a R$5,56. No dia seguinte, fechou em mais uma queda, a R$5,48. 

E isso em pleno 4 de julho, feriado de independência nos Estados Unidos – o mercado americano esteve fechado para negociações. Ou seja, a queda do dólar não foi puxada por uma influência externa do país de origem da moeda. 

Enquanto isso, o índice Ibovespa também fechou em alta na quarta e na quinta-feira, batendo a casa dos 126 mil pontos, possivelmente também em resposta positiva à “comunicação bem feita” mencionada por Haddad.

Mas o que o ministro Haddad quis dizer com isso? 

Incerteza fiscal preocupa o mercado

Uma escolha estratégica de palavras influencia decisões, molda mentalidades, escreve (ou reescreve) histórias de vida. 

No caso do Brasil, as palavras já vinham exercendo um grande peso no rumo econômico do país. 

O Brasil vem enfrentando um dilema para equilibrar as contas públicas, e declarações incertas da parte do governo mostram certa indecisão para fazer a melhor escolha entre aumento da carga tributária e um plano de corte de gastos. 

Em paralelo, o presidente Lula passou a disparar críticas em série a Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, questionando os interesses do ocupante do cargo e a autonomia da instituição. 

A incerteza fiscal (e “verbal”) levou o mercado a se movimentar, puxando um “efeito dominó” dessa forma:

  • Expectativas de juros futuros elevados, precificando maior risco;
  • Desvalorização do real e consequente disparo na cotação do dólar;
  • Aumento das expectativas inflacionárias futuras;
  • Queda do índice Ibovespa.

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, casa de análise do grupo BTG Pactual, comentou no seu relatório diário ‘Mercado em 5 Minutos’: 

“No Brasil, as recentes declarações do presidente Lula têm causado um impacto significativo na economia, contribuindo para a acentuada desvalorização do real. […] Essas declarações, cujas motivações não estão claras, agravam as preocupações quanto à viabilidade do novo arcabouço fiscal.”

Mas o título da matéria fala sobre investir na bolsa…

Sim, estamos chegando lá. Agora que o devido contexto foi dado, podemos falar sobre como esse cenário influencia nas melhores decisões que um investidor pode tomar para a sua carteira. 

Cenários de expectativas mais altas para juros e inflação acabam sendo mais atrativos para que o investidor mantenha uma maior alocação de seu patrimônio em títulos de renda fixa, cujos rendimentos podem estar atrelados à taxa Selic ou ao IPCA

A atratividade se torna menor para os produtos de renda variável, especialmente para ações, levando o índice Ibovespa a cair consecutivamente, como aconteceu até meados de junho.

Mas, a partir de agora, podemos estar diante de um cenário diferente.

Mudança na comunicação pode virar o jogo para a bolsa

O índice Ibovespa passou a reagir positivamente desde a última reunião do Copom (comitê de política monetária do Bacen) no dia 19 de junho, quando o Comitê decidiu, de forma unânime, por manter a Selic (taxa básica de juros) em 10,5%. 

A decisão reforçou o caráter autônomo e técnico da instituição ao tomar as medidas cabíveis para o controle da inflação, mesmo em meio às críticas vindas do presidente Lula. O que mostra que uma “comunicação bem feita”, de fato, pode mudar o jogo. 

E mesmo assim, críticas do presidente ainda vieram após a decisão… Até que o tom do discurso mudou completamente nesta quarta-feira.

Na quarta, Lula afirmou que “responsabilidade fiscal é compromisso”. Mais tarde, após reunião com o presidente, foi Haddad quem reafirmou à imprensa o comprometimento do governo com o cumprimento do arcabouço fiscal, determinado pelo presidente, e que será “preservado a todo custo”. E acrescentou:

“Autonomia do Banco Central e rigidez do arcabouço fiscal – é isso que vai tranquilizar as pessoas. É mais em comunicação do que outra coisa.”

Além disso, Haddad também anunciou um plano de corte de gastos para o orçamento de 2025, estimado em aproximadamente R$26 bilhões. 

E isso pode ajudar a bolsa a se tornar cada vez mais atrativa? É o que veremos agora.

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Como a ‘comunicação bem feita’ ajuda as ações brasileiras

Conforme mencionamos no início da matéria, o Ibovespa já passou a fechar em alta após a decisão do Copom, mas as falas mais apaziguadas do governo podem contribuir para a manutenção desse otimismo.

Um governo que muda o tom do discurso e sinaliza estar comprometido com suas metas fiscais imprime uma ideia de maior estabilidade econômica no país, e, assim, pode trazer um efeito dominó “oposto” ao retratado anteriormente. 

  • Menor projeção de risco, levando à queda nos juros futuros;
  • Equilíbrio na cotação da moeda brasileira;
  • Maior atração de investidores para o mercado nacional;
  • Aumento do índice Ibovespa. 

Gatilhos para a bolsa continuar subindo

Larissa Quaresma, analista de ações da Empiricus Research, casa de análise do grupo BTG Pactual, já observava a reação da bolsa brasileira após a decisão do Copom no mês passado.

Em entrevista ao programa Onde Investir, do portal Seu Dinheiro, comentou que a bolsa brasileira viu uma “reversão de tendências” no mês de junho, após uma fase de “ quedas vertiginosas”: “[A decisão do Copom] começa a eliminar gradualmente alguns riscos de cauda, e aí você começa a ver uma alta vigorosa da bolsa brasileira.”

Mas há alguns gatilhos para que a bolsa continue subindo neste segundo semestre. Entre eles, segundo Larissa, qualquer medida que sinalize compromisso com o arcabouço fiscal  – o que estamos começando a observar agora: 

“Nessa virada de semestre, a gente vê um ano que agora, sim, ele vai começar. A gente começa a tornar cada vez mais palpável o corte de juros nos EUA esse ano. […] A questão da credibilidade da política monetária, a gente consegue enxergá-la voltando a ganhar reputação […]. E, por último, qualquer […] contingenciamento de despesa discricionária já ajuda; já mostra um mínimo comprometimento com as metas do arcabouço fiscal. A gente vê esses três como os principais gatilhos que podem causar um segundo semestre muito melhor para a bolsa brasileira do que foi o primeiro.”

Ou seja, agora pode ser interpretado um bom momento de entrada para ações, pois há uma tendência de valorização daqui pra frente.

Por onde começar a investir na bolsa agora

Larissa e o restante do time de analistas da Empiricus também decidiram investir na “comunicação bem feita”. Assim, buscaram as 10 melhores ações disponíveis na bolsa, para comprar agora, e as transformaram em uma carteira recomendada

A boa notícia é que essa carteira está disponível de forma 100% gratuita. Você realmente não paga a mais por ela.

Confira as melhores recomendações na bolsa brasileira

Na carteira recomendada desse mês, você encontra uma cesta diversificada voltada para os melhores resultados, como:

  • Uma empresa de energia e saneamento, cujos resultados são sólidos independentemente do cenário econômico;
  • Uma empresa de shoppings centers voltados para as classes A e B, com portfólio mais resiliente que a média nacional;
  • Uma petroleira com perspectivas de crescimento orgânico no horizonte;
  • Uma construtora voltada para a baixa e média renda, que captura bem as mudanças do programa Minha Casa Minha Vida. 

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Sobre o autor

Anna Larissa Zeferino

Jornalista e entusiasta do mercado financeiro, migrou oficialmente para a área há dois anos. Escreve para os portais Seu Dinheiro, Money Times e Empiricus.