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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA de setembro, prévias das incorporadoras e tensão no Oriente Médio no radar do mercado; veja destaques desta sexta (9)

Eleição segue no centro das atenções, mas fatores como inflação, juros, e petróleo, voltam a disputar espaço nas telas

Por Caio Araújo

09 out 2026, 10:27

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Atualizado em 09 out 2026, 10:27

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Imagem: iStock/ Victoria Kaipetskaya

Depois da forte reprecificação dos ativos brasileiros na esteira do primeiro turno, o mercado começa a entrar em uma nova fase.

A eleição segue no centro das atenções, mas o ponto de partida mudou. Parte relevante desse cenário já foi incorporada aos preços, enquanto fatores tradicionais — inflação, juros, petróleo e resultados corporativos — voltam a disputar espaço nas telas.

Lá fora, o debate sobre inteligência artificial ganhou um tom um pouco mais cauteloso, ao mesmo tempo que a geopolítica voltou a pressionar o petróleo. Por aqui, o IPCA de setembro testa até onde a melhora recente na curva de juros pode continuar.

Vamos aos detalhes.

00:35 – A conta da inteligência artificial e os efeitos externos

Depois de anos em que o mercado se concentrou quase exclusivamente no crescimento da demanda, os investidores começam a prestar mais atenção aos números e ao tamanho do capital necessário para sustentar a expansão de data centers, chips e infraestrutura.

Após uma revisão de números da OpenAI, fabricantes de chips e grandes nomes de software lideraram as perdas, e o Nasdaq caiu 1,3%, o pior desempenho entre os principais índices americanos.

O contexto geopolítico também não ajudou. O Brent encerrou o pregão regular com alta de 4%, a US$ 104, pressionado pela intensificação dos ataques iranianos no Estreito de Ormuz e por um furacão que suspendeu quase 65% da produção no Golfo do México.

Na madrugada asiática, o barril devolvia mais de 1% da alta, depois de Trump afirmar que há discussões produtivas em curso com Teerã e que os Estados Unidos não atacarão o país antes das eleições de meio de mandato.

Isso não significa que a tese de inteligência artificial tenha perdido força. Mas o mercado certamente demonstra maior exigência, ao mesmo tempo que a dispersão dentro dos índices, como o S&P 500, segue elevada.

02:30 – O IPCA testa a curva

No Brasil, antes que o mercado volte totalmente às eleições, temos inflação.

O IPCA de setembro será divulgado nesta manhã e deve mostrar uma reaceleração importante após a deflação de agosto. As projeções estão concentradas em torno de 0,76%, com a inflação em 12 meses novamente muito próxima do teto da meta.

Boa parte da alta vem da energia elétrica, com o fim do efeito do bônus de Itaipu. Alimentos e serviços também seguem como pontos de atenção.

O número ganha relevância porque a curva doméstica fechou bastante desde o primeiro turno. Há aqui uma tensão típica do momento: de um lado, inflação corrente em aceleração; de outro, expectativa de alternância de poder e de um ajuste fiscal mais duro.

03:10 – Um trimestre mais difícil para as incorporadoras

A temporada de prévias do terceiro trimestre das incorporadoras começou ontem. Os números mostraram um setor ainda saudável em vendas e lançamentos, mas com mais pressão na execução, especialmente entre as companhias expostas ao Minha Casa, Minha Vida.

O principal ruído veio da Caixa, com critérios mais rígidos de crédito e, em setembro, a greve dos funcionários. O efeito apareceu em mais distratos, menor ritmo de repasses e alguma pressão sobre a geração de caixa.

Ainda assim, a demanda permaneceu relativamente firme. Em boa parte dos casos, as vendas brutas seguiram fortes, sugerindo que o problema esteve mais na conversão em financiamento e caixa.

Com o fim da greve, o quarto trimestre será importante para medir a normalização dos repasses e entender se o maior rigor na concessão de crédito veio para ficar.

05:03 – Não seja um mau vencedor

Na semana passada, às vésperas do primeiro turno, destacamos uma operação no Empiricus+ desenhada para capturar uma eventual reprecificação dos ativos brasileiros após as urnas. A leitura funcionou: a estratégia chegou a acumular retorno superior a 150% já no primeiro pregão, enquanto Bolsa, câmbio e juros reagiram com força ao resultado eleitoral.

O resultado de domingo colocou a oposição em uma posição mais favorável na disputa. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, e as primeiras pesquisas para o segundo turno mostram uma corrida apertada, mas com vantagem inicial do candidato da oposição.

É justamente aí que a assimetria começa a ficar menos confortável. Uma parcela relevante da melhora esperada em um cenário de alternância de poder já entrou nos preços. Depois de uma reação histórica na segunda-feira, o espaço para novas surpresas positivas diminuiu, enquanto cresce a sensibilidade a qualquer pesquisa ou evento que reduza o favoritismo hoje embutido nas cotações.

O histórico quantitativo também recomenda alguma cautela: a reação média da Bolsa entre o primeiro e o segundo turno tende a ser menos favorável do que aquela observada logo após a primeira votação. Em outras palavras, a relação entre risco e retorno já não é a mesma da semana passada.

Isso não significa abandonar a tese doméstica, que segue bastante construtiva, mas talvez seja hora de proteger parte do que foi conquistado.

Por isso, ao longo desta semana, indicamos no Empiricus+ algumas operações com opções de venda que podem funcionar como proteção para a carteira caso a volatilidade eleitoral volte a aumentar.

Ganhar é bom. Saber preservar o ganho também faz parte da estratégia.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.