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Investimentos

Cyrela (CYRE3) mantém rentabilidade sólida no 4T25, apesar de ajustes; vale a pena investir?

Os resultados da Cyrela no 4T25 trouxe um desempenho misto, com receita e lucro cresscendo mais de 30%. Confira análise.

Por Caio Araújo

20 mar 2026, 11:25

Atualizado em 20 mar 2026, 11:25

cyrela cyre3

Imagem: iStock.com/CatLane

Nesta quarta-feira (19), a Cyrela (CYRE3) divulgou seus resultados referentes ao 4T25, com desempenho misto, influenciado por fatores não recorrentes.

Conforme antecipado na prévia, os lançamentos somaram R$ 3,3 bilhões (%CBR), queda de 32% em relação ao 4T24, período marcado por projetos de maior porte. No acumulado de 2025, porém, os lançamentos cresceram 35%, evidenciando uma base ainda robusta ao longo do ano.

Vendas líquidas da Cyrela caem mais de 30% no ano, mas receita segue em ascensão

As vendas líquidas contratadas atingiram R$ 3,3 bilhões no trimestre (R$ 2,4 bilhões na %CBR), recuo de 32% na comparação anual. Apesar do menor ritmo de vendas, influenciado pela desaceleração no volume de lançamentos ao final do ano e pelo ambiente macroeconômico, a VSO permaneceu em patamar satisfatório, em torno de 38%.

Na demonstração de resultados, a receita líquida da Cyrela somou R$ 3,2 bilhões no trimestre, crescimento de 29% frente ao 4T24 e de 52% em relação ao trimestre anterior, decorrente do avanço e de ajustes no reconhecimento de receita.

A margem bruta ajustada permaneceu em nível saudável, em 33,7%, praticamente estável na comparação anual, mas com retração de 1,6 p.p. na base trimestral, influenciada pela concentração de vendas de unidades específicas (studios e loja), com preço de venda por m² inferior ao praticado pela companhia em um dos projetos.

O resultado a apropriar, indicativo da projeção futura de resultados, aumentou 16% no período, com leve retração de margem, o que deve ser monitorado, dada a dinâmica de mercado nas praças em que a Cyrela atua

Na última linha, o lucro líquido da Cyrela atingiu R$ 682 milhões, avanço de 37% na comparação anual, com ROE de 22,3%, evidenciando elevada rentabilidade mesmo em um cenário mais restritivo de demanda.

Houve uma breve queima de caixa operacional no trimestre, mas a linha final foi favorecida pelo recebimento de dividendos das companhias investidas (Cury e Lavvi). Vale citar que a própria Cyrela promoveu uma devolução de capital relevante no ano passado, o que levou o indicador dívida líquida/PL para próximo de 20%.

Análise: O que tiramos do desempenho da CYRE3 no 4T25?

De forma geral, a Cyrela segue se destacando pela qualidade de execução e capacidade de preservar rentabilidade ao longo do ciclo. O setor de média/alta renda convive com alguns desafios de curto prazo, como o patamar restritivo de financiamento imobiliário e o aumento do nível de estoque em São Paulo. Ainda assim, a companhia consegue manter solidez em seus números, com maior participação no segmento econômico (MCMV), em especial.

Apesar do curto prazo menos favorável, a tese de CYRE3 permanece bem descontada, com múltiplos P/L e P/B de 5 vezes e 0,95 vez para 2026, respectivamente, sendo um veículo interessante para captura de valor em um ambiente de queda de juros.

Administrador de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) e profissional da Empiricus Research desde 2016. Com as certificações CAIA e CNPI, é o analista de Real Estate e responsável pela série Renda Imobiliária, que atua no mercado de fundos de investimento imobiliários.