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Investimentos

Ibovespa hoje: A dois pregões do 1º turno, petróleo registra nova alta, juros globais seguem pressionados e Micron (MUTC34) divulga resultados; veja os destaques desta quinta (1)

Risco de nova escalada no conflito do Oriente Médio mantém Brent pressionado. Veja mais destaques

Por Lais Costa

01 out 2026, 11:01

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Atualizado em 01 out 2026, 11:01

fundos de investimento, globo, mundo, moeda

As bolsas americanas avançam nesta manhã, com a força das ações ligadas à inteligência artificial compensando a volatilidade no mercado de juros e a nova alta do petróleo. Os futuros do S&P 500 sobem cerca de 0,4%, enquanto o Nasdaq 100 avança 0,8%, apoiado pelo setor de tecnologia e, em particular, pelas fabricantes de chips.

No mercado de renda fixa, os juros globais seguem pressionados diante da resiliência da economia americana e da inflação elevada. A taxa do Treasury de 10 anos chegou a tocar o maior nível desde 2002, enquanto o título britânico de 30 anos superou brevemente 6% pela primeira vez desde 1998. O movimento mantém no radar a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve nos próximos 12 meses.

O petróleo também volta a ganhar força, com o Brent se aproximando dos US$ 100 por barril em meio aos fluxos do Oriente Médio e aos riscos de uma nova escalada das tensões na região. Já o dólar caminha para a máxima em três meses, enquanto o ouro registra leve alta.

No Brasil, estamos oficialmente a dois pregões do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. São esperadas ainda algumas pesquisas eleitorais antes das urnas, o que pode fazer com que os ativos de risco se descolem do exterior.

Nesse ambiente de elevação de volatilidade nos ativos domésticos, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo que devem ter um carrego mais atrativo no curto prazo e oferecem uma relação de risco e retorno mais eficiente que os vértices mais longos.

· 00:11 — Mercado de trabalho americano volta a ganhar força

Os dados de emprego nos Estados Unidos voltaram a mostrar aceleração em setembro. Segundo a ADP, o setor privado criou 90 mil vagas, maior resultado desde junho e acima da média de 57 mil dos últimos três meses. Os números semanais já vinham apontando para uma retomada gradual da geração de empregos depois de dois meses mais fracos.

A melhora também aparece quando se olha para a tendência mais recente. A média de criação de vagas medida pela ADP e pelo payroll oficial ficou em cerca de 70 mil postos nos últimos 12 meses.

Um ponto importante é a composição. O setor de produção de bens, que vinha apresentando alguma melhora ao longo do ano, criou 31 mil vagas em setembro, bem acima da média de 2 mil dos últimos 12 meses. No agregado, a geração de empregos está mais forte em 2026, com média de 70 mil vagas por mês, contra apenas 33 mil em 2025.

No fim, o ADP reforça a percepção de que o mercado de trabalho americano segue resiliente e voltou a ganhar algum fôlego. Em um ambiente no qual o Fed já demonstra preocupação com a inflação e os juros globais permanecem pressionados, uma sequência de dados fortes de emprego pode adicionar resistência à perspectiva de um alívio das condições monetárias.

Para a divulgação do payroll amanhã, o mercado espera a criação de 85 mil novas vagas.

· 03:21 — PCE segue acima de 3%, mas sem nova aceleração


O núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, avançou 0,25% em agosto. Na comparação anual, o índice ficou em 3,01%, bem abaixo dos 3,3% esperados pelo mercado.

Apesar da melhora no curto prazo, a trajetória da inflação ainda mostra um progresso tímido. Após revisões nos dados anteriores, o núcleo do PCE permaneceu ligeiramente acima de 3% em todos os últimos seis meses, nível também superior aos 2,9% registrados há um ano.

Do lado da atividade, o consumo segue firme. Os gastos reais avançaram 0,6% no mês, próximos das expectativas, enquanto a taxa de poupança recuou de 4,6% para 4,1%. A combinação de inflação ainda elevada com consumo resiliente ajuda a explicar por que o mercado continua cauteloso com a trajetória dos juros americanos.

