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Nesta quinta-feira (14), a Cyrela (CYRE3) divulgou seus resultados referentes ao 1T26, com números ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
Conforme antecipado na prévia, os lançamentos totalizaram R$ 1,75 bilhão em VGV (%CBR ex-permuta), retração de 48% em relação ao 1T25 e de 47% frente ao 4T25. No geral, o desempenho foi sustentado principalmente pelas vendas de estoque em construção e pela continuidade da boa dinâmica do segmento econômico. O VSO consolidado em 12 meses encerrou o período em 45,8%, abaixo dos 52,6% registrados no 1T25, refletindo uma base comparativa mais forte e um ambiente mais desafiador para média e alta renda, especialmente em São Paulo.
Números relevantes da Cyrela no 1T26
Na demonstração financeira, a receita líquida da Cyrela alcançou R$ 2,0 bilhões no trimestre, crescimento de apenas 4% frente ao 1T25, diante de um reconhecimento de receita (PoC) limitado.
Já a margem bruta reportada foi uma boa notícia, na casa de 32,9%, avanço de 0,4 p.p. na comparação anual. Ajustando os juros capitalizados, a margem bruta ajustada foi de 36,1%, evolução de 1,8 p.p. em doze meses e também acima do 4T25.
O resultado a apropriar permaneceu em nível elevado, com margem de 36,0%, praticamente estável em relação aos períodos anteriores, reforçando a resiliência da rentabilidade futura da companhia.
Na última linha, o lucro líquido da Cyrela totalizou R$ 297 milhões, recuo de 9% frente ao 1T25, impactado pelo aumento considerável das despesas comerciais (+38%), em razão dos custos atrelados à desmontagem de estandes, segundo a companhia.
A geração de caixa voltou ao campo positivo no trimestre, somando R$ 134 milhões, revertendo o consumo observado no trimestre anterior. O desempenho foi favorecido pela venda de estoque pronto e pelo menor ritmo de compra de terrenos.
Ao final de março, a dívida líquida ajustada representava 19,6% do patrimônio líquido ajustado, abaixo do nível observado no 4T25, indicando manutenção de uma estrutura de capital administrável.
CYRE3: Análise do balanço trimestral
De forma geral, os resultados da companhia apresentaram um diagnóstico misto, com destaque positivo para a margem bruta e a geração de caixa. Por outro lado, a continuidade de um cenário de custos pressionados e o menor reconhecimento de receitas podem promover uma revisão de projeções pelo mercado, impactando o papel no curto prazo.
No âmbito estrutural, a Cyrela segue demonstrando elevada disciplina operacional e comercial, com desempenho acima dos pares. Negociando próxima de 0,9 vez P/B, CYRE3 permanece entre as recomendações da Empiricus.