As bolsas americanas avançam nesta manhã, com a força das ações ligadas à inteligência artificial compensando a volatilidade no mercado de juros e a nova alta do petróleo. Os futuros do S&P 500 sobem cerca de 0,4%, enquanto o Nasdaq 100 avança 0,8%, apoiado pelo setor de tecnologia e, em particular, pelas fabricantes de chips.
No mercado de renda fixa, os juros globais seguem pressionados diante da resiliência da economia americana e da inflação elevada. A taxa do Treasury de 10 anos chegou a tocar o maior nível desde 2002, enquanto o título britânico de 30 anos superou brevemente 6% pela primeira vez desde 1998. O movimento mantém no radar a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve nos próximos 12 meses.
O petróleo também volta a ganhar força, com o Brent se aproximando dos US$ 100 por barril em meio aos fluxos do Oriente Médio e aos riscos de uma nova escalada das tensões na região. Já o dólar caminha para a máxima em três meses, enquanto o ouro registra leve alta.
No Brasil, estamos oficialmente a dois pregões do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. São esperadas ainda algumas pesquisas eleitorais antes das urnas, o que pode fazer com que os ativos de risco se descolem do exterior.
Nesse ambiente de elevação de volatilidade nos ativos domésticos, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo que devem ter um carrego mais atrativo no curto prazo e oferecem uma relação de risco e retorno mais eficiente que os vértices mais longos.
· 00:11 — Mercado de trabalho americano volta a ganhar força
Os dados de emprego nos Estados Unidos voltaram a mostrar aceleração em setembro. Segundo a ADP, o setor privado criou 90 mil vagas, maior resultado desde junho e acima da média de 57 mil dos últimos três meses. Os números semanais já vinham apontando para uma retomada gradual da geração de empregos depois de dois meses mais fracos.
A melhora também aparece quando se olha para a tendência mais recente. A média de criação de vagas medida pela ADP e pelo payroll oficial ficou em cerca de 70 mil postos nos últimos 12 meses.
Um ponto importante é a composição. O setor de produção de bens, que vinha apresentando alguma melhora ao longo do ano, criou 31 mil vagas em setembro, bem acima da média de 2 mil dos últimos 12 meses. No agregado, a geração de empregos está mais forte em 2026, com média de 70 mil vagas por mês, contra apenas 33 mil em 2025.
No fim, o ADP reforça a percepção de que o mercado de trabalho americano segue resiliente e voltou a ganhar algum fôlego. Em um ambiente no qual o Fed já demonstra preocupação com a inflação e os juros globais permanecem pressionados, uma sequência de dados fortes de emprego pode adicionar resistência à perspectiva de um alívio das condições monetárias.
Para a divulgação do payroll amanhã, o mercado espera a criação de 85 mil novas vagas.
· 03:21 — PCE segue acima de 3%, mas sem nova aceleração
O núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, avançou 0,25% em agosto. Na comparação anual, o índice ficou em 3,01%, bem abaixo dos 3,3% esperados pelo mercado.
Apesar da melhora no curto prazo, a trajetória da inflação ainda mostra um progresso tímido. Após revisões nos dados anteriores, o núcleo do PCE permaneceu ligeiramente acima de 3% em todos os últimos seis meses, nível também superior aos 2,9% registrados há um ano.
Do lado da atividade, o consumo segue firme. Os gastos reais avançaram 0,6% no mês, próximos das expectativas, enquanto a taxa de poupança recuou de 4,6% para 4,1%. A combinação de inflação ainda elevada com consumo resiliente ajuda a explicar por que o mercado continua cauteloso com a trajetória dos juros americanos.
No fim, o PCE não trouxe uma nova surpresa inflacionária, mas também oferece poucos sinais de uma desinflação mais consistente. Ainda assim o mercado reagiu positivamente a divulgação do dado, com forte redução das taxas futuras e alta dos índices acionários.
· 04:41 — Micron reforça força do ciclo de inteligência artificial
Ainda ontem, a Micron apresentou resultados acima das expectativas e trouxe uma perspectiva ainda mais forte para o próximo trimestre. A companhia continua se beneficiando da demanda por memórias utilizadas em infraestrutura de inteligência artificial, especialmente as chamadas HBMs, fundamentais para os aceleradores usados em data centers.
O destaque está na combinação entre demanda forte e oferta ainda limitada. Os preços de memória continuam elevados, enquanto a expansão relevante da capacidade produtiva deve levar tempo para chegar ao mercado. Isso vem se traduzindo em maior poder de precificação e margens bastante elevadas para a Micron, além de maior visibilidade sobre receitas futuras por meio de contratos de longo prazo.
A reação das ações, porém, foi contida no pré-mercado. E isso diz bastante sobre o momento do setor: os papéis da Micron já acumulam alta superior a 270% no ano, e as expectativas para empresas ligadas à infraestrutura de IA estão bastante elevadas. Ou seja, os números continuam fortes, mas boa parte desse otimismo já parece incorporada aos preços.
Ainda assim, o resultado reforça uma mensagem importante para a tese de inteligência artificial. O ciclo de investimentos segue sustentando não apenas fabricantes de chips, mas toda a cadeia de infraestrutura necessária para ampliar a capacidade computacional — e, por enquanto, a demanda por memória continua dando sinais de força.
A Micron Technology é uma das maiores fabricantes de memória e armazenamento do mundo, produzindo componentes como DRAM, NAND e HBM. Sua importância aumentou com o avanço da inteligência artificial porque as GPUs usadas para treinar e operar modelos de IA precisam de grandes volumes de memória de alta velocidade, especialmente HBM, para processar dados com eficiência.
Por isso, a Micron ocupa uma posição importante na cadeia de infraestrutura de IA: seus resultados ajudam a medir não apenas a demanda por memória, mas também o ritmo dos investimentos em data centers e a intensidade do atual ciclo de expansão da capacidade computacional.
· 05:35 — Volatilidade à vista
Estamos a dois pregões do primeiro turno das eleições presidenciais e na primeira semana do mês de outubro. A combinação desses dois fatores deve levar a uma elevada movimentação nos ativos de risco brasileiros, dada a dinâmica dos investidores institucionais que tentam traduzir a probabilidade dos cenários eleitorais em seus portfólios.
São esperadas ainda algumas pesquisas eleitorais antes das urnas, o que pode fazer com que os ativos de risco se descolem do exterior.
Nesse ambiente de elevação de volatilidade nos ativos domésticos, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo que devem ter um carrego mais atrativo no curto prazo e oferecem uma relação de risco e retorno mais eficiente que os vértices mais longos.
Por isso, reforçamos nossa indicação de compra do ETF PACC11.