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Crypto Pulse

De volta ao jogo, o Bitcoin (BTC) dá os primeiros sinais de uma virada

Melhora no ambiente macroeconômico abre espaço para um aumento progressivo de exposição ao Bitcoin (BTC), mas cautela permanece necessária entre investidores

Por Luis Kuniyoshi

19 jul 2026, 15:00

criptomoedas cripto ativos digitais

(Imagem: iStock/Jirapong Manustrong)

O ambiente macroeconômico vem melhorando gradualmente, e os dados mais recentes reforçaram essa trajetória. O mercado de trabalho americano mostrou sinais de desaceleração, enquanto os indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor vieram abaixo das expectativas. Em conjunto, essas divulgações reduziram a pressão por novas altas de juros e tornaram o cenário mais favorável para o Bitcoin (BTC) e os demais ativos de risco.

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O Bitcoin já começou a responder a essa melhora. O ativo voltou a formar fundos progressivamente mais altos, apresentou avanço nos indicadores de momento e recebeu os primeiros sinais de retomada dos fluxos para os ETFs à vista. Embora ainda permaneça dentro da faixa entre US$ 60 mil e US$ 66 mil, o quadro abre espaço para considerar um aumento gradual de risco no portfólio.

A cautela, no entanto, continua necessária. Parte do alívio inflacionário esteve relacionada à queda recente do petróleo, favorecida pela redução das tensões no Oriente Médio. Como a commodity voltou a subir, um novo choque de energia poderia pressionar novamente a inflação, alterar as expectativas para os juros e reduzir o apetite por ativos de risco.

Nesta edição, analisamos o que mudou no ambiente macroeconômico, como essa melhora apareceu no preço e nos fluxos do Bitcoin, o que a temporada de resultados acrescentou ao cenário e quais níveis podem confirmar — ou enfraquecer — essa leitura.

Inflação abaixo do esperado reduz pressão sobre os juros

Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos vieram abaixo das expectativas, reforçando a leitura de moderação das pressões de preços. Enquanto o primeiro acompanha os custos enfrentados pelas famílias, o segundo mede a evolução dos preços ao longo da cadeia produtiva. O comportamento conjunto dos dois indicadores aponta para um alívio mais disseminado da inflação.

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Antes da divulgação dos dados, o mercado chegou a atribuir mais de 40% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base nos juros norte-americanos já na reunião de julho — cenário representado pela área amarela no gráfico abaixo. Com a inflação abaixo do esperado, essa possibilidade perdeu força, e a manutenção dos juros voltou a concentrar a maior parte das apostas.

A redução do risco de um aperto monetário adicional melhora o ambiente de liquidez e favorece o Bitcoin e os demais ativos de risco.

Fonte: CME Group

A principal ressalva está no petróleo. Parte do alívio inflacionário foi favorecida pela queda recente da energia, mas a commodity voltou a subir em meio à volta do atrito entre Estados Unidos e Irã.

Caso esse movimento ganhe força, os custos de produção e transporte podem voltar a pressionar a inflação, alterar novamente as expectativas para os juros e limitar o apetite por risco. Por isso, o petróleo permanece como o principal ponto de atenção no cenário macroeconômico.

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O preço já respondeu — e o fluxo começou a acompanhar

A melhora do macro tem se materializado de forma clara no preço do Bitcoin. Desde a mínima de US$ 57,9 mil registrada no início de julho, o ativo passou a formar fundos progressivamente mais altos. Em essência, isso significa que os compradores estão entrando em níveis cada vez mais elevados a cada recuo.

Os indicadores de momentum reforçam essa leitura. Em essência, essa análise compara o desempenho atual do ativo com seu histórico recente para identificar se a tendência está ganhando ou perdendo força. No caso do Bitcoin, as médias de curto prazo superaram as de períodos mais longos, indicando melhora no ritmo das últimas semanas. O dado sugere que o ativo pode estar deixando uma fase de estabilização, embora ainda não confirme, isoladamente, a continuidade da alta.

A melhora aparece também no relativo. O Bitcoin voltou a performar melhor do que o S&P 500 — sinal de que a recuperação não é só uma maré favorável a todo ativo de risco, mas dinheiro procurando exposição específica a cripto.

A mesma melhora aparece nos papéis da Strategy, a maior tesouraria de Bitcoin do mundo e um termômetro de crédito do setor: sua ação preferencial voltou à casa dos US$ 90 e sua ação ordinária (MSTR) parou de perder valor frente ao próprio Bitcoin — sinal de que o prêmio de risco em torno da empresa deixou de aumentar.

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E há um segundo elemento, o fluxo de capital institucional. Depois de semanas em que os ETFs de Bitcoin à vista funcionaram como um vento contrário, com resgates que obrigavam os gestores a vender BTC, julho começou a registrar os primeiros dias de entradas líquidas.

Mesmo assim, o Bitcoin continua preso na faixa entre US$ 60 mil e US$ 66 mil que acompanhamos há semanas. A melhora é real, mas ainda acontece dentro dos limites conhecidos.

Primeiros sinais de uma tendência de alta

No agregado, o cenário melhorou o suficiente para começarmos a ampliar a exposição ao risco, ainda que de forma comedida. A economia americana continua saudável, a inflação deu sinais de arrefecimento e o preço do Bitcoin evolui de maneira construtiva, apesar de ainda permanecer dentro da faixa de consolidação.

Essa mudança já foi incorporada pela carteira Crypto Momentum, uma ferramenta que aplica de forma 100% automatizada os conceitos de tendência e gestão de risco abordados nessa coluna. Com os sinais mais favoráveis, a estratégia aumentou sua exposição ao mercado e, ao longo do tempo, vem superando o desempenho do Bitcoin com consistência. A carteira é de livre acesso e permite implementar essa abordagem sem a necessidade de acompanhar ou ajustar manualmente as posições.

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Os próximos fechamentos do Bitcoin serão importantes. Um fechamento acima dos US$ 66 mil, acompanhado pela continuidade da formação de fundos mais altos, reforçaria a leitura de que a melhora está se transformando em tendência. Já um fechamento na região dos US$ 62,3 mil devolveria o ativo ao movimento de reversão à média que vínhamos acompanhando.

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.