No fim, o PCE não trouxe uma nova surpresa inflacionária, mas também oferece poucos sinais de uma desinflação mais consistente. Ainda assim o mercado reagiu positivamente a divulgação do dado, com forte redução das taxas futuras e alta dos índices acionários.

· 04:41 — Micron reforça força do ciclo de inteligência artificial

Ainda ontem, a Micron apresentou resultados acima das expectativas e trouxe uma perspectiva ainda mais forte para o próximo trimestre. A companhia continua se beneficiando da demanda por memórias utilizadas em infraestrutura de inteligência artificial, especialmente as chamadas HBMs, fundamentais para os aceleradores usados em data centers.

O destaque está na combinação entre demanda forte e oferta ainda limitada. Os preços de memória continuam elevados, enquanto a expansão relevante da capacidade produtiva deve levar tempo para chegar ao mercado. Isso vem se traduzindo em maior poder de precificação e margens bastante elevadas para a Micron, além de maior visibilidade sobre receitas futuras por meio de contratos de longo prazo.

A reação das ações, porém, foi contida no pré-mercado. E isso diz bastante sobre o momento do setor: os papéis da Micron já acumulam alta superior a 270% no ano, e as expectativas para empresas ligadas à infraestrutura de IA estão bastante elevadas. Ou seja, os números continuam fortes, mas boa parte desse otimismo já parece incorporada aos preços.

Ainda assim, o resultado reforça uma mensagem importante para a tese de inteligência artificial. O ciclo de investimentos segue sustentando não apenas fabricantes de chips, mas toda a cadeia de infraestrutura necessária para ampliar a capacidade computacional — e, por enquanto, a demanda por memória continua dando sinais de força.

A Micron Technology é uma das maiores fabricantes de memória e armazenamento do mundo, produzindo componentes como DRAM, NAND e HBM. Sua importância aumentou com o avanço da inteligência artificial porque as GPUs usadas para treinar e operar modelos de IA precisam de grandes volumes de memória de alta velocidade, especialmente HBM, para processar dados com eficiência.

Por isso, a Micron ocupa uma posição importante na cadeia de infraestrutura de IA: seus resultados ajudam a medir não apenas a demanda por memória, mas também o ritmo dos investimentos em data centers e a intensidade do atual ciclo de expansão da capacidade computacional.

· 05:35 — Volatilidade à vista

Estamos a dois pregões do primeiro turno das eleições presidenciais e na primeira semana do mês de outubro. A combinação desses dois fatores deve levar a uma elevada movimentação nos ativos de risco brasileiros, dada a dinâmica dos investidores institucionais que tentam traduzir a probabilidade dos cenários eleitorais em seus portfólios.

São esperadas ainda algumas pesquisas eleitorais antes das urnas, o que pode fazer com que os ativos de risco se descolem do exterior.

Nesse ambiente de elevação de volatilidade nos ativos domésticos, destacamos o investimento em títulos indexados à inflação de curto prazo que devem ter um carrego mais atrativo no curto prazo e oferecem uma relação de risco e retorno mais eficiente que os vértices mais longos.

Por isso, reforçamos nossa indicação de compra do ETF PACC11.

Engenheira eletricista pela UTFPR com passagem pelo MIT e especialização em finanças pela Columbia University. Iniciou a carreira no mercado financeiro com foco no mercado de bonds nos EUA. Após uma experiência na Itaú Asset em NY, ela esteve por três anos no time de Global Macro Strategy da XP Inc também em NY, cobrindo mercados emergentes asiáticos e Brasil com foco em criação de ideias de investimento de renda fixa para clientes institucionais. Desde maio de 2021, Laís faz parte do time de análise da Empiricus. Por dois anos foi responsável pela alocação e seleção de fundos globais e hoje é a analista a frente das séries Super Renda Fixa e Os Melhores Fundos de Investimento.