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Investimentos

FIDCs: vale a pena investir? Conheça a classe de ativos e suas vantagens para o investidor

Classe de ativos está disponível para investidores brasileiros de público geral desde 2022, e pode oferecer uma combinação interessante de diversificação e busca por lucros; confira

Por Anna Larissa Zeferino

29 maio 2026, 12:00

FIDCs, ações, investimentos, bolsa

(Imagem: iStock.com/Sakorn Sukkasemsakorn)

Você já ouviu falar dos FIDCs? Se a resposta for não, sem problemas: essa é, de fato, uma classe de ativos menos conhecida de muitos investidores pessoa física. Porém, tem ganhado mais destaque no mercado, e pode ser uma alternativa interessante para quem está em busca de lucros e diversificação em seus investimentos.

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Os FIDCs são menos conhecidos dos investidores de varejo (pessoa física com menor patrimônio alocado) porque, até 2022, essa classe de ativos era restrita a investidores qualificados, logo, pouco falada fora desse círculo.

Isso mudou com a resolução nº 175 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), publicada em dezembro de 2022, a qual permitiu que os FIDCs passassem a ser disponibilizados ao “mar aberto” de investidores, respeitando regras e perfil de alocação de cada um.

Nesse artigo, vamos falar um pouco sobre o que são os FIDCs, como funcionam, e se vale a pena investir nessa classe de ativos no momento.

FIDCs: entenda a ‘sigla’ e como esses fundos podem ser compostos

FIDC é sigla para “fundo de investimento em direito creditório”. Em outras palavras, é um fundo de investimento que compra recebíveis, como:

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  • Duplicatas de vendas de mercadorias;
  • Empréstimos bancários parcelados;
  • Pagamentos de cartão de crédito;
  • Parcelas de financiamento de imóveis.

As empresas que fornecem esse crédito ao consumidor possuem esses recebíveis a prazo, ou seja, aguardam meses para receber os valores em sua totalidade por parte dos clientes.

Quando essas empresas precisam de uma liquidez mais imediata (seja qual for o motivo), uma das alternativas é solicitar uma antecipação de recebíveis a alguma instituição habilitada para isso, que entrega às empresas solicitantes um valor à vista, mas descontado.

Os FIDCs, nesse caso, podem ser um desses mecanismos compradores de recebíveis. Os fundos utilizam o capital dos cotistas para antecipar recebíveis a empresas, repassando o valor descontado às solicitantes e, em troca, ficando com o direito de receber o verdadeiro repasse na data para a qual ele estiver acordado.

Esses fundos podem ter parte de seu patrimônio em outros tipos de ativos (como títulos públicos ou cotas de outros fundos), mas no mínimo 50% de seu patrimônio deve estar alocado, exclusivamente, em direitos creditórios.

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De onde vem o lucro dos FIDCs?

É justamente no desconto que entra o “pulo do gato” dos FIDCs: a diferença entre o repasse descontado (dado às empresas) e o valor a receber (integralmente, das parcelas das dívidas dos consumidores) é o que compõe o lucro das cotas do fundo.

E assim como em um título de renda fixa pré-fixado, por exemplo, alguns FIDCs permitem ao investidor conhecer previamente a taxa de retorno esperada da operação.

Estruturas de cotas dos FIDCs

Assim como muitos fundos de investimento, os FIDCs podem ser abertos (liquidez imediata, sem prazo determinado de resgate) ou fechados (liquidez somente no vencimento, com um prazo determinado para resgate).

  • Cotas seniores: é a única modalidade de cota disponível para o investidor do varejo; é também a modalidade “prioritária”, que recebe os lucros ou resgates primeiro.
  • Cotas subordinadas: essa modalidade precisa aguardar até que as cotas seniores recebam seus lucros ou resgates para, então, receber a sua parte.

Há também as cotas mezanino, que são opcionais. Caso sejam incorporadas ao fundo, elas se encaixam entre as cotas seniores e subordinadas, mas também são exclusivas para investidores qualificados.

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Vantagens e desvantagens dos FIDCs

Para um investidor de varejo, uma das principais vantagens de investir em FIDCs é a diversificação de carteira, com uma proposta de exposição “diferente” – expondo-se ao mercado de crédito.

“Sem dúvida é uma forma de diversificação. O FIDC consegue entrar em setores que o mercado de capitais não entra. Você pode entrar, por exemplo, em setores muito menos cíclicos”, afirma Lais Costa, analista de fundos de investimento da Empiricus Research. O “entrar”, nesse caso, se refere às empresas atendidas pelo fundo.

A analista explica que as empresas “atendidas” pelos FIDCs são, em sua maioria, de menor porte. “As empresas geralmente não são listadas [na bolsa], estão à margem do mercado de capitais. Empresas que não têm acesso ao mercado de capitais, mas precisam de capital de giro no curto prazo”.

Expor-se a empresas menores e não-listadas não poderia configurar uma espécie de risco para o investidor? Para a analista, nem sempre: “essas empresas menores têm mais ajuda do governo. Ou seja, não é necessariamente um risco mais alto”.

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De qualquer forma, o investidor deve sempre estar atento onde investe. “É preciso fazer uma diligência muito mais granular”, afirma. Afinal, nunca existe garantia de retorno quando falamos sobre investimentos financeiros.

A rentabilidade dos FIDCs também pode ser um bom diferencial. É possível encontrar FIDCs com retornos-alvo muito acima daqueles praticados em títulos mais tradicionais, como CDI + 8% ou até CDI + 9% ao ano, segundo a analista.

Taxas como essas não se sustentam em operações de longo prazo, devido à volatilidade da curva futura de juros, mas conseguem ser estruturadas nos FIDCs devido à natureza de curto prazo da maioria dos direitos creditórios que compõem os fundos – às vezes semanais ou mensais.

“São números muito exorbitantes. Fica muito difícil lutar contra um ‘caminhão’ desse”, afirma.

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Porém, assim como outros fundos de investimento, FIDCs não possuem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O FGC cobre produtos bancários mais tradicionais, tais como CDBs e letras.

Além disso, vale lembrar que expor-se aos FIDCs significa expor-se ao cumprimento do pagamento de dívidas, o que tem seus riscos, é claro. “O risco ‘lá dentro’ são as garantias. O tipo de papel subjacente encontrado lá é muito diferente”, conclui a analista.

Vale a pena investir em FIDCs agora?

A resposta é: tudo depende do perfil do investidor, além de seus objetivos de curto, médio e longo prazo.

Assim como qualquer produto do mercado financeiro, a correlação entre risco e retorno deve ser ponderada com cautela, além de retornos passados não serem garantia de retornos futuros.

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É recomendado ler as lâminas e demais materiais informativos dos FIDCs para comparar fatores como:

  • Prazos de carência e resgate;
  • Rentabilidades esperadas;
  • Rentabilidades históricas;
  • Valores mínimos de aplicação.

Assim, cada investidor pode chegar à conclusão do que faz mais sentido para sua carteira de investimentos.

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.