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Os mercados iniciam a sexta-feira tentando sustentar o alívio proporcionado pela visita de Donald Trump à China, marcada por sinais de aproximação entre Washington e Pequim em temas como comércio, inteligência artificial, energia e Estreito de Ormuz.
A leitura inicialmente mais construtiva do encontro ajudou a reduzir parte das preocupações relacionadas ao fluxo global de petróleo e voltou a impulsionar as big techs em Nova York, enquanto Trump afirmou ter fechado “acordos comerciais fantásticos” com Xi Jinping.
Entre os principais pontos discutidos estiveram a reabertura de Ormuz, a cooperação indireta envolvendo o Irã e a possibilidade de novos compromissos chineses de compra de produtos agrícolas americanos. Ainda assim, os avanços concretos permaneceram relativamente limitados.
Apesar do ambiente diplomático relativamente mais amistoso, os mercados globais operam em queda nesta sexta-feira, em movimento de realização após os recordes recentes registrados em Wall Street. A alta do petróleo voltou a pressionar os ativos, reacendendo preocupações com inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo, enquanto investidores passaram a questionar se o rali impulsionado pela inteligência artificial não teria avançado de forma excessivamente acelerada.
· 00:54 — Procurando alívio
No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,72%, aos 178.366 pontos, recuperando parcialmente as perdas da véspera em meio ao noticiário político mais conturbado.
Sobre o tema, participei de uma live na noite de quarta-feira no Market Makers , ao lado de Thiago Salomão, Walter Maciel, Felipe Moura Brasil e Renan Santos, para debater os impactos do evento sobre os ativos. Para quem ainda não acompanhou, fica aqui o convite para conferir.
O ambiente político e eleitoral segue no radar e continua influenciando o sentimento de mercado, especialmente diante do aumento das incertezas em torno do próximo ciclo político. Nesse contexto, ganha relevância a nova pesquisa Datafolha, ainda que o levantamento tenha capturado apenas parcialmente os desdobramentos do episódio ocorrido na tarde de quarta-feira, já que as entrevistas foram realizadas entre terça e quarta-feira.
Além do noticiário político, os investidores também acompanham com atenção a divulgação dos dados do setor de serviços, especialmente após uma leitura de inflação qualitativamente ruim e um resultado de vendas no varejo acima do esperado.
A combinação desses indicadores vem reduzindo a percepção de espaço para a continuidade do ciclo de cortes de juros no Brasil, reforçando a sensibilidade dos ativos domésticos ao comportamento da atividade econômica e das expectativas inflacionárias. Em outras palavras, há menos espaço para uma Selic mais baixa.
· 01:41 — O fim da Era Powell
Os mercados americanos voltaram a renovar máximas históricas, com o Dow Jones finalmente superando os 50 mil pontos pela primeira vez em meses, enquanto S&P 500 e Nasdaq também encerraram o pregão em níveis recordes.
O movimento foi impulsionado principalmente pela força do setor de tecnologia, com destaque para a Cisco Systems, cujas ações dispararam após a divulgação de resultados acima das expectativas. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha uma mudança importante no Federal Reserve com a confirmação de Kevin Warsh para a presidência da instituição no lugar de Jerome Powell.
Com isso, Powell encerra hoje seu mandato em um ambiente ainda marcado por inflação acima da meta, apesar do forte aperto monetário realizado nos últimos anos. Warsh, que já sinalizou uma visão mais construtiva sobre os impactos da inteligência artificial na produtividade da economia, assume em um momento no qual investidores seguem divididos entre o risco de inflação persistente e a possibilidade de desaceleração gradual da atividade econômica.
Embora o novo presidente do Fed seja historicamente associado a uma postura mais favorável a juros baixos, o mercado continua enxergando pouco espaço para cortes relevantes no curto prazo. Na agenda, investidores acompanham os dados de produção industrial e atividade manufatureira, indicadores que podem ajudar a calibrar de maneira mais precisa as expectativas do mercado em relação à trajetória da atividade econômica e, consequentemente, aos próximos passos da política monetária americana.
· 02:37 — Fim de uma cúpula histórica
Os mercados globais encerraram a semana em tom mais cauteloso após a forte valorização recente dos ativos de risco, com investidores voltando a concentrar atenção nos impactos inflacionários provocados pela alta do petróleo e pela continuidade das tensões no Oriente Médio.
Apesar do ambiente relativamente cordial da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, marcada por avanços em temas como comércio, inteligência artificial, energia e cooperação indireta envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, o mercado começou a questionar se os acordos anunciados serão suficientes para reduzir de forma efetiva os riscos econômicos globais.
O petróleo Brent voltou a superar a faixa de US$ 109 por barril, enquanto títulos soberanos sofreram pressão relevante ao redor do mundo, refletindo preocupações crescentes com inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo.
Ao mesmo tempo, a cúpula entre Estados Unidos e China evidenciou que, apesar da tentativa de estabilização diplomática, as disputas estratégicas entre as duas potências continuam bastante presentes. Trump e Xi adotaram publicamente um tom conciliador, discutindo inclusive a necessidade de manter o Estreito de Ormuz aberto e impedir que o Irã obtenha armas nucleares.
Ainda assim, Taiwan voltou a ocupar posição central nas tensões bilaterais, com Xi Jinping emitindo alertas duros sobre o risco de “confrontos” caso a questão seja mal administrada. Paralelamente, ganhou força a percepção de que a China ampliou seu poder de barganha em meio ao desgaste estratégico americano no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz permanece extremamente reduzido, reforçando preocupações relacionadas à energia, inflação e crescimento global. O pano de fundo continua sendo o de um mundo mais fragmentado, no qual geopolítica, cadeias de suprimento, commodities e tecnologia permanecem cada vez mais interligados.
· 03:25 — A difícil governabilidade
No Reino Unido, como temos acompanhado, a crise política envolvendo Keir Starmer ganhou uma nova dimensão após a renúncia de Wes Streeting, um de seus aliados mais próximos e então secretário de Saúde do governo. Ao afirmar ter “perdido a confiança” na liderança do primeiro-ministro, Streeting ampliou a percepção de fragilidade dentro do Partido Trabalhista, menos de dois anos após a vitória expressiva de Starmer nas eleições.
A possível disputa interna pelo comando da legenda também expôs as divisões ideológicas entre alas mais moderadas e setores mais à esquerda, representados por nomes como Angela Rayner. O episódio reforça a crescente fragmentação do sistema político britânico no período pós-Brexit, marcado pelo avanço de movimentos populistas, pela perda de coesão do tradicional bipartidarismo e pelo aumento da insatisfação do eleitorado com as lideranças estabelecidas.
Em uma perspectiva mais ampla, o caso britânico reflete a dificuldade crescente de governabilidade observada em diversas democracias ao redor do mundo. Da Europa à América Latina, governos enfrentam desgaste acelerado, polarização política, fragmentação partidária, restrições fiscais, pressão das redes sociais e um eleitorado cada vez mais impaciente.
Líderes frequentemente chegam ao poder com elevado capital político e, em pouco tempo, passam a enfrentar níveis significativos de rejeição, em um ambiente no qual crises geopolíticas, inflação, imigração, transformação tecnológica e desaceleração econômica tornam a gestão pública mais complexa.
Nesse contexto, cresce também a percepção de fortalecimento de estruturas tecnocráticas e supranacionais, enquanto movimentos nacionalistas e populistas continuam avançando justamente como reação à sensação de perda de controle e à dificuldade dos governos tradicionais em entregar estabilidade, crescimento e previsibilidade de longo prazo. Um pano de fundo menos estável…
· 04:13 — Um novo mercado de trabalho
As preocupações com o mercado de trabalho americano voltaram a ganhar força diante da combinação entre desaceleração das contratações, pressão sobre margens corporativas e avanço acelerado da inteligência artificial.
Empresas como Meta, Microsoft e Nike anunciaram novas rodadas de cortes de funcionários, reforçando a percepção de que diversos setores começam a atravessar um processo mais profundo de reorganização operacional.
Em meio a esse cenário, ganharam espaço expressões como “Grande Substituição da IA” e “Recessão dos Trabalhadores de Escritório”, refletindo o temor de que parte relevante das funções corporativas e administrativas (“white-collar worker”, ou “colarinho-branco”) possa ser automatizada ao longo dos próximos anos.
Ainda assim, o movimento parece menos associado a uma destruição linear de empregos e mais ligado a uma ampla redistribuição de capital, investimentos e mão de obra, à medida que empresas redirecionam recursos para inteligência artificial, automação e ganhos de produtividade. É um novo mercado de trabalho.
As projeções do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, por exemplo, indicam que essa transformação tende a produzir vencedores e perdedores bastante claros até 2034. Entre as áreas com maior potencial de crescimento estão profissões ligadas à tecnologia, dados, cibersegurança, saúde e infraestrutura, incluindo cientistas de dados, analistas de segurança da informação, profissionais da área médica, eletricistas, trabalhadores da construção civil e motoristas de caminhão.
Por outro lado, ocupações administrativas e funções mais repetitivas ou padronizáveis devem enfrentar pressão estrutural crescente, como programadores tradicionais, profissionais do setor de seguros, operadores de máquinas, embaladores e diversas atividades corporativas mais suscetíveis à automação via inteligência artificial. O movimento reforça a percepção de que a IA tende a redefinir profundamente o mercado de trabalho global, alterando não apenas os setores com maior potencial de crescimento, mas também as habilidades que passarão a ser consideradas estratégicas para os mais diferentes tipos de profissionais na próxima década.
· 05:06 — O que fazer com o pagamento de cupom?
Neste dia 15, determinados títulos do Tesouro Direto voltarão a realizar pagamentos de cupom, evento que funciona como um importante lembrete para o investidor pessoa física sobre o papel da renda recorrente na construção de patrimônio ao longo do tempo.
Muitas vezes, juros, dividendos e rendimentos são encarados apenas como fluxo de saque ou complemento de renda no curto prazo. No entanto, quando reinvestidos com disciplina, esses recursos passam a atuar como um mecanismo relevante de acumulação patrimonial, ampliando gradualmente a base de capital e potencializando o efeito dos juros compostos. Em outras palavras, a renda recebida deixa de representar apenas consumo imediato e passa a funcionar como combustível para o crescimento da própria carteira.
Foi justamente dentro dessa lógica que a Carteira Recomendada e Automatizada Empiricus Renda Extra foi estruturada. A estratégia busca construir uma fonte recorrente de renda passiva por meio de uma seleção criteriosa de 10 a 15 ativos brasileiros, combinando dividendos, juros e outros proventos com potencial de valorização no longo prazo.
Mais do que perseguir simplesmente retornos elevados, a carteira prioriza qualidade, previsibilidade e sustentabilidade da geração de caixa, utilizando uma alocação diversificada entre renda fixa, ações e fundos imobiliários. Essa combinação permite que diferentes fontes de retorno atuem de maneira complementar, reduzindo riscos específicos e conferindo maior estabilidade ao fluxo de renda ao longo dos diferentes ciclos de mercado.
Na prática, o reinvestimento desses fluxos ajuda a transformar renda em patrimônio de forma progressiva, disciplinada e cumulativa. Em abril, por exemplo, esse equilíbrio entre geração de renda e valorização dos ativos ficou evidente: a carteira avançou 1,46%, superando o CDI de 1,09% no período.
Desde o início da estratégia, em fevereiro, o desempenho acumulado também segue consistente, com valorização de 3,53%, frente a 3,34% do CDI — equivalente a 106% do benchmark. O resultado reforça a proposta central da estratégia: construir uma carteira voltada à geração contínua de renda, preservação de capital e crescimento patrimonial ao longo do tempo, permitindo ao investidor atravessar diferentes cenários de mercado com maior previsibilidade, diversificação e disciplina de alocação.