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Os mercados começam esta quarta-feira praticamente de lado. Os futuros americanos oscilam perto da estabilidade, enquanto o Treasury de dez anos recua marginalmente, mas continua em um nível bastante elevado, próximo de 5,23%.
O ponto central é simples: ontem o Fed deu ao mercado algum motivo para respirar, mas hoje os dados terão a oportunidade de confirmar – ou negar – esse alívio.
Além do PCE, teremos números de emprego, renda, consumo e atividade nos Estados Unidos. E, depois do fechamento, a Micron divulga resultados em mais um teste importante para a tese de inteligência artificial.
00:35 — PCE testa a paciência do Fed
John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou ontem que não existe urgência para um novo ajuste de juros e que o banco central pode esperar mais informações antes de decidir o próximo passo.
Isso não significa, porém, que o ciclo de alta acabou. Williams ainda considera possível um novo aumento no fim do ano caso a economia continue forte, e destacou que a inflação em 3,7% segue claramente acima do desejável.
É justamente por isso que o PCE de hoje ganhou tanta importância.
Se a inflação voltar a surpreender para cima, especialmente acompanhada de atividade e emprego fortes, o mercado pode rapidamente devolver o alívio de ontem e voltar a precificar uma postura mais dura do Fed.
Além do PCE, teremos o ADP de emprego, com expectativa de criação de 75 mil vagas, renda pessoal, gastos das famílias e uma nova leitura do PIB do segundo trimestre.
Em resumo, Williams disse que o Fed pode esperar. Os dados de hoje vão dizer quanto tempo ele realmente tem.
01:40 — Juros longos continuam sendo o problema
Mesmo com a melhora marginal desta manhã, a parte longa da curva americana continua pressionada.
O Treasury de dez anos está perto de 5,23%, enquanto o título de 30 anos chegou ontem ao maior rendimento desde 2002. Isso ajuda a explicar por que ações e títulos passaram boa parte de setembro sob pressão.
O petróleo também continua complicando essa conta. O Brent negocia próximo de US$ 103 por barril e acumula alta de aproximadamente 14% no mês.
Então, mesmo que o Fed não tenha urgência em subir novamente os juros, o mercado continua convivendo com uma combinação difícil: energia cara, inflação elevada e taxas longas em níveis que não víamos há décadas.
Por isso, um PCE mais forte tem hoje mais espaço para empurrar os yields para cima do que um número apenas em linha tem para provocar uma queda relevante.
02:40 — O índice está forte, mas a Bolsa nem tanto
Outro ponto interessante é que o desempenho do mercado americano está ficando cada vez mais concentrado.
O S&P 500 segue relativamente próximo das máximas, mas a ação média está muito mais distante do seu pico de 52 semanas. Ou seja, alguns grandes nomes – principalmente ligados à inteligência artificial – continuam sustentando boa parte do índice.
E hoje teremos um teste importante dessa narrativa.
A Micron divulga seus resultados depois do fechamento, com o mercado atento principalmente à demanda por memória utilizada na infraestrutura de IA. Depois de meses em que tecnologia conseguiu atravessar juros cada vez mais altos, a régua para continuar justificando os valuations também subiu.
Se os resultados continuarem fortes, a tese de IA ganha mais algum fôlego. Caso contrário, a concentração elevada dos índices começa a ficar mais desconfortável.
03:50 — Brasil: fiscal volta para o radar
No Brasil, o pregão de ontem terminou melhor do que começou. A fala mais moderada de Williams e a melhora do ambiente externo ajudaram os juros futuros a recuar, enquanto o Ibovespa avançou 0,46%, para 183.828 pontos.
O dólar também caiu 0,16%, encerrando próximo de R$ 5,22.
Hoje, porém, o foco doméstico muda para as contas públicas. O mercado espera déficit primário de R$ 15,7 bilhões em agosto, depois de superávit de R$ 1,4 bilhão em julho.
A expectativa também é de que a dívida líquida avance de 69,1% para 69,5% do PIB, enquanto o déficit nominal pode chegar a cerca de R$ 121 bilhões no mês.
Os números importam especialmente porque a curva brasileira continua bastante sensível ao comportamento dos juros americanos e à percepção fiscal doméstica.
Ontem, Williams ajudou a tirar um pouco da pressão. Hoje, PCE nos Estados Unidos e fiscal no Brasil terão a chance de mostrar se essa melhora consegue durar.
05:01 — BDIF11: desconto com originação
O BDIF11 chama atenção não apenas pelo desconto atual – por volta de 11% –, mas pelo que existe dentro da carteira. Além das debêntures negociadas no mercado, a equipe mantém uma parcela relevante em operações estruturadas e originadas pela própria casa, menos dependentes do humor e dos fluxos do mercado secundário. Essa combinação ajudou o fundo a atravessar de forma mais defensiva o estresse do crédito incentivado neste ano.
É o caso de operações como Nova Mobi e Orizon, que oferecem estruturas de garantias e remunerações difíceis de acessar diretamente pelo investidor. O fundo ainda aproveita distorções pontuais em ativos negociados no mercado e, desde o início do ano, passou a buscar maior previsibilidade nos rendimentos mensais.
Com uma carteira diversificada, capacidade de originação própria e a cota ainda negociando abaixo do valor dos ativos, vemos uma combinação interessante entre renda, qualidade e potencial de fechamento do deságio. Por isso, seguimos vendo o BDIF11 como uma boa oportunidade para quem busca exposição ao crédito de infraestrutura.