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Investimentos

Cury (CURY3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3) no 3T26: prévias operacionais das incorporadoras refletem ruídos de curto prazo

Prévias do 3º trimestre de 2026 (3T26) trouxeram leitura mista para o setor, sem deterioração estrutural de demanda, mas reforçando necessidade de seletividade entre as ações

Por Caio Araújo

09 out 2026, 13:44

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Atualizado em 09 out 2026, 13:44

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Imagem: Freepik

Na última quinta-feira (8), tivemos uma chuva de prévias operacionais das incorporadoras: Cury (CURY3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Moura Dubeux (MDNE3) trouxeram os números do 3T26.

A leitura foi mista para o setor, refletindo principalmente um ambiente de crédito mais restritivo no segmento econômico e os efeitos da greve da Caixa Econômica Federal ao longo de setembro. Vale citar que boa parte dos impactos já havia sido antecipada nas ações, especialmente em setembro.

De forma geral, os principais impactos apareceram nos distratos, repasses e geração de caixa, ainda que com intensidades diferentes entre as companhias. Não vemos, até o momento, uma deterioração estrutural da demanda, mas o trimestre reforça a necessidade de maior seletividade entre as incorporadoras.

Destaques nas prévias de Cury (CURY3) e Tenda (TEND3)

Entre os destaques positivos, a Cury apresentou novamente a operação mais equilibrada, combinando VSO próxima de 40%, vendas líquidas de aproximadamente R$ 2 bilhões e forte geração de caixa de R$ 254 milhões. Mesmo com o aumento dos distratos, associado ao endurecimento das análises de crédito e à greve da Caixa, a velocidade de vendas permaneceu elevada e o estoque segue bastante controlado.

Já a Tenda apresentou os números operacionais mais pressionados, o que já havia sido antecipado pelo mercado, especialmente pelo aumento dos distratos. As vendas brutas continuaram saudáveis, mas o endurecimento das condições de financiamento reduziu a conversão em vendas líquidas. Um sinal mais favorável foi a melhora sequencial das vendas brutas ao longo do trimestre, enquanto o fim da greve da Caixa pode contribuir para alguma normalização dos cancelamentos e repasses nos próximos meses.

Em comum, Cury e Tenda mostraram que a demanda pelo produto econômico continua presente, mas o funil de crédito ficou mais restritivo, principalmente para os clientes de menor renda. A dinâmica deve continuar sendo monitorada, especialmente após alterações recentes nos critérios de concessão da Caixa.

Moura Dubeux (MDNE3): vendas perdem o ritmo, mas companhia segue com valuation atrativo

A Moura Dubeux lançou oito projetos no 3T26, totalizando R$ 1,55 bilhão em VGV líquido (%MD), alta de 15,5% na comparação anual. Vale destacar que 40% do volume foi lançado nas duas últimas semanas do trimestre, reduzindo o período disponível para vendas.

As vendas e adesões líquidas somaram R$ 841 milhões, queda de 21,5% frente ao 3T25, enquanto a VSO trimestral recuou para 15,3% e a VSO em 12 meses para 44,7%. As vendas de incorporação cresceram 56,8% no período, parcialmente compensando a retração dos condomínios.

Um ponto de atenção foi o consumo de caixa de R$ 170 milhões. Desconsiderando R$ 97 milhões referentes à aquisição de um terreno em Salvador, a queima teria sido de aproximadamente R$ 73 milhões.

De forma geral, a prévia foi mais fraca do que nos últimos trimestres, mas sem alterar nossa visão estrutural. A companhia segue bem posicionada no Nordeste, com novas avenidas de crescimento e valuation atrativo. Negociando próxima de 5 vezes o lucro estimado para 2027, MDNE3 permanece entre as recomendações da Empiricus.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